Vigie seus pensamentos, eles tornam-se palavras. Vigie suas palavras, elas tornam-se ações. Vigie suas ações, elas tornam-se hábitos. Vigie seus hábitos, eles formam seu caráter. Vigie seu caráter, ele se torna seu destino.
Frank Outlaw
Vigie seus pensamentos, eles tornam-se palavras. Vigie suas palavras, elas tornam-se ações. Vigie suas ações, elas tornam-se hábitos. Vigie seus hábitos, eles formam seu caráter. Vigie seu caráter, ele se torna seu destino.
Frank Outlaw
Parte do meu conselho seria provavelmente só relaxar. Faça as coisas que são significativas pra você e com as quais se importa, leve elas a sério. Mas não aja pensando tanto em ter que provar alguma coisa pra alguém. E eu acho que quando você ainda está nos trinta, às vezes você ainda perde muito tempo pensando o que as outras pessoas querem que você seja, diferente de saber o que você quer ser. Acho que há várias formas de impactar o mundo. Muitas pessoas jovens estão numa corrida pra dizer: "sou impactante." E acho que o impacto é construído ao longo do tempo. É uma série de passos. É aquela soma quando você olha pra trás. E você diz: "Sabe, acho que fiz a diferença."
Barack Obama
Netflix (Trabalho - Ep: 03)
- Godot, por que você é ferreiro?
- Todos os meus ancestrais foram ferreiros.
- Você gosta de ser ferreiro?
- Quem sabe. (...) Eu já estava com o martelo na mão antes de aprender a andar. Antes que eu pudesse pensar se gostava ou não, já estava martelando o ferro na minha frente. Eu estava sempre pensando que queria ser melhor, que queria fazer algo melhor. E quando fui perceber, já estava velho assim. Por que eu martelo ferro? Eu não sei a resposta. No entanto, eu gosto de uma coisa. Das faíscas. Eu gosto das faíscas. Elas me atraem. É como se minha própria vida explodisse diante dos meus olhos por um segundo.
Godot
Também sou atraído pelas faíscas? A pequena luz que é criada por duas espadas. A pequena luz que se dispersa quando minha vida e a do meu oponente, nossas existências se chocam. É como se fosse a personificação da vida. No final, é tudo que eu tenho. Eu empunharei minha espada. Não por outra pessoa, mas por mim mesmo. Para dispersar minha própria faísca.
Guts
Berserk [Ep. 20]
“Por que os homens gostam tanto de derramar sangue?” (...) Os homens tendem a ter um lado selvagem assim. Mas essa é uma ferramenta que usamos para obter e proteger o que é precioso. É uma faca de dois gumes. (...) Há outra coisa mais preciosa que se apresenta diante de qualquer homem. Trata-se de um sonho que você deve realizar para si mesmo e para mais ninguém. Alguns sonham em governar o mundo. Alguns dedicam suas vidas inteiras para aprimorar sua esgrima. Alguns sonhos são perseguidos sozinhos enquanto outros devoram os sonhos de milhares ou dezenas de milhares, como a tempestade. Os sonhos os levam para frente, os fazem sofrer. Os sonhos os mantêm vivos, os sonhos os levam à morte. Depois de serem abandonados por seus sonhos, ele continua ardendo em seus corações. Todo homem imaginou viver uma vida assim pelo menos uma vez. Ser martirizado por seu deus, seu sonho. Simplesmente seguindo os movimentos da vida por ter nascido. Eu nunca serei capaz de suportar esse tipo de vida. (...) Quanto mais batalharmos, mais homens eu vou perder. (...) Tudo o que fiz foi pensar racionalmente. Ir para a batalha dez vezes e perder centenas dos meus homens ou seduzir um velho rico. O que é menos arriscado? (...) Não me sinto responsável pelos colegas que morreram por causa de minhas ordens. Isso porque eles escolheram lutar essas batalhas sozinhos. Isso vale para mim também. Mas se há algo que eu posso fazer por eles, pelos que morreram, seria ganhar. Devo continuar ganhando para realizar meu sonho, ao qual arriscaram a vida para realizar. Só posso realizar o meu sonho estando em cima dos seus cadáveres. É um sonho manchado de sangue. Não me arrependo nem me culpo por isso. Mas depois de arriscar centenas e milhares de vidas, não espero ficar limpo. Meu sonho não é algo que eu possa realizar tão facilmente.
Griffith
Griffith sonha em realizar algo do qual todos desistiram há muito tempo. Mas pelo fato de o sonho que ele escolheu ser tão puro e tremendamente grande, ele tem que carregar um fardo muito pesado. Na minha opinião, os que estão tentando alcançar grandes coisas também estão suportando algo maior do que outros. Não que Griffith seja forte. Ele não tem outra escolha a não ser ser forte.
Cascka
Não é só você. O Griffith também. Vocês têm algo pelo qual estão dispostos a arriscar a vida. Acho isso mais impressionante. Comparado a isso, quaisquer cem homens, ou até mesmo mil homens com os quais me deparo sem pensar na batalha não são nada. (...) Gaston disse que a vida no exército não é para ele. Quando esta batalha acabar, ele planeja usar o dinheiro que economizou para se tornar alfaiate. (...) Nicole pediu uma mulher em casamento, e ela riu da ideia de se casar com um mero cabo. Ele quer ser promovido e pedir novamente o quanto antes. Mesmo que isso signifique colocar-se em perigo no campo de batalha. Apesar de todos acharem que ele não vai conseguir. Observando daqui de cima, cada uma dessas luzes parece conter os sonhos ou sentimentos de alguém. Como se tivessem sobrevivido.
Guts
Uma fogueira de sonhos? (...) Cada pessoa carrega uma pequena chama que trouxe enquanto está aqui.
Cascka
E para impedir que essa pequena chama seja extinta, eles a jogam no maior fogo de todos. O inferno em chamas, que é o Griffith. Dito isso, minha chama não está aqui. (...) Enquanto eu tiver isto [espada], estou confiante de que sobrevivo a qualquer batalha. (...) Mesmo antes de entrar no Bando do Falcão, não importando o quão terrível fosse a batalha, eu sempre sobrevivi sozinho. Desta vez também. Mas mesmo assim, não é nada significativo. Sempre estive em batalha. O chefe mercenário que me criou se recusou a me ensinar qualquer coisa além de manusear uma espada. Esta espada é tudo que eu tenho. Claro, não quero morrer. Mas é só por causa deste desejo de sobreviver, porque conheci apenas a espada, que venho lutando todo esse tempo. Talvez seja melhor dizer que deixei as razões mais importantes para lutar para os outros.
Guts
Berserk [Eps. 10, 12 e 14]
Terence Fletcher é um personagem realmente controverso, mas confesso nutrir uma certa identificação com a sua visão. De alguma forma, às vezes, experimento a frustração que permeia o tom do diálogo que fiz questão de transcrever aqui. Whiplash é um filme simples sobre excelência. Mostra o grande papel que um mentor pode ter na saga de alguém em busca de alcançar algo significativo. Embora faça uma diferença absoluta quando acreditam em você, boa parte do processo é solitário. Ao contrário de Charlie Parker, a metamorfose que ocorre nos bastidores é cheia de altos e baixos, faz parte do esforço. Eventualmente tal hora uma rasteira acaba te acertando, é inevitável, uma vez que também fazemos nossas apostas. Já noutras, acertamos, é aquela dinâmica dos investimentos, na média, o que importa é acertar mais do que errar. Mas, como diria Sartre: “Não importa o que a vida fez de você, mas o que você faz com o que a vida fez de você.”
Por fim, o diálogo a seguir nos aponta o que separa os profissionais dos amadores:
- Na verdade, acho que as pessoas não entenderam o que eu estava fazendo na Shaffer. Eu não estava lá para reger. Qualquer imbecil pode agitar os braços para marcar o andamento. Eu estava lá para incentivar vocês além do que se esperava. Creio que isso é uma absoluta necessidade. Ou privaremos o mundo do próximo Louis Armstrong. Do próximo Charlie Parker. Já contei como Charlie Parker se tornou Charlie Parker, não é?
- Jo Jones atirou um prato nele.
- Exatamente. Parker era um garoto bom no sax. Levantou para tocar numa sessão animal e errou feio. E o Jones quase o decapitou por isso. Ele saiu do palco sob risos e chorou até dormir naquela noite. Mas, no dia seguinte, o que fez? Ele praticou e praticou, com um único objetivo em mente: jamais ser motivo de riso de novo. Um ano depois, ele volta a Reno. Sobe naquele palco e toca o melhor solo que o mundo já ouviu. Então, imagine se Jones só tivesse dito: "Ora, tudo bem, Charlie. Mandou bem. Bom trabalho." E o Charlie pensasse: "Caramba. Eu mandei bem mesmo." Fim da história. Nada do Bird. Isso, para mim, é uma tragédia absoluta. Mas é isso que o mundo quer agora. E as pessoas se perguntam por que o jazz está morrendo. Eu lhe digo, cara... e todo disco de "jazz" Starbucks confirma o que eu digo. Não há duas palavras mais danosas na nossa língua do que "bom trabalho".
- Mas há um limite? Talvez você vá longe demais e desmotive o próximo Charlie Parker de se tornar Charlie Parker?
- Não, cara. Porque o próximo Charlie Parker jamais seria desmotivado.
Whiplash: Em Busca da Perfeição
Para jogar pelas regras de Davi você precisa estar desesperado. Precisa ser tão ruim que não tenha outra saída.. Eles sabem que seus times não se encaixam nesse perfil, portanto os jogadores jamais conseguiriam ser convencidos a se esforçar tanto. (...) O esforço pode vencer a habilidade e que as convenções foram feitas para serem desafiadas. Mas os treinadores dos times perdedores não estavam inclinados a ser tão filosóficos assim.
Malcolm Gladwell (Davi e Golias; pág: 38 e 39)
Quem programa o cérebro são os órgãos dos sentidos. Nada o atinge sem antes passar pela audição, pela visão, pelo olfato, pelo paladar ou pelo tato. (...) Os órgãos dos sentidos também estão submetidos às emoções, que controlam todas as informações obtidas. (...) Podemos (...) induzir o cérebro a sentir o que quisermos, bastando mentalizar fortemente o que desejamos que aconteça. (...) Um sem-número de vezes isso nos acontece durante o dia no nível inconsciente. É preciso estar mais alerta para fazer o cérebro trabalhar a nosso favor - sabendo que raramente nosso estado mental reflete a chamada realidade, mas, sim, a realidade que criamos a partir das nossas emoções. Por isso nós somos nosso único inimigo! (...) Costumo dizer que nosso cérebro é burro porque age e reage conforme nossas emoções. Quando percebe que estamos felizes, lança na corrente circulatória hormônios de excelente qualidade. Se estamos tristes, lança hormônios de péssima qualidade, provocando mal-estar físico. Então não se deve alimentar raiva nunca. Nem guardar rancor. Por isso deve-se ter muito cuidado com a alimentação mental e com a força negativa dos nossos próprios pensamentos. Se a pessoa não acredita em sua capacidade de se modificar, não conseguirá se ver superando os próprios medos para alcançar seus objetivos. Com isso reforça em sua mente a incapacidade de vencer a si própria. (...) Você só chega até onde acha que pode chegar. (...) Mentalizando a capacidade de realização do que se deseja alcançar. (...) Não podemos esquecer que somos o que pensamos. Se você se pensa vitorioso, você se faz vitorioso. (...) Lembre-se sempre de que a verdade não existe. Nós é que fazemos a nossa verdade. (...) O que importa é o que você pensa a respeito de si próprio, não o que realmente você é. (...) Também é importante saber escolher nossas amizades, aproximar-nos de pessoas positivas, com uma energia boa. Evitar as pessoas negativistas sempre com uma visão horrível da vida, que nos passam insegurança em tudo. (...) O que importa é que você é o responsável por sua saúde, pela sua vida. (...) O cérebro não tem acesso direto ao mundo “real”. Está isolado do mundo, fechado e protegido na caixa craniana. Sabe somente aquilo que sentimos ou pensamos que sentimos.
Nuno Cobra (A Semente da Vitória; págs: 37, 38, 39, 40, 41 e 42)
Na questão que envolve matar o inimigo, nossas tropas devem ser levadas à fúria. Para que fique clara a vantagem de derrotar o oponente, devem também ser recompensadas, pois tirar a riqueza do inimigo é de grande valia para manutenção das tropas e deve ser usado como objeto de recompensa, de forma a que todos os soldados tenham um forte desejo coletivo e individual de lutar. Porque, assim como o que estimula os homens a matar é a fúria, o que estimula a lucrar com o inimigo são os bens materiais.
1. Se ele tiver um temerário descaso pela vida; um general que se expõe sem necessidade, que parece buscar os perigos da morte, é um homem precipitado.
2. Se ele tiver um cuidado excessivo em conservar a própria vida e por esse motivo não ousa e sim dá mostras de covardia, poderá ser facilmente capturado.
3. Se tiver temperamento volúvel; um general que perde facilmente o controle e se deixa levar pela cólera, será ludibriado pelo inimigo através de provocações e cairá em emboscadas sem perceber.
4. Se for suscetível à honra, um general não deve se ofender de forma intempestiva. Por querer reparar a honra por qualquer insulto poderá perdê-la.
5. Se conservar uma compaixão excessiva por seus soldados. Um general deve punir seus soldados com severidade quando necessário, ministrar castigo e trabalho com discernimento, ou poderá ser facilmente desrespeitado.
Sun Tzu (A Arte da Guerra; págs: 88 e 89)
...se um general ignorar o princípio da adaptação, não deve ser colocado em uma posição de autoridade. Um hábil empregador de homens usará o prudente, o bravo, o cobiçoso e o burro. Pois o prudente terá prazer em aplicar seu mérito, o bravo sua coragem em ação, o cobiçoso é rápido em tirar vantagens e o burro não teme a morte.
Há cinco fatores que permitem prever qual lado sairá vencedor:
1. Aquele que sabe quando deve ou não lutar conquistará a vitória;
2. Aquele que compreende como lidar com a superioridade e a inferioridade numérica na disposição das tropas conquistará a vitória;
3. Aquele que possui superiores e subordinados unidos conquistará a vitória;
4. Aquele que é prudente e põe em campo um exército completamente preparado contra um inimigo despreparado conquistará a vitória;
5. Aquele cujo o comandante é hábil e cujos soberanos não interferem conquistará a vitória.
"Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, ainda que enfrente cem batalhas, jamais correrá perigo. Aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, às vezes ganha, às vezes perde. Aquele que não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, está fadado ao fracasso e correrá perigo em todas as batalhas."
Sun Tzu (A Arte da Guerra; págs: 44 e 45)
Charles Lindbergh
“Não importa quanto treinamento você teve”, Lindbergh diria mais tarde, “seu primeiro solo é muito diferente de todos os outros vôos. Você está completamente independente, inacessível, sem nenhuma possibilidade de ajuda, totalmente responsável por si próprio, e terrivelmente sozinho no espaço.”
A. Scott Berg (Lindbergh – Uma Biografia; pág: 95)
Musashi (O Livro dos Cinco Anéis; págs: 62 e 63)
Filipômenes, príncipe dos acaianos, entre os demais louvores que mereceu aos escritores, tem o de não haver pensado noutra coisa em tempos de paz senão nos modos de fazer a guerra. Quando andava pelas campinas com os amigos, detinha-se frequentemente a refletir com eles. Se os inimigos estivessem em cima daquela colina, e nós nos encontrássemos aqui, qual dos dois teria vantagem? Como poderíamos ir atacá-los mantendo as tropas ordenadas? Se nos quiséssemos retirar, como deveríamos proceder? Se fossem eles que se retirassem, qual a melhor forma de lhes seguirmos no encalço? E enquanto caminhava, ia-lhes apresentando todas as conjunturas em que se pode achar um exército: ouvia-lhes os pareceres, dizia o seu, ajuntando as razões. Assim, mercê dessa constante reflexão sobre a arte da guerra, ficou habilitado a resolver qualquer situação que durante as campanhas se lhe deparasse. Quanto, porém, ao estudo, deve o príncipe ler a História, meditar nas ações dos homens ilustres, examinar como se portaram nas guerras, investigar as causas das suas vitórias e derrotas, para fugir destas e obter aquelas. Releva-lhe, sobretudo, escolher entre os mais celebrados heróis da Antiguidade um modelo, cujas façanhas lhe estejam sempre vivas na memória. (...) São estas as regras que a um príncipe avisado convém observar. Em vez de permanecer ocioso durante os anos de paz, deve esforçar-se por acumular cabedais que lhe sejam úteis no infortúnio, a fim de, em mudando a sorte, estar preparado para resistir-lhe aos golpes.
Nicolau Maquiavel (O Príncipe; págs: 135, 136 e 137)
Segundo os homens, quase sempre, as vias trilhadas por outros, procedendo em suas ações por imitação, e não lhes sendo possível conservar-se perfeitamente dentro das raias representadas pela trajetória de outros, nem acrescentar algo às qualidades [virtù] daqueles a quem imitam, deve um indivíduo prudente enveredar sempre pelos caminhos percorridos pelos grandes vultos e tomar como exemplo os que mais destacados foram, a fim de que, ainda quando não chegue a igualá-los, possa ao menos aproximar-se-lhes; fazer, em suma, como os arqueiros precavidos, os quais, achando demasiado longe o ponto que querem atingir e conhecendo o alcance do seu arco, fazem pontaria para um lugar muito mais alto que o visado, não para a sua flecha ir a tamanha altura, mas para assim acertarem no verdadeiro alvo.
Nicolau Maquiavel (O Príncipe; págs: 63 e 64)
O segredo da vitória era mudar os hábitos dos jogadores. Dizia [Dungy] que queria fazer com que os jogadores parassem de tomar tantas decisões durante um jogo. Queria que eles reagissem automaticamente, por hábito. Se ele conseguisse incutir os hábitos certos, seu time venceria. E ponto final. “Os campeões não fazem coisas extraordinárias”, explicava Dungy. “Fazem coisas ordinárias, mas as fazem sem pensar, rápido demais para o outro time reagir. Seguem os hábitos que aprenderam.” (...) Por isso, em vez de ensinar a seus jogadores centenas de formações, ele ensinou-lhes apenas um punhado delas, mas as praticaram inúmeras vezes até que os comportamentos se tornassem automáticos. (...) Se seus jogadores pensarem demais, hesitarem ou questionarem seus instintos, o sistema cai por terra. (...) Porque tudo era uma reação - e por fim, um hábito - e não uma escolha.
Charles Duhigg (O Poder do Hábito; págs: 78, 81 e 97)
Nas artes marciais, aprendemos um conceito chamado Shu Ha Ri, que estabelece diferentes níveis de domínio. No estado Shu, você conhece todas as regras e formas e as repete, como se fossem os passos de uma coreografia, para que o seu corpo as assimile. Você não desvia. No estado Ha, uma vez que já domina as formas, você pode inovar, acrescentar um novo passo à coreografia. No estado Ri, você é capaz de deixar as formas de lado. Você realmente domina a prática e é capaz de ser criativo de uma forma desimpedida, porque o conhecimento do que o aikido - ou o tango - significa está tão profundamente entranhado em seu ser que todos os seus passos manifestam a essência dessa arte. (...) Primeiro, aprenda as regras e as formas. Quando tiver domínio delas, inove. Por fim, em um estado elevado de maestria, descarte as formas e apenas seja - com todo o conhecimento internalizado e as decisões tomadas quase inconscientemente.
Jeff Sutherland & J.J. Sutherland (Scrum: a arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo; págs: 44 e 45)
O crítico não tem importância alguma: tudo o que faz é apontar um dedo acusador no momento em que o forte sofre uma queda ou na hora em que aquele que está fazendo algo comete um erro. O verdadeiro crédito vai para aquele que está na arena, com o rosto sujo de poeira, suor e sangue, lutando com coragem. O verdadeiro crédito vai para aquele que erra, que falha, mas que aos poucos vai acertando, porque não existe esforço sem erro. Ele conhece o grande entusiasmo, a grande devoção, e está gastando sua energia em algo que vale a pena. Este é o verdadeiro homem, que na melhor das hipóteses irá conhecer a vitória e a conquista, e que na pior das hipóteses irá cair. Mas mesmo em sua queda ele é grande, porque viveu com coragem e esteve acima daquelas almas mesquinhas que jamais conheceram vitórias ou derrotas.
Paulo Coelho (O Diário de um Mago; págs: 226 e 227)
Não há vitória sem riscos. Vencer significa submeter-se a riscos, preparar-se previamente para vencê-los e só então alcançar novos patamares. A definição de risco é a de incerteza, e não há como se chegar a um novo lugar acreditando só em certezas. Vencedores experimentaram riscos - todos eles.
Eduardo Moreira (Encantadores de Vidas; pág: 190)
Para manter o equilíbrio é preciso coordenar os músculos de todo o corpo, compensando qualquer movimento que altere o equilíbrio com um movimento contrário, além de controlar a respiração e a mente. Uma respiração descontrolada, sem cadência e tensa inevitavelmente diminuirá o controle do corpo. Já uma respiração abdominal profunda, ritmada e calma levará o corpo a um estado de relaxamento e resposta aos estímulos muito mais propício ao equilíbrio. Quanto à mente, o exercício nos treina a não pensar em nada. É surpreendente notar que imediatamente após pensar em algum assunto específico, perdemos nossa capacidade de equilíbrio e caímos do cabo de aço. Isso acontece porque a mente, que estava sendo exigida para sincronizar uma infinidade de músculos e membros, foi chamada a resolver outro problema, deixando o corpo sem um coordenador. Esvaziar a mente é talvez um dos mais difíceis exercícios que podemos aprender. Quem consegue, desperta uma capacidade de atenção, concentração e foco que o deixa quilômetros à frente dos outros. Meditar, na maioria das vezes, tem exatamente esse propósito, e a técnica é sempre ocupar o espaço mental com algo que afaste todo e qualquer tipo de pensamento. Para isso, são utilizados artifícios como, por exemplo, repetir as mesmas frases - até que só elas ocupem a mente.
Eduardo Moreira (Encantadores de Vidas; pág: 92)
Em geral, existe tendência a julgar forte o inimigo. Se soubermos nos colocar no lugar desse inimigo, veremos o quanto ele deve se sentir perdido ao ter que enfrentar todo mundo ou fugir. A tendência é acautelar-se em demasia, julgando o adversário muito poderoso. Supervalorizar o inimigo resulta em ação cautelosa e passiva demais. Então, pense no inimigo como alguém que, com certeza, sairá derrotado diante de você, que é um bom conhecedor da arte militar.
Musashi (O Livro dos Cinco Anéis; pág: 110)
Nos mandamentos da arte militar é preciso encontrar ritmo e sincronização ao atirar com o arco ou com a espingarda e até ao montar um cavalo. Não se deve desrespeitar o ritmo. Na arte militar, existem diversos ritmos que merecem atenção. Em primeiro lugar, é de fundamental importância conhecer o ritmo concordante e discernir o ritmo discordante - destinado este último a desregular o ritmo respiratório do inimigo. Importante distinguir, entre ritmos, os grandes e os pequenos ou os rápidos e os lentos, os ritmos corretos, o ritmo do intervalo e o ritmo contrário, que serve para quebrar o ritmo do adversário. (...) É indispensável aproveitar a quebra de ritmo do adversário para avançar sobre ele sem dar-lhe tempo de respirar. (...) A fim de evitar sua recomposição. Perseguir com moral forte, golpeá-lo com força, impedindo-o de voltar à luta. Se ele não for dado com determinação, o duelo tende para o impasse. (...) Conhecê-los [ritmos] é essencial na arte militar. Sem esse conhecimento, a arte militar não poderá ser corretamente absorvida. (...) Aprender as noções gerais de ritmo e saber discernir o estilo do inimigo no uso da espada longa. Na luta contra o adversário, é necessário estar perfeitamente ciente das trajetórias da espada longa, percebendo com clareza as intenções do inimigo e utilizando os diferentes ritmos para alcançar o triunfo em qualquer situação. (...) Sem poder adivinhar a intenção do inimigo, é impossível vencê-lo. (...) Atacar com uma cutilada rápida e direta, sem vacilação do corpo nem do espírito, enquanto o inimigo ainda estiver indeciso. (...) O ritmo que impede o adversário de tomar uma resolução - seja de desembainhar, seja de aparar ou de golpear com sua espada longa - eis o “golpe de um tempo”.
Musashi (O Livro dos Cinco Anéis; págs: 67, 68, 82, 84, 105 e 109)