17 de março de 2016

TEÍSTAS ABERTOS E CALVINISTAS CONTEMPORÂNEOS

Para calvinistas contemporâneos e teístas abertos, que procuram propor e  responder a questão em termos de outro tempo, a importância do embate entre soberania de Deus e libre-arbítrio fica clara quando se consideram as terríveis consequências lógicas, morais e ideológicas de abraçar a doutrina oposta.

Os teístas abertos começaram a ganhar terreno e adeptos denunciando, basicamente, o que veem ser as abomináveis consequências morais do calvinismo. Para aceitar o calvinismo da ortodoxia, argumentam eles, é preciso endossar uma série de noções teológicas incompatíveis com o caráter generoso e relacional de Deus. Por exemplo: 1) que Deus é o único responsável pelo mal; 2) que Deus está mentindo quando dá a entender que o homem é responsável por suas ações; 3) que a oração de súplica é uma farsa perversa, visto que o futuro é imutável e Deus não poder ser persuadido a mudar de ideia; 4) que de nada adianta pregar a boa-nova, visto que os eleitos acabarão encontrando a luz de uma forma ou de outra; 5) que não existem injustiças sociais ou morais, visto que cada baixa de todas as guerras e de todas as pobrezas estavam previstas no roteiro original do próprio Deus.

Os calvinistas rebatem com o que creem ser as inadmissíveis consequências teológicas do teísmo aberto. O Deus do teísmo aberto é, reclamam eles: 1) menos que onisciente, porque não conhece o futuro; 2) menos que onipotente. porque não será capaz de impor sua vontade se estiver restringido pela liberdade humana; 3) menos que absoluto e eterno, por estar sujeito ao avanço linear do tempo no próprio universo que criou, e 4) menos que onipresente, porque o futuro não é uma realidade presente para ele.

Como demonstram essas séries muito simplificadas de objeções de ambos os lados, a preocupação fundamental dos teístas abertos é defender a bondade de Deus; a dos calvinistas, seus atributos.


Paulo Brabo (A Bacia das Almas; págs: 191 e 192)

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