31 de dezembro de 2013

PRESSUPOSTOS TEOLÓGICOS

Por: Diego Cosmo

Pra começo de história, para todo esforço intelectual existem os pressupostos e na construção de uma teologia não é diferente, invariavelmente há os pontos de partidas. Me parece que nossas formulações no que dizem respeito a Deus tendem a partir de nós mesmos e de quem mais poderia partir? Acho que Deus nos fez mesmo a sua imagem e semelhança, prova disso é que nós também o criamos a nossa imagem e semelhança. E isso abre espaço para a criação de diversos Deuses porque naturalmente somos diferentes e assim, sem exceção, pintamos nossas próprias crenças, por isso alguns têm um Deus que manda pessoas para o inferno e outros um Deus que ama incondicionalmente. As religiões carregam uma arrogância típica da crença. É arrogância porque a crença se fecha em si mesmo, qualquer possibilidade de ecumenisco é inviável porque não há humildade nas convicções. Crença é crença. É fim em si mesmo, logo morte. Como bem disse Elienai Cabral Jr: "O texto frio da lei é fluente no simulacro da moral. A letra grafada e morta não vasculha corações nem pergunta por afetos, não ilumina interioridades nem chora misérias, mata."

O que acaba gerando engessamento intelectual pois pensar fora da caixa numa religião é rebelião, logo há exclusão pelo bando, não lidam com as diferenças como Cristo fez, ou melhor, como Cristo amou. Em meio a tantas religiões, o que faz os crentes acharem com tanta convicção que a verdade pertence a lógica deles em emoldurar Deus?

A tempos nas igrejas tenho visto um Deus desprezível com um lado perversamente sádico. Sádico porque os membros mais fervorosos desses templos fazem coisas estranhas em frente a um Deus que dizem ser de Amor, por começar pelos ditos sacrifícios que no geral envolve alguma espécie de abstinência, como o nome já sugere implica algo desprazeroso de se fazer. São sempre promessas de sofrimento como se Deus ficasse feliz ao ver sofrimento... Imagino que um Deus de amor ficaria mais feliz ao ser agraciado por algo que tenha beleza, faria mais sentido. Compartilho da mesma experiência de Rubem Alves: "Nunca ouvi de um devoto que tivesse oferecido a Deus uma sonata de Mozart ou um poema de Fernando Pessoa." É estranho como num espaço em que fala-se tanto de Amor tenha se construído uma espiritualidade tão calcada na negação do prazer e na demonização de tanta coisa boa, acho até que demonizaram o demônio mais do que deviam e ainda querem ser mais religiosos do que o próprio Deus (como se Ele estivesse alguma coisa a ver com religião). Afinal o que é religião se não o esforço do homem em dar sentido a vida? Não conformados em que a vida possa se resumir ao que vivemos aqui na terra, falam muito da vida pós-túmulo. Céu (recompensa/créditos) e inferno (castigo/débitos) basicamente alicerçam toda a base das crenças e liturgias da igreja. No final das contas, o medo é o principal fator que impulsionam a maioria dos crentes. Nunca vi tanto sentido nas palavras de Napoleão Bonaparte, no que se refere ao funcionamento das igrejas (entre outras coisas), quando disse que "Duas alavancas movem o homem: interesse e medo." Principalmente dos que demonstram ser mais fervorosos, aquelas que ficam falando "Aleluia" e "Glória à Deus" por qualquer motivo. E é porque num mandamento das "Sagradas Escrituras" diz: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão." Já imaginou se é abolido a ideia de inferno como uma condição de sofridão após a morte? O que restaria das igrejas que conhecemos hoje?

Algo me diz que, posto a crença que o pós-túmulo é melhor, a negação do suicídio dos ditos cristãos aponte uma certa descrença em tal postura, se o que me espera depois da morte é melhor do que o que vivo hoje, por que não ir logo, será que é mesmo uma convicção que após morrer se ira para um paraíso? Aquela galera que decide explodir-se pra ver algumas virgens creem infinitamente mais do que qualquer dito crente que vemos por ai. Os crentes não tem que ter fé, pois já "acreditam" mas deveriam admitir que no fundo não acreditam tanto assim como demonstram, será que na iminência da morte seu medo, além dos desligamentos afetivos, não se depositaria também na possibilidade do que o pós-túmulo não seja o que você imagina que seja? Enfim, porque o medo em frente a morte se você diz crer que irá para o paraíso?

Quanto a morte não há como ter certeza do que possa vir a ser, somente fé. Você não morreu e voltou pra contar história, toda sua crença é construída no que outros já falaram ou escreveram sobre, nada além de teorias... O que possa vir após o túmulo mora no completo escuro, é um dos mistérios da vida, como Deus. Paulo Brabo explica melhor essa ideia e faço das palavras dele as minhas:

"Minha fé não é aquilo em que acredito. Minha fé não está naquilo em que acredito, e nem poderia estar. Minha fé não é adequadamente expressa por aquilo em que acredito, e nem poderia ser. Toda crença é um obstáculo à fé. As crenças atrapalham porque satisfazem a nossa necessidade de religião, a crença é confortadora, a pessoa que vive no mundo da crença sente-se segura. Não tenho como recomendar a crença; sua única façanha é nos reunir em agremiações, cada uma crendo-se mais notável que a outra e chamando seu próprio ambiente corporativo de espiritualidade. Não tenho como endossar a crença; não devo dar a entender que a espiritualidade pode ser adequadamente transmitida através de argumentos e explicações. Minha espiritualidade não deve ser vivida ou expressa de forma menos revolucionária."

É incrível como funciona nas instituições religiosas a lógica da meritocracia, isso quando os afilhados ou familiares dos pastores não são mais "abençoados" que os demais membros, o que acaba se constituindo uma espécie de oligarquia celestial. Puro interesse corre nas entranhas das igrejas. Se é cristalizada uma instituição, há política. E como já disseram, foi se a época em que se fazia política por ideologia, ela é feita nas trocas de interesses, principalmente se tratando de Brasil. Se não tenho benefícios na igreja, por exemplo, uma convicção de que ficarei bem após morrer ao fazer o que manda a cartilha da minha igreja, o destino é certo, mudo de igreja, é mais fácil que mudar de religião. Quem procura milagre não acha Deus. Já outros mudam de religião ou viram ateus, pra mim o ateísmo, igual a qualquer outra religião, não deixa de ser uma resposta, um esforço para que suportemos a difícil empreitada em fazer nosso mundo ter mais sentido. Enfim, na vida não da tempo sermos nada mais do que amadores.

Qual a referência para as nossas reflexões do que possa ser Deus? Seria o que escreveram sobre a pessoa de Jesus Cristo naquela coletânia de livros, cartas etc compilado num livro chamado "Bíblia" muito conhecido pela banda do Ocidente que carrega em suas páginas muita das crenças e tradições de nossos antepassados no qual constituem, basicamente, um registro dos saberes religiosos judaico-cristão? (ufa!) Quais seriam os pressupostos? A maioria das igrejas montaram um Deus no qual a punição ou a recompensa faz parte de sua pedagogia, o que é uma contradição com a ideia de amor incondicional, não há como decidir punir ou recompensar sem que haja determinadas condições que justifiquem tal ação. O tal amor incondicional parece não ser levado às suas últimas implicações no qual em si já seria o suficiente para responder uma série de questões.

Fui criado em berço protestante e cresci escutando o que muita gente deve ter escutado sobre Deus. Então usei o termo "Deus" para que facilitasse melhor o diálogo e o compartilhamento das ideias. Engraçado que para ser um pouco mais coerente com o meu protestantismo maltrapilho tive que sair da igreja protestante... Mas se me perguntam se acredito em Deus, num primeiro momento é embaraçoso porque não sei responder muito bem a essa pergunta, depois fico sem saber a que Deus o indagador se refere, meu Deus certamente não é o mesmo que o seu. "Meu céu não é igual ao seu. Nem poderia ser. Nossas saudades são diferentes.", disse Rubem Alves. Depois penso no que Miguel de Unamuno falou: "Acreditar em Deus é, antes de mais nada e principalmente, querer que ele exista."

Construo o meu Deus a partir do que não posso ver, é de uma fragilidade sem tamanho, Ele não se mostrou a mim de outra forma que não seja no que eu reconheça no que me gera saudade, ou seja, as coisas que amo. Se o Amor mora na saudade, certamente Deus mora lá também, que seria nos bons momentos, nas boas conversas, nas carícias trocadas com quem se ama. No impulso que o sonhar nos gera. Na mesa com os amigos regada a uma cerveja gelada (claro!). Mas fora todas essas paixões que, segundo Belchior, moram na filosofia, contemplo o crepúsculo em "Canoa Quebrada" junto a Shakespeare quando disse: "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia."

28 de novembro de 2013

HYPE-CYCLE

"Depois do período de decepção, cada tecnologia acaba alcançando o seu real papel no espectro tecnológico - sem ser solução para tudo, mas tendo sua finalidade específica - e, nesse momento de maturidade, alcança sua real importância no cenário mercadológico."

Martha Gabriel

A INTERNET DAS COISAS

Os termos web 1.0, 2.0 e 3.0 estão mais relacionados à mudança no comportamento dos usuários  web do que as tecnologias que proporcionaram essas mudanças.

A web 1.0 é a web estática, onde as pessoas apenas navegam e consomem informações. A web 2.0 é a web da participação, onde as pessoas usam a web como plataforma para todo tipo de interação: blogs, videos, fotos, redes sociais. A web 2.0 é o que chamamos de computação em nuvem - os aplicativos (como GMail, redes sociais, etc.) ficam na internet (nuvem de computadores) acessados por meio de computadores com conexão on-line. Hoje, a predominância de informações na web é documentada. Em breve, devido aos sensores do tipo RFID e as tags como os QRcodes, qualquer coisa poderá fazer parte da internet, não apenas documentos. Assim, pessoas, animais, objetos, lugares ou absolutamente qualquer coisa mesmo poderá ser parte da web.

Passamos da web estática para a web dinâmica. Da web da leitura para a web da participação. Da web uma via para a web de duas mãos. Da web de páginas para a web como plataforma. Da web de reação para a web de participação. Da web discurso para a web conversação. E estamos caminhando para a web da interação, a web semântica, a internet das coisas.

Martha Gabriel

20 de novembro de 2013

JORNALISMO É PARTE DA DEMOCRACIA

Nós temos a grande responsabilidade de informar ao público para que eles sejam cidadãos com mais conhecimento e possam tomar decisões de forma mais inteligente. (...) Devemos apenas "somar luzes" que iluminem o público e deixá-lo decidir o que fazer com a informação que recebe. Nossa responsabilidade é traduzir os fatos para que o público os entenda de uma maneira mais fácil. (...) Jornalismo é parte da democracia. (...) Prestamos um serviço público para que os cidadãos entendam a condição humana  localmente, nacionalmente e internacionalmente. (...) O "novo" jornalismo não é jornalismo. É opinião. Se colocam opinião em uma notícia, não é jornalismo.


Bonnie Anderson

MENOS FARISAÍSMO, POR FAVOR!

As mentiras, ao contrário do que se apregoa, não são todas iguais. Existe mentira de todo tipo: inescrupulosa, malvada, perniciosa, pecaminosa, ingênua. Não se deve esquecer as inofensivas e até as nobres.

O que dizer das mentirinhas amorosas? Aquelas que nascem de lábios apaixonados? Quando o namorado sussurra, seu chamego se colore de um encarnado libidinoso. Em nome do amor, toda e qualquer frase tem força de transformar-se em uma declaração arrebatadora. Esses arroubos não seriam mentira?

Não há como condenar um pai, que mesmo ansioso por descanso, finja disposto a brincar com os filhos. Quem acusa a mãe que lê uma historinha e faz de conta que acreditou nas fadas?

As mentiras que nascem do zêlo também não merecem desprezo. Se ela pergunta: Engordei? Homem nenhum pode responder com absoluta honestidade. Um lânguido nem tanto é o máximo que deve ousar. Verdade é virtude que não sobrevive sozinha. Toda verdade tem de vir precedida pela graça. Os absolutamente sinceros são na maioria das vezes intoleráveis. Toda sinceridade carece da graça porque nela o amor se sobrepõe à retidão. Quem ama não teme ser rotulado como inconstante. Misericórdia encobre. O intuito de proteger patrocina um tipo de mentira: a incoerência.  Há um provérbio bíblico, inclusive, que não condena esse jeito de encobrir os fatos: O ódio espalha
dissensão, mas o amor esconde os pecados (10.12).

Quem se oporia a certas mentiras médicas? Quem não se valeu delas? Ainda não vai ser desta vez afirma o mais criterioso médico diante do paciente com um diagnóstico terminal. No corredor do hospital, os parentes combinam entre si ao saberem do veredito: Vamos entrar no quarto, mas nada de choro; temos que manter uma atitude otimista para não abatê-lo mais. Todos disfarçam e a mentira alivia o ambiente. Os sorrisos ensaiados e as conversas amenas não passam de eufemismo. Pura hipocrisia. Uma farsa caridosa, todavia.

Que tal as mentiras poéticas? Os poetas mais exímios mentem. Transformam sentimentos banais em amor inflamado. Realçam a força dos substantivos com adjetivos precisos. Valem-se das hipérboles para descrever as paixões. Inflamam os romances com floreios insinuantes. A poesia tem força de transformar o rei amante em escravo e a donzela amada em rainha. Fernando Pessoa foi feliz ao constatar: Todo poeta é um fingidor. Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente. O poeta nem sempre se dá conta de que sua malicia enriquece a vida.

A Bíblia relata as mentiras de vários heróis sem censurá-los. Jacó ganhou uma primogenitura enganando o pai (Gn. 27). Tamar, uma das ancestrais de Jesus, conseguiu engravidar se travestindo de prostituta para engodar Judá (Gn 38). José ludibriou a família como estratégia para não revelar imediatamente a identidade (Gn42). O rei Davi se fez de doido como meio de escapar do ódio de Aquis, rei de Gate (1Sm 21). Rute passou a perna em Boaz, salvou-se e garantiu a genealogia do Messias (Rt 3).

Lógico, impossível defender o dolo, a injúria, a impostura. Certamente o mentiroso não tem lugar na roda dos justos. Tanto o farsante, como o hipócrita e o maldoso que gagueja merecem o fim dos ímpios. Contudo, não há como negar: a humanidade não sobreviveria sem o recurso da mentira.

Menos farisaísmo, por favor!


14 de novembro de 2013

O OUTRO LADO

No princípio – disse rabi Jochanam – você reza por prosperidade, esperando que todos os desejos sejam realizados. Depois de algum tempo você passa a rezar para ser feliz, porque percebe que a felicidade não tem qualquer relação com a realização de desejos. Você passa então a rezar pela felicidade dos outros, porque percebe o quanto a vulnerabilidade dos outros o deixa vulnerável. Mais tarde você passa a rezar por coragem, porque entende que a felicidade talvez não faça bem a ninguém. Por último você pára de rezar, porque compreende que a única coragem que conta é a que diz respeito apenas a você. Neste ponto você chegou aos portões da fé, sem saber o que o espera do outro lado.

– Os santos são os que alcançam esse portão – entendeu rabi Yosef.

– Os santos são os que encontram-no fechado – disse rabi Jochanam.


SOCIEDADE DO CONSUMO VS. SOCIEDADE DO RESUMO

Longe de serem diametralmente opostos, são complementares e até consequentes. A revolução industrial aumentou, como nunca, o ritmo produtivo e suas escalas. Esta capacidade reduziu os custos, maximizou os lucros e potencializou os interesses dos donos da produção.

A regra foi: produzir - haverá quem compre.

Óbvio que não acabaria bem. Ainda mais com todos pensando da mesma maneira. As crises começaram a explodir em todo lugar. Afinal, para dar certo, a sociedade precisava mudar seu comportamento. Ao final da crise, o capitalismo estava mais forte do que nunca e encontrara um oponente a altura, seu anteposto: o socialismo. Cada qual partiu em sua jornada de catequização. O capitalismo com seu valor de consumo associado à liberdade. O socialismo nos valores, não de igualdade, mas do poder nas mãos das classes menos favorecidas. O resto é história.

O valor de consumo ganhou ainda mais força depois da Segunda Guerra. Já não era o capitalismo que era pregado pelo mundo, mas o “american way of life”. A liberdade mais do que nunca associada à liberdade de consumo, áreas como marketing e branding, que sequer existiam pouco antes, tinham total importância para as empresas: agregar valor ao consumo. Assim, o consumo passou a ganhar outras associações, além da famigerada liberdade: status, beleza, conquistas, sucesso, satisfação,
felicidade.

Consumir, consumir, consumir. O que era um comportamento, tornou-se valor. Tudo passar a ser “consumível”. Do sanduíche ao amigo. Tornou-se uma necessidade. A boa e velha imprensa já não atendia a demanda insana de leitores que queriam consumir informação. Por isso, os veículos de massa ampliaram suas forças e invadiram o ar. Rádio e TV, de antenas aos satélites. Mesmo assim, parecia pouco para uma sociedade que demonstrava não se satisfazer nunca, mesmo com mais jornais que fora possível um ser humano ler. É mais importante consumir informção e o mundo se encheu de informação por todos os lados.

A regra tornou-se SINTETIZAR.

Marcas resumidas a um desenho ou cor. Cartas chegando instantaneamente na tela. Fotos ganhando muito mais destaques, resumos antes da leitura. Notícias de há pouco, agora. Pobre celulose. Jamais seria capaz de acompanhar consumo tão insano que se alastra como uma praga, infectando tudo, como um parasita que necessita se propagar qualquer que seja a maneira, os memes de Richar Dawkins (O GENE EGOISTA, 1976).

O imprevisto mais previsível nasceu: tanto consumo precisaria sair de alguma forma e o receptor não se satisfazia mais com seu status e transformou-se em emissor. Milhões de blogs explodindo. O consumo ganhou tanto valor social que ser consumido passou a ser um novo valor. Falar para ser consumido. Mais uma vez o parasita mostrava suas garras e pelo excesso dos que queriam ser consumidos. Fernando Pessoa tornaria a regra assim:

Sintetizar é preciso. Viver não.

Jornais reduziram seu volume de textos, ampliaram títulos e fotos, fortaleceram resumos. Blogs se tornaram menores (“ninguém tem tempo para ler muita coisa na internet”) - criou-se uma nova convenção social. De consumo e resumo os jovens se comunicavam de forma cada vez mais dinâmica, celuares em mãos, SMS. A internet cada vez mais móvel. Outdoors, leituras em 5 segundos; banners de internet, interatividade em 3 segundos; Google, uma página em branco buscando em 0,2 segundo; Longos vídeos de 2 minutos. O resultado não poderia ser outro: sintetizar os blogs, tweets. O resumo forçado, limitado a 140 caracteres (um SMS). Pobre iludidos, pensando que venceriam com serviçõs que não limitariam o usuário, mas o usuário QUERIA limites. Havia muita informação sendo produzida e recebida. As “rédeas” funcionavam como um grito de socorro. Resumir para consumir ainda mais.

Em resumo, a próxima regra está cada vez às beiras: uma imagem vale mais que mil palavras.

Muito mais síntese expressa. Este caminho já começou. Buscadores limpos como o Google, mas tornando-se cada vez mais visual. Google Imagens buscando muito mais visualmente, mosaicos. Prepara-se para um futuro ainda mais visual. E só começou.


13 de novembro de 2013

O AGORA SE FOI



Eu e você temos algo
Mas isso é tudo e depois para mim não é nada
E eu tenho minhas defesas
Quando se trata de suas intenções comigo
E nós acordamos mal
Com as coisas que nós nunca pensamos que poderíamos ser.

Não sou eu quem te corrompeu
Não sou eu quem você deve temer
Acorde e se mova querida
Eu penso que perdi você em algum lugar
Mas você nunca esteve realmente ali.

E eu... Quero me libertar... Fale comigo
Eu posso sentir você caindo
E eu queria ser tudo o que você precisa
De alguma forma o agora se foi.

Eu não tenho a solução
Para essa confusão dentro de mim
E eu não fui a resposta
Então esqueça ter pensado que fui eu
E eu... Não preciso de todas as consequências do passado
Que estão entre nós
E eu não estou suportando
E todas suas mentiras não foram as suficientes para me manter aqui.


Goo Goo Dolls (Here is Gone)

A PERFEITA IMPERFEIÇÃO

Por: Diego Cosmo

Sabe-se que a perfeição é um conceito relativo, algo poderia ser perfeito pra mim e não pra você. Sendo assim, se o mundo fosse perfeito pra mim seria imperfeito pra outro, o que resultaria numa das piores mortes, a da diversidade. Já que não haveria chance de divergência do que eu não quisesse que fugisse do que eu acreditasse ser preciso para a construção de meu mundo perfeito. Todo progresso tanto tecnológico quanto intelectual seriam de uma mediocridade sem tamanho, ou melhor, do tamanho somente do meu mundo... As coisas aconteceriam para justificar o que é perfeito segundo as minhas expectativas. Minha gama de interatividade seria infinitamente reduzida, a capacidade de síntese empobrecida, não haveria surpresas e nem novidades, não teria a possibilidade de aprender o que só se aprende com as frustrações e os riscos, nem se quer haveria a possibilidade de riscos, se eu não quisesse.. Portanto, no principio, fomos salvos da perfeição sem nem mesmo sabermos que a perfeição consiste em toda essa imperfeição.

O OUTRO LADO DO MEU INTERESSE EM ESTUDAR

Por: Diego Cosmo

No caos desconfortante dos conflitos humanos desejo ser mais experiente para lidar de forma menos dolorosa com as frustrações e com o que não tenho a capacidade de prever... Essa espécie de ansiedade e minha certa obsessão quanto a obtenção de conhecimento vem, em parte, dessa carência originada em nosso esporte de tentar controlar o futuro. Uma das formas de compensar minha imaturidade juvenil é potencializando as vivências através de estudos de algumas áreas do conhecimento. Não poucas vezes, arisco dizer em última análise, que meus esforços nos estudos surjam da insegurança, raiva e talvez algum medo. Além, é claro, do grande prazer que tenho em expandir horizontes. Quero aqui dizer do outro lado que acredito existir por detrás desses esforços interessantes. O que me parece caracterizar esse texto como uma espécie de desabafo. No final das contas sei que nunca deixarei essa obsessão, porque não é um fim em si e sim um meio para as demais perspectivas... Boa sorte pra mim...

12 de outubro de 2013

AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO

Amar o próximo como a si mesmo encerra a totalidade dos mandamentos divinos. Aceitar esse preceito é um ato de fé; um ato decisivo, pelo qual o ser humano rompe a couraça dos impulsos, ímpetos e predileções "naturais", assume uma posição que se afasta da natureza, que é contrária a esta, e se torna o ser "não natural" que, diferentemente das feras (e, na realidade, dos anjos, como apontou Aristóteles), os seres humanos são. Aceitar o preceito do amor ao próximo é o ato de origem da humanidade, é a passagem decisiva do instinto de sobrevivência para a moralidade. Amar o próximo como se ama a si mesmo torna a sobrevivência humana diferente daquela de qualquer outra criatura viva.



Zigmunt Bauman (Amor líquido)

RELACIONAMENTO DE BOLSO

"Uma relação de bolso é a encarnação da instantaneidade e da disponibilidade."

Primeira condição: deve-se entrar no relacionamento plenamente consciente e totalmente sóbrio. Lembre-se: nada de "amor à primeira vista" aqui. Nada de apaixonar-se... Nada daquela súbita torrente de emoções que nos deixa sem fôlego e com o coração aos pulos. Nem as emoções que chamamos de "amor" nem aquelas que sobriamente descrevemos como "desejo". Não se deixe dominar nem arrebatar, e acima de tudo não deixe que lhe arranquem das mãos a calculadora. E não se permita tomar o motivo da relação em que você está para entrar por aquilo que ele não é e nem deve ser. A conveniência é a única coisa que conta, e isso é algo para uma cabeça fria, não para um coração quente (muito menos superaquecido). Quanto menor a hipoteca, menos inseguro você vai se sentir quando for exposto às flutuações do mercado imobiliário futuro; quanto menos investir no relacionamento, menos inseguro vai se sentir quando for exposto às flutuações de suas emoções futuras.

Segunda condição: mantenha-o do jeito que é. Lembre-se de que não é preciso muito tempo para que a conveniência se converta no seu oposto. Assim, não deixe o relacionamento escapar à supervisão do chefe, não lhe permita desenvolver sua lógica própria e, especialmente, adquirir direitos de propriedade - não deixe que caia do bolso, que é seu lugar. Fique alerta. Não durma no ponto. Observe atentamente até mesmo as menores mudanças naquilo que Jarvie chama de "subcorrentes emocionais" (obviamente, as emoções tendem a se transformar em "subcorrentes" quando deixadas livres das amarras do cálculo). Se notar alguma coisa que você não negociou e para a qual não liga, saiba que "é hora de seguir adiante". É o tráfego que sustenta todo o prazer.

Mantenha o bolso livre e preparado. Logo vai precisar pôr alguma coisa nele e - cruze os dedos - você vai conseguir...


Zigmunt Bauman (Amor Líquido)

26 de setembro de 2013

NÃO DEVERIA SE CHAMAR AMOR

O Amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar Amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar Amor
Poderia se chamar nuvem
Pois muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca assisti antes
Poderia se chamar labirinto
Pois sinto que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia se chamar universo
Porque nunca o entenderei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo


Jorge Vercillo

AMAR É SER VULNERÁVEL

Para Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração será torcido e possivelmente quebrado. Se você quer ter a certeza de mantê-lo intacto você deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em volta com passatempos e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento tranque-lo seguro no caixão, no caixão do seu egoísmo, mas naquele caixão, seguro, escuro, imóvel, sem ar, ele vai mudar não vai ser quebrado; ele vai se tornar inquebrável, impenetrável, irredimível. amar é ser vulnerável...


C.S. Lewis

10 de setembro de 2013

POR UMA DEMOCRACIA ALÉM DO VERDE E DO CONCRETO

Por: Diego Cosmo
Segue abaixo um texto referente a ação dos manifestantes em relação a possível construção dos viadutos em uma determinada área do Parque do Cocó e em seguida minha replica:

Vivemos um momento no qual mobilizar e protestar é a tônica. A defesa do meio-ambiente é, em muitos casos, uma boa vitrine para a aparição na mídia televisiva. Algumas pessoas sabendo disso, e tendo anseios não tão ambientalistas, se aproveitam das oportunidades. Esses "pseudo-ambientalistas" são capazes de, através de estratégias bem montadas, levar muitos cidadãos de boa fé e ambientalistas desinteressados ideologicamente, a serem seus marqueteiros subservientes, aproveitando-se destes para que se mantenham aparecendo na mídia, em seus cargos, com suas projeções, enfim, se mantendo em evidência. Evidência esta que lhes deve trazer retornos interessantes...


Presenciamos mais uma vez e, de novo, sem reação, a ação desses demago-ambientalistas em "defesa" da área de preservação do Cocó, desta feita por conta da derrubada de árvores na Santana Júnior, no final da Antônio Sales. Essa "defesa" como de costume, mobilizou pessoas sinceras a engajar-se nas ações pelos demago-ambientalistas orquestradas. Esses protagonistas e seus coadjuvantes, são capazes até de literalmente chorar por causa da agressão ao meio-ambiente. As ações deles são EGOístas e apenas buscam interesses próprios, já que eles não fazem nada, nem mobilizam ninguém em defesa do Cocó, quando este se afasta dos bairros da área leste da cidade.



Há mais de 30 anos multidões de pessoas lançam diariamente todo tipo de dejetos e poluentes no mesmo rio Cocó, nos bairros de Alto da Balança, Aerolância, Jardim das Oliveiras, Dias Macêdo, Mata Galinha, Cajazeiras, Barroso e José Walter, e NENHUM destes pseudo-demago-ambientalistas midiáticos lembra do rio. Mostram assim que não são ambientalista coisa nenhuma. Ambientalistas seriam se cuidassem do meio ambiente, principalmente nas grandes áreas pobres de nossa Fortaleza. Nem se quer lembram dos pobres destas áreas degradadas às margens do rio Cocó, mas somente de aparecer quando alguma coisa acontece pontualmente no lado "nobre" do rio. As agressões graves, contínuas e antigas no Rio Cocó, naqueles bairros, NÃO INTERESSAM A ELES. Lá se pode continuar agredindo e poluindo. Desaparece o cuidado com o meio ambiente.



Esses predadores são vorazes e não medem consequências para aparecerem; se fosse possível ateariam fogo no Rio Cocó, só para ajudarem a apagá-lo e terem holofotes sobre si. Esses tais não são dignos de levantar a faixa "SALVE O COCÓ".


"Autor desconhecido"


Replica:

OPORTUNISMO:
É uma boa tônica a que temos hoje materializada nos protestos e não é à toa, diria até inevitável. Além de qualquer interesse na mídia dos que protestam, de fato, há a pura insatisfação da maioria, o que torna natural o efeito de protesto independente de qualquer meio de comunicação. Apesar do possível interesse nos holofotes de qualquer uma das partes é do próprio interesse da mídia divulgar os dois lados da moeda, portando a imprensa estaria lá de um jeito ou de outro.

OBS: Quanto a mídia independente/alternativa que por sinal deu o que falar nos últimos tempos, vi e não foi só uma vez a polícia danificar câmeras, aprenderem celulares ou apagarem as filmagens recentes que os indivíduos gravavam da ação da própria polícia. Pra entender o motivo deixo a cargo do esforço intelectual de cada um...

É suspeito falar de mídia nesse caso porque a política não é e não tem sido referência digna nisso. Tudo é uma questão de percepção e a maioria faz um uso vergonhoso disso para conseguir se eleger. Basicamente a lógica é: "os fins justificam os meios", e é porque chamamos todo esse paradigma de democracia.

Imaginemos construir em uma campanha política uma imagem positiva se valendo de todo o aparato do marketing, publicidade e meios midiáticos para construir na percepção de uma boa parcela da sociedade, que é culturalmente/intelectualmente carente, uma determinada imagem positiva. Oportunista? Sim... Sem falar do apoio de corporações que acabam por corromper os ideais democráticos. Uma empresa que investe em campanha política investe por interesse próprio, até então normal, quem investe quer retorno mas em termos de Estado democrático é predispor a corrupção pois os interesses duma empresa em geral não tem relação direta com o povo, claro que podem haver benefícios, porém a gestão fica comprometida e potencialmente mais vinculada a uma minoria. Portanto não digo que sou completamente contra ou a favor, depende, mas quando o Estado chega a ter menos poder e direitos que as corporações as ações tendem a ser cada vez mais voltadas a uma elite e é o que tem acontecido...

Na Copa das Confederações ficou explícito que houve a quebra nada mais nada menos do que uma cláusula pétrea de nossa constituição, entre outros direitos. No caso das manifestações o nosso direito de ir e vir foi completamente negligenciado e isso só para se ter noção do quanto nosso sistema democrático pode ser comprometida por gente de fora, no caso da C.D.C a Fifa simplesmente mandou na gente e isso é o Estado se apequenar em frente as corporações.

Mas em se tratando de oportunismo, além de tudo, ter como dívida de campanha política com construtoras a construção de algo que não favorece e até, em sua gestão, desrespeita a maioria é pra começo de historia [1] uma falta do Estado com sua função essencial e é [2] ser tão oportunista quanto esses que teoricamente protestam somente pelos holofotes. Em resumo, na melhor das hipóteses, há oportunista falando de oportunista, o que não torna nenhum melhor do que o outro.


IDEOLOGIA:
Ao ver spray de pimenta, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, cassetete, bala de borracha e a "chinela cantando" a torto e a direito, teria no mínimo grandes dúvidas ao concluir que quem permanece ali são pseudo-ambientalistas. O termo "pseudo" implica referir-se a algo de caráter falso/mentiroso, mas creio que não há postura falsa que resista a tamanha repressão como o de quem está ali já sofreu. Portanto, concluo que essa galera está longe de ser desinteressada ideologicamente como foi dito, inclusive a capacidade de chorar revela a integridade para com a forma de perceberem tudo aquilo. Se não fosse por ideologia já teriam cedido na primeira investida truculenta da policia.

OBS: Que por sinal sobra até pra quem não manifesta. Eu mesmo vivenciei e vi gente idosa e bebê passando mal dentro da própria casa por conta do gás lacrimogêneo que eram jogados na rua, até de cima do helicóptero. Lembro bem ao entrar em casa e ver meus irmãos e minha mãe tossindo e a lacrimejar pela ardência gerada pelo gás e é porque nem tiraram a bunda do sofá. Tenho a certeza também que essa polícia não puxa o gatilho sozinho. O buraco é mais embaixo, a má gestão tem suas raízes iniciadas nos palácios...

Se não há ambientalista em todas as instâncias do Cocó para mobilizar as pessoas a fazer algo, partindo do pressuposto que realmente não há outras pessoas nessas outras áreas, particularmente acho mais inteligente que as pessoas se concentrem em um local em prol de uma determinada causa, enfim é uma reivindicação de muitos, é importante se juntarem. Mas se mesmo isso faz delas pessoas egoístas que só visam o interesse próprio, o que dizer do governo e as ações que tem tomado? De que caráter seriam tais articulações? O Estado não tem sido para o povo, a polícia não tem sido para o povo. Temos uma polícia que abusa do poder para atender a interesses do governo e não para atender a cidadãos, assim uma política que favorece uma elite. Basta olhar somente para educação, saúde e segurança para já percebermos também que existem faltas de magnitude mais desastrosas nessas áreas do que a falta de ambientalistas em outras áreas do Cocó, logo o Estado não tem sido Estado coisa nenhuma. Estado seria se cuidasse do que tem que cuidar, as pessoas.

Mas atentemos para um lado importante dessa questão: quem protesta não tem obrigação de protestar, já o Estado por definição tem a OBRIGAÇÃO de ser em prol do povo, inclusive de quem não tem aonde lançar seus dejetos. O que dizer duma política que negligência tanto os direitos dos cidadãos que nem se quer considera a primeira linha da constituição brasileira que diz "TODO PODER EMANA DO POVO"? Inevitável não concluir, em se tratando de ideologia, que essa gestão é que tem sido uma grande farsa.

A título de informação, sobre a galera que solta seus dejetos em qualquer rio que seja, vale ler um trecho da "DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS  DIREITOS HUMANOS":

"Artigo XXII - Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade".

Sabemos que não é por preferência, convenhamos que quem não tem onde defecar é carente de muitas outras necessidades básicas e olha que se trata de multidões, como foi dito.. E sabemos também que não é nenhum ambientalista que deveria se articular pra resolver esse problema...



NO FINAL DAS CONTAS:
Comparando a ação dos manifestos/protestos de um lado e a gestão governamental do outro, diante de tanta incoerência/negligência por parte do Governo/Estado eu não poderia apoiar tal gestão. Embora eu não seja ambientalista, reconheço a importância dos cuidados que devemos ter por aqui, dado que realmente não pensamos em termos de finitude... Mas defendo a bandeira da liberdade e da justiça mais do que os que, teoricamente, deveriam me representar. Não levantaria a bandeira "SALVE O COCÓ" mas primeiramente levantaria a bandeira "SALVE A DEMOCRACIA", nisso teria dignidade pois sei que quem cuida da gestão da cidade não tem moral nenhuma para ditar o que é certo ou errado no que diz respeito a democracia, a manifestação, os direitos civis, os direitos humanos entre outras coisas.. Muito menos impor seus interesses para a sociedade como se tem feito a bem mais do que 30 anos...

Para concluir, nego a filosofia maquiavélica, os fins NÃO justificam os meios porque apesar de qualquer coisa a forma de se chegar ao destino é demasiadamente mais importante do que o próprio destino em si.


Diego Cosmo

4 de setembro de 2013

POR QUE A MAIORIA DAS EMPRESAS BRASILEIRAS NÃO ENRIQUECE?

O Brasil não pratica seu capitalismo nem na constituição, nem no comportamento social. Não vi nenhuma eleição com valores capitalistas vencer. Os discursos são sempre de combate a pobreza, redução da desigualdade social, melhoramento dos serviços públicos e para todos os brasileiros (principalmente os pobres) – estes são valores socialistas. Tá, eu sei que a prática não condiz, mas nos atenhamos aos discursos que vencem, ou seja, são os valores aceitos pela prática social.

Não há capitalismo sem capital. Ele é o centro motor do modelo. Parece óbvio, mas na prática não. Já prestei consultoria a diversas empresas e as fiz crescer consideravelmente com uma simples mudança de perspectiva (mergulhando no capitalismo). A principal representação do capitalismo está nos bancos. Falar dos bancos é falar, não das maiores empresas, mas dos maiores lucros do mundo.

O Google é a marca mais valiosa do mundo, vale U$ 172 BILHÕES? Isso só vale aos bancos. A Microsoft está avaliada em centenas de bilhões de dólares? Só interessa aos bancos. E qual o negócio dos bancos? Dinheiro (o capital).

Portanto, se é tão óbvio que o principal e maior valor do capitalismo é o capital, então, porque a maioria das empresas insiste em vender produtos/serviços?! Calma. A saída não é fechar sua empresa e abrir um banco, mas vender dinheiro/capital através de qualquer produto ou serviço.

Trata-se de uma mudança de perspectiva. Restaurantes que vendem comida, ganham menos do que restaurantes que vendem entretenimento através da comida (uma maneira de vender capital é trazer a idéia de que o dinheiro está rendendo – não é isso que os bancos fazem com suas aplicações?)

Vi listas telefônicas e jornais de bairro vender anúncios, e sofrem para vender – falta empresa para tanto espaço. Mas, quem vende retorno, resultado e lucro (vende capital) vende fácil – falta espaço para tanta empresa.

Essa é a lógica dos agiotas, dos bingos, jogos de azar, etc. A mega sena oferece milhões, mas fatura muitos mais na ilusão de transformar R$ 1,50 em R$ 5 MILHÕES. Quando, na verdade, transforma 50 milhões em 5. Aí fica fácil, né? Doce ilusão capitalista que encanta e seduz.

Quando você olha por essa óptica, tudo muda de sentido. Promoções ganham uma outra perspectiva, liquidações, datas festivas, tudo muda.

A maioria das empresas brasileiras não enriquece, porque vende produtos.


21 de agosto de 2013

PERCEPÇÃO É TUDO

"O seu relacionamento com os clientes não tem por base a realidade, mas a percepção."

"Vender muito requer uma transfusão de alegria ao cliente. Ele precisa dela."

"Em vez de ser rainha do lar a mulher moderna transformou-se em sócio contribuinte."

"As pessoas fazem as coisas mais pelas sensações que experimentam enquanto as estão fazendo do que pelo dinheiro que ganham."

"Quando se tem uma causa a adesão das pessoas torna-se mais forte."

"Muitas das grandes empresas do mundo são resultado do sonho de algum insensato."

"Uma das necessidades menos evidentes é a necessidade de ser bem tratado."


Julio Ribeiro

9 de agosto de 2013

AMAR É COISA DE CRIANÇA

Por: Diego Cosmo

Maturidade no amor? Não há... Amar é justamente a capacidade de chorar feito menino. É essência que cresce da brincadeira, da sinceridade cuidadosa, aquela que sabe falar sem cortar a carne... Não se articula com uma das propostas incertas do tempo, a maturidade. É vento como a vida, frágil como a verdade. Carente de cuidado como a criança. Mas cheio de verdades que nos impulsionam. Para o bem, para o mal... Ingenuidade nem sempre é ausente de maldade, o que é tão ruim quanto o desleixo, quem ama tem pressa! Já viu menino fazendo birra por brinquedo? Poise... Mas besteira mesmo é pensar que ao se manifestar em nossa alma não poderá vir a ter consequências desastrosas...

Gera dependência, olha quanta disparidade em frente ao ensaio da maturidade em nos fazer independentes, onde já se viu algo maduro ser agonizantemente dependente como um amante de sua amada? Uma pista foi dada ao anunciarem que o Reino é das crianças. Amar é sentimento ingênuo por natureza, já nascemos recebendo isso, para isso, as vezes fruto disso e logo estamos amando, é o princípio de tudo, até reza, ou ora, os santos na nossa precária teologia... Enfim, seria outra coisa se não fossem assim. Uma pitada de coisa ilógica e por isso inconsequente em sua índole. Um risco típico dos artistas, mas quem nunca foi vítima? Apesar dos pesares, quem ainda não foi, não há porque se vangloriar. Porque é isso mesmo... Me lasco, me dano, me arrebento todo mas eternizo-me, poemizo-me, ardo-me e Sou como nunca fui antes... Apesar de tudo, tudo e tudo, viveria tudo outra vez para sempre contigo, meu amor...

LINKS PP (VOL. 11)

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Peter Diamond (ilustrador)
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8 de agosto de 2013

COPA PRA QUEM MESMO?



Carla Dauden

UMA RESPOSTA AO DOGMATISMO RELIGIOSO



Jean Wyllys

MOVIMENTO DE CORES

Concluí que a monogamia, na minha cultura, é a evolução máxima do relacionamento interpessoal amoroso. Explico, do meu jeito.

1º Movimento: Freud

O primeiro pensador a sacar que “tudo é sexo”. Sei que para algumas pessoas isso pode chocar um pouco por ser radical. Mas vamos levar essa premissa às últimas instâncias e vamos ver no que dá. No almoço eu pego dois talos de brócolis, mesmo sem gostar. Todo dia penso que devo ir à academia. Sempre que passo na frente de uma vitrine procuro uma roupa bonita. Me imagino dirigindo grandes máquinas, tendo o respeito das pessoas. Ok, até aqui tudo normal. Mas, e se eu vivesse numa ilha isolada onde só quem existisse fossem meus 3 melhores amigos e eu? Sem mulher nenhuma, mas com as mesmas ofertas de comida e consumismos atuais. O que aconteceria?

O que aconteceria é que em um ano eu estaria gordo, barbudo, pobre e com taxas bovinas de colesterol. Com meus amigos apenas, a lógica seria outra. Veríamos todos os jogos, tocaríamos todas as músicas e perambularíamos selvagens por aí entre brigas bobas e abraços. Se hoje eu tento comer certo, é porque quero estar saudável para chamar a atenção de alguém. Quero, ou preciso ser atraente (prova disso é que pessoas casadas frequentemente engordam, pois de repente essa “não é mais uma grande preocupação”). Se quero estar bonito nas roupas é para ficar vistoso ao meu par, ao outro que desejo pra mim (a mesma lógica dos pavões, leões e canários). Conquistar alguém, manter alguém interessado, ter um parceiro são necessidades do ser vivo animal. Se preparar para esta missão é o desafio da evolução, pois é pré-requisito para a perpetuação do mesmo, e a perpetuação só vem pelo Sexo.

2º Movimento: Friedrich Nietzsche

Dizia que “Todo amor é amor próprio”. Ousado, mas não é preciso concordar completamente com essa premissa para aceitar a existência e grande influência deste amor. Olha só: Um homem prepara um jantar diferente, compra flores, limpa a casa, abre um vinho especial e escolhe uma bela roupa. A mulher chega e adora verdadeiramente tudo aquilo, mas não exterioriza. Embora internamente derretida de amores, externamente ela entra, senta e conversa normalmente enquanto come. Mesmo que o objetivo primo tenha sido alcançado, a noite não foi bonita, mas incompleta e unilateral. O que entendo é que nosso amigo “niilista” quer nos atentar para o fato de que quando damos uma rosa, também queremos ser retribuídos com uma certa “festa de agradecimento”. Um jantar à luz de velas, uma doação de brinquedos, um agrado fora de hora, um favor a um desconhecido, uma concessão na fila ou mesmo ao abrir um pote de palmito... Tudo tem como boa parte da motivação do ato, o amor próprio. Queremos nos reconhecer como alguém passível de Admiração. Queremos receber, e muitas vezes é por isso que damos. Parece feio e pequeno pensar assim, mas é humano e instintivo. E em nada diminui o ato, pois a vontade de agradar o outro é real e também forte.

Na cultura pós-moderna-ocidental em que vivo, o sentido da maioria das ações de um relacionamento é do homem para a mulher. É de bom tom que o homem que dê a flor, que ele a peça em namoro, que ele a chame para sair, que ela não peça, mas seja surpreendida com o pedido de casamento. No sexo isso é potencializado. O apelo subliminar é que o homem “aguente” tempo suficiente até que a mulher chegue ao orgasmo, e não que a mulher consiga “se acelerar” para chegar ao ápice com o companheiro. Homens raramente tem posições preferidas, por exemplo. O que eles querem é que a mulher mostre o que eles devem fazer para que elas fiquem loucas. Isso sacia eles, pois no fundo pensam “olha o que eu estou fazendo com ela”. Amor próprio, também.

E aqui eu encaixo Nietzsche: Num relacionamento longo existe tempo suficiente para que isso não necessariamente se inverta, mas se equilibre. Em todos os casais que observei para este texto, a mulher elegantemente se permitiu por vezes ser a que oferece o agrado. Abdicou de maneira gratuita o posto de “foco-absoluto” e fez-se remetente. Permitiu o amor próprio do homem ser saciado. É lindo demais! Isso só pode acontecer em um relacionamento não-curto, até por falta de tempo para que todas essas fases aconteçam.

3º Movimento: Frank Sinatra

Um dos homens mais “pegadores” de mulheres que já passou pela Terra. Com mais de 64 namoradas, sendo muitas delas famosas como Lana Turner, Virginia Mayo, Marilyn Maxwell e Ava Gardner, este “chefe dos escorpiões” nunca passou muitas primaveras com a mesma mulher, nem mesmo com Barbara Marx, mulher com quem findou seus dias. Ponto delicado: Um homem que teve apenas uma mulher na vida pode saber menos de mulheres que um cara que teve 64 “namoricos”. Mas este mesmo “pegador” não sabe nada a mais do que um homem normal que tenha se relacionado com suficientes 7 mulheres, por exemplo. Entende? Chega uma hora que para novos desafios é preciso viver diferentes formatos de relacionamentos, curtos e longos. Por esta lógica, conheço homens de 40 anos que nunca chegaram perto de terem tantas mulheres, mas são muito mais “mestres” no assunto do que o agora pequeno Frank. Hoje vejo Sinatra como um homem que morreu sem saber o que é escrever uma longa história com alguém, e envelhecer com este alguém. Ele nunca ouviu “passei mais tempo da minha vida ao seu lado do que longe de ti”. A “vasta experimentação de muitos” é uma fase popular, conveniente e até esperada num período segmentado de tempo, mas tem seus prazeres limitados e escreve histórias só até a página 2.

4º Movimento: “Fator Pós" 

Esta é a ferramenta que eu inventei para ajudar o homem a saber o que ele realmente sente pela mulher com quem está tendo um caso. Se você for mulher não leia isso. Todos os pensamentos masculinos se encaixam em duas grandes esferas, “SEXO” e “O RESTO”. “O Resto” não quer dizer que tem menos importância, apenas diz que não tem nada a ver com sexo. Simples assim. Mas este primeiro grupo de coisas tem um poder absurdo de influência no segundo, e faz o homem se confundir várias vezes em questões básicas. O Sexo age como uma neblina dificultando a nitidez do Resto das coisas. Numa situação normal (onde o lado viril vence com 80% da (i)racionalidade) o indivíduo masculino está perdido. Mas existe um momento em que o macho está 100% lúcido, livre de qualquer sombra ou nuvem hormonal que venha atrapalhar seu discernimento e conduta. São aqueles 10 minutos imediatamente seguintes ao clímax sexual. Aquele momento onde o mundo outrora parado começa vagarosamente a voltar ao normal. Aquele momento em que a consciência gradativamente se aproxima e o apetite físico está à ZERO.

Neste momento usa-se apenas o lado Resto do cérebro, existe lucidez! A vontade do corpo está vazia e é então que fica apenas o sentimento puro; quando existe algo de sentimento. Se existe Amor O Pós é lindo. Ela deita no peito dele e o que segue é uma extensão do apogeu. Na falta do Amor, a vontade é que ela vire algo como uma pizza, por exemplo. Faz-se as contas das horas gastas, da gasolina, das despesas e tudo mais. É o inferno na Terra. Mulheres de uma noite são aquelas que queremos que virem um x-burguer e uma coca-cola no Pós. Mulheres levadas à sério permitem uma nova experiência, o alongamento do gozo. Algo que o Sinatra talvez não tenha conhecido.

5º Movimento: “Fator Cézar”

É como chamo a frase “À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta” que parafraseei nesta minha tese como “Não basta ser fiel, é preciso parecer fiel”. Conheço homens que me juraram de mãos juntas que jamais traíram suas companheiras. Todavia, a mulher e seus amigos não acreditam. Ao meu ver isso acontece porque embora possam ser realmente honestos e fieis, não abdicaram do personagem “garanhão”, que muito massageia o ego. Por conseguinte, a credibilidade fica abalada pois, mesmo jurando “céu e Terra”, não agem como tal. A dificuldade aqui é tornar-se publicamente apaixonado, sabidamente percorrido pelo Amor, despidamente “vencido”. Adotar este posicionamento exige trabalhar o orgulho, o ego e até mesmo a inteireza no relacionamento. Fazer-se entender por fiel é dar um passo além no caminho da evolução interpessoal amorosa , pois envolve resolver problemas com autoestima, autoafirmação e segurança de ser, é coisa de Homem.

Porque reconheço que como legumes e passo filtro solar na categoria de Homem visionário e esperançoso; porque sei da minha condição de Guerra e Paz com meu amor próprio; porque já cantei muito Sinatra no chuveiro; porque aprecio a calmaria das sobremesas e por adorar as estórias de Roma, por tudo isso opto por seguir com uma mulher só, por um caminho longo.

A TEORIA DE MOTIVAÇÃO DE MASLOW


Entre as diversas atividades realizadas pelo Gerente de Projetos, a motivação da equipe é uma que nem sempre recebe a atenção devida. Gerentes menos experientes se voltam excessivamente para as atividades mais técnicas para obter resultados rápidos, e se esquecem que as tarefas são (normalmente) executadas por pessoas, que podem ter seus próprios critérios e prioridades.

Existem várias teorias para a motivação, e uma das mais aplicadas é a de Maslow. Abraham Maslow (1908-1970) foi um psicólogo americano, considerando o pai do humanismo na psicologia. De acordo com esta teoria, o ser humano possui diversas necessidades que podem ser separadas em categorias hierarquizadas. Para motivar uma pessoa, você deve identificar qual é a categoria mais baixa na qual ela tem uma necessidade, e suprir esta necessidades antes de pensar em outras em categorias mais altas. Estas categorias são normalmente apresentadas na forma de uma pirâmide:


Necessidades Fisiológicas: São relacionadas às necessidades do organismo, e são a principal prioridade do ser humano. Entre elas estão respirar e se alimentar. Sem estas necessidades supridas, as pessoas sentirão dor e desconforto e ficarão doentes.



Necessidades de Segurança: Envolve a estabilidade básica que o ser humano deseja ter. Por exemplo, segurança física (contra a violência), segurança de recursos financeiros, segurança da família e de saúde.



Necessidades Sociais: Com as duas primeiras categorias supridas, passa-se a ter necessidades relacionadas à atividade social, como amizades, aceitação social, suporte familiar e amor.



Necessidades de Status e Estima: Todos gostam de ser respeitados e bem vistos. Este é o passo seguinte na hierarquia de necessidades: ser reconhecido como uma pessoa competente e respeitada. Em alguns casos leva a exageros como arrogância e complexo de superioridade.



Necessidade de Auto Realização: É uma necessidade instintiva do ser humano. Todos gostam de sentir que estão fazendo o melhor com suas habilidades e superando desafios. As pessoas neste nível de necessidades gostam de resolver problemas, possuem um senso de moralidade e gostam de ajudar aos outros. Suprir esta necessidade equivale a atingir o mais alto potencial da pessoa.


O líder que conhece bem sua equipe saberá identificar quais são as necessidades de cada um e poderá aplicar os meios de motivação adequados. Por exemplo, se uma pessoa está passando por grandes dificuldades financeiras e a estabilidade de sua família está em risco, não adianta tentar motivá-lo dizendo que seu caso de sucesso será publicado no jornal da empresa. Da mesma forma, um profissional que está no auge de sua carreira e em alta evidência na organização não se entusiasmará muito com a ideia de uma pequena mudança em seu plano de saúde que envolva alguns benefícios adicionais.

O gerente de projeto tem a responsabilidade de fazer um planejamento adequado dos recursos humanos no projeto. Isto envolve desde identificar os que podem trazer os melhores resultados para o projeto, conhecer a realidade de cada um e encontrar as formas corretas de motivá-los para a obtenção de resultados.


Fonte: ogerente.com

6 de julho de 2013

FALA DO HOMEM NASCIDO

"Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no ato de que nasci
Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr
Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham
Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu
Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
rumo à estrela polar."


António Gedeão

MANIFESTO EM FAVOR DO NOVO

Alguns temem o novo
Porque ele ameaça o estabelecido, contesta as convenções
Desafia as regras
Alguns evitam o novo
Porque ele traz insegurança, estimula o experimento,
convida à reflexão
Alguns fogem do novo
Porque ele nos retira da confortável posição de autoridades
E nos obriga a reaprender
Alguns zombam do novo
Porque ele é frágil, não foi consagrado pelo uso
Mas essas pessoas se esquecem que tudo o que hoje é consagrado
Um dia já foi novo
Alguns combatem o novo
Porque ele contrária interesses, desafia os paradigmas,
não respeita o ego, despreza o status quo
Mas tudo isso é inútil
Porque a história da humanidade mostra
Que o novo sempre vem
Por isso, recicle seus pensamentos, reveja seus pontos de vista
Atualize suas fórmulas, seus métodos, suas armas
Senão você será sempre uma grande profissional
Um sujeito muito preparado para lutar numa guerra que já passou


Carlos Domingos

28 de junho de 2013

AS MULTIDÕES NAS RUAS: COMO INTERPRETAR?

Um espírito de insurreição de massas humanas está varrendo o mundo todo, ocupando o único espaço que lhes restou: as ruas e as praças. O movimento está apenas começando: primeiro no norte da África, depois na Espanha com os “indignados”, na Inglaterra e nos USA com os “occupies” e no Brasil com a juventude e outros movimentos sociais.    Ninguém se reporta às clássicas bandeirtas do socialismo, das esquerdas, de algum partido libertador ou da revolução. Todas estas propostas ou se esgotaram ou não oferecem o fascínio suficiente para mover as massas. Agora são temas ligados à vida concreta do cidadão: democracia participativa, trabalho para todos, direitos humanos pessoais e sociais, presença ativa das mulheres, transparência na coisa pública, clara rejeição a todo tipo de corrupção, um novo mundo possível e necessário. Ninguém se sente representado pelos poderes instituídos que geraram um mundo politico palaciano, de costas para o povo ou manipulando diretamente os cidadãos.

Representa um desafio para qualquer analista interpretar tal fenômeno. Não basta a razão pura; tem que ser uma razão holística que incorpora outras formas de inteligência, dados aracionais, emocionais e arquetípicos e emergências, próprias do processo histórico e mesmo da cosmogênese. Só assim teremos um quadro mais ou menos abrangente que faça justiça à singularidade do fenômeno.

Antes de mais nada, importa reconhecer que é o primeiro grande evento, fruto de uma nova fase da comunicação humana, esta totalmente aberta, de uma democracia em grau zero que se expressa pelas redes sociais. Cada cidadão pode sair do anonimato, dizer sua palavra, encontrar seus interlocutores, organizar grupos e encontros, formular uma bandeira e sair à rua. De repende, formam-se redes de redes que movimentam milhares de pessoas para além dos limites do espaço e do tempo. Esse fenômeno precisa ser analisado de forma acurada porque pode representar um salto civilizatório que definirá um rumo novo à história, não só de um país mas de toda a humanidade. As manifestações do Brasil provocaram manifestações de solidariedade em dezenas e dezenas de outras cidades no mundo, especialmente na Europa. De repente o Brasil não é mais só dos brasileiros. É uma porção da humanidade que se indentifica como espécie, numa mesma Casa Comum, ao redor de causas coletivas e universais.

Por que tais movimentos massivos irromperam no Brasil agora? Muita são as razões. Atenho-me apenas a uma. E voltarei a outras em outra ocasião.

Meu sentimento do mundo me diz que, em primeiro lugar, se trata de um efeito de saturação: o povo se saturou com o tipo de política que está sendo praticada no Brasil, inclusive pelas cúpulas do PT (resguardo as políticas municipais do PT que ainda guardam o antigo fervor popular). O povo se beneficiou dos programas da bolsa família, da luz para todos, da minha casa minha vida, do crédito consignado; ingressou na sociedade de consumo. E agora o que? Bem dizia o poeta cubano Ricardo Retamar: “o ser humano possui duas fomes: uma de pão que é saciável; e outra de beleza que é insaciável”. Sob beleza se entende educação, cultura, reconhecimento da dignidade humana e dos direitos pessoais e sociais como  saúde com qualidade minima e transporte menos desumano.

Essa segunda fome não foi atendida adequadamente pelo poder publico seja do PT ou de outros partidos. Os que mataram sua fome, querem ver atendidas outras fomes, não em ultimo lugar, a fome de cultura e de participação. Avulta a consciência das profundas desigualdades sociais  que é o grande estigma da sociedade brasileira. Esse fenômeno se torna mais e mais intolerável na medida em que cresce a consciência de cidadania e de democracia real. Uma democracia em sociedades profundamente desiguais como a nossa, é meramente formal, praticada apenas no ato de votar (que no fundo é o poder escolher o seu “ditador” a cada quatro anos, porque o candidato uma vez eleito, dá as costas ao povo e pratica a política palaciana dos partidos). Ela se mostra como uma farsa coletiva. Essa farsa está sendo desmascarada. As massas querem estar presentes nas decisões dos grandes projetos que as afetam e que não são consultadas para nada. Nem falemos dos indígenas cujas terras são sequestradas para o agronegócio ou para a indústria das hidrelétricas.

Esse fato das multidões nas ruas me faz lembrar a peça teatral de Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes escrita em 1975:”A Gota d’água”. Atingiu-se agora a gota d’água que fez transbordar o copo. Os autores de alguma forma intuiram o atual fenômeno ao dizerem no prefácio da peça em forma de livro: “O fundamental é que a vida brasileira possa, novamente, ser devolvida, nos palcos, ao público brasileiro…Nossa tragédia é uma tragédia da vida brasileira”. Ora, esta tragédia é denunciada pelas massas que gritam nas ruas. Esse Brasil que temos não é para nós; ele não nos inclui no pacto social que sempre garante a parte de leão para as elites. Querem um Brasil brasileiro, onde o povo conta e quer contribuir para uma refundação do pais, sobre outras bases mais democrático-participativas, mais éticas e com formas menos malvadas de relação social.

Esse grito não pode deixar de ser escutado, interpretado e seguido. A política poderá ser outra daqui para frente.


Leonardo Boff

25 de junho de 2013

AINDA QUE MAL...

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.


Carlos Drummond de Andrade

SOBRE LIBERDADE

Por: Diego Cosmo

Num sonho não muito distante minha mãe se aproximava de mim e soltava as seguintes palavras: "Meu filho, eu queria pedir uma coisa pra você, queria que você aceitasse Jesus, ele está voltando logo, você vai ao culto, fulano de tal e não sei quem fará uma oração com você ETC..." Imediatamente me recusava a topar tal treta dizendo coisas como: "Não tem a menor condição, não estou desviado... Não vejo as coisas assim, meu Deus nem se quer depende de religião ou reconhecimento, religião é coisa dos homens etc.." Logo percebi que provoquei chateação nela, ficou com uma certa raiva e aflita ao mesmo tempo. Então fiquei mal comigo mesmo, embora não tenha sido grosseiro no tom de falar, pensar que ela passaria os próximos dias aflita por achar que Jesus voltaria e eu, seu filho, supostamente ficaria, não me foi bom... Me senti desconfortável, desconfortável ao ponto de pensar que poderia ir aceitar a jesus como ela queria para que ela não ficasse preocupada com isso.

A ideia de liberdade me assaltou quando já estava em estado semi-consciente, acordando... E então, estaria comprometendo minha liberdade ao ceder o pedido dela? A tristeza em vê-la aflita em frente a minha recusa seria liberdade? Seria o preço da liberdade? E se liberdade tem preço, isso ainda é liberdade? Será que, como diz Fernando Pessoa, a renúncia é a libertação, e não querer é poder?

15 de junho de 2013

ARNALDO JABOR, LULA E DILMA

Adriana Negreiros: Quando esta entrevista for publicada, as eleições provavelmente já estarão definidas.

Jabor: Já vamos ter a Dilma tomando conta da nossa vida.

Adriana Negreiros: Existe uma diferença considerável em ter uma mulher presidente em vez de um homem?

Jabor: Nenhuma. A diferença não é de sexo, é de preparo. O Lula é um homem extremamente carismático e tem uma experiência política espantosa. Talvez seja o político mais esperto do Brasil, um dos maiores atores do mundo. E ele resolver fazer um terceiro mandato por intermédio de uma representante que ele inventou. A Dilma não tem competência nenhuma. Mas eu acho que - eu vou dizer uma frase absolutamente hipotética, eu posso estar enganado - inconscientemente Lula preferiu uma mulher na Presidência por uma questão machista de controle. Eu não sei se ele teria posto um homem mais culto, mais inteligente e tão forte quanto ele para sucedê-lo. É uma coisa parecida com o que o Fernando Collor de Melo fez botando aquela senhora [Zélia Cardoso] para dirigir a economia brasileira. É um pouco de machismo, "mulher a gente controla". Mas as pessoas que estão em torno da Dilma me preocupam mais do que ela própria - com exceção de Antônio Palocci [ex-ministro da Fazenda e coordenador da campanha de Dilma], que é um homem sensato.

Adriana Negreiros: Como assim?

Jabor: O que eu temo é que teses e posturas ideológicas e políticas de 40, 50 anos atrás voltem para a pauta brasileira de uma forma absolutamente arcaica. Essas pessoas que acompanham a Dilma se consideram superiores e acham que podem ditar os rumos da sociedade. Pode haver uma união muito estranha do clientelismo típico do PMDB com o sovietismo. Imagina um Stalin [líder soviético, morto em 1953] misturado com José Sarney [presidente do senado]? Esse é o perigo que nós corremos.

Adriana Negreiros: Quem seria o Stalin do governo?

Jabor: O pensamento da maioria das pessoas que estão em volta da Dilma tem ecos stalinistas. Eu conheci vários deles. Conheço o Marco Aurélio Garcia [coordenador do programa de governo da Dilma], o Samuel Pereira Guimarães [ministro de Assuntos Estratégicos]. Não é que eles sejam ainda stalinistas, mas fica uma espécie de resquício de um pensamento socialista que acabou. O perigo é essa oligarquia arcaica, reacionária e de direta representada por pessoas como Sarney e Renan Calheiros [senador] ser misturada com uma oligarquia sindicalista. A mistura dessas duas coisas é explosiva. A gente pode ter aqui não o chavismo chavista porque o Brasil é muito complexo e não comporta um canalha como o Hugo Chávez [presidente da Venezuela]. Mas pode pintar uma espécie de chavismo light.

Adriana Negreiros: Por que corremos mais esse risco com a Dilma do que com outro candidato?

Jabor: Poque a Dilma é formada dentro do marxismo-leninismo, como eu fui também. Eu conheço a cabeça da Dilma e das pessoas em volta como se fosse a palma da minha mão. Eu sei como eles pensam.

Adriana Negreiros: Como eles pensam?

Jabor: Basicamente o seguinte... "nós somos superiores à sociedade. Nós temos uma linha justa, Nós sabemos o que é bom para o mundo. Nós queremos mudar a história e o capitalismo para outra coisa. Não dá mais para fazer socialismo, mas dá para fazer umas malandragens. Nós temos de ter controle sobre a sociedade, porque a sociedade é como uma criança que precisa de direção, precisa de pai e mãe". Esse é o pensamento que a Dilma tem, por mais que ela disfarce, dê sorrisos, por mais que ela mude o penteado e diga que respeita a democracia.

Adriana Negreiros: Ela não respeita a democracia?

Jabor: Respeita, até, porque a democracia se impôs no mundo. Mas é uma aceiação em parte. Nas reuniões internas, eles chamam a democracia de "democracia burguesa". Eu me lembro uma vez do Francisco Oliveira, que é um sociólogo da USP, dizendo que a democracia é papo para enganar as massas. Eles acham que a democracia é só da burguesia e o povo não tem acesso à liberdade.

Adriana Negreiros: A oposição se comportou bem durante o governo Lula?

Jabor: Não, essa é a oposição mais vergonhosa que eu já vi na história deste país. A oposição que o PT fez ao governo Fernando Henrique foi uma das oposições mais inclementes, em que o José Dirceu [ex-deputado federal] dizia... "Temos de nos opor a absolutamente tudo o que eles dizerem, mesmo coisas boas". Então foi uma sabotagem permanente. Já a oposição do PSDB foi vergonhosa.

Adriana Negreiros: A que você atribui isso?

Jabor: Primeiro porque ficaram com medo do prestígio do Lula. Segundo porque não sabem defender nem o trabalho que fizeram. Não defenderam os oito anos do governo Fernando Henrique, que foram fundamentais na vida brasileira. Não defenderam nem o Plano Real, nem as privatizações, nem a Lei de Responsabilidade Fiscal, nem a redução da dívida externa, nem a consolidação da dívida interna, nada. A população não sabe qual é a opção à Dilma. É uma população muito ignorante, que serve a desígnios populistas. É bom para os populistas que as pessoas sejam analfabetas.

Adriana Negreiros: Este cenário da oposição vai se repetir no provável governo da Dilma?

Jabor: Não tem mais oposição, pô! Eles têm maioria no Congresso. Se fizerem uma lei obrigando todo mundo a andar nu, vai passar.

Adriana Negreiros: Como você explica a popularidade do presidente Lula?

Jabor: Porque ele é um gênio. Um Maquieavel [filósofo italiano autor do clássico O Príncipe, morto em 1527]. Ele tem um carisma extraordinário. Nesse aspecto ele é imbatível. E tem qualidades também. Não tô dizendo que o Lula é um canalha.

Adriana Negreiros: Que qualidades?

Jabor: Uma das qualidades dele é ter passado por todas as bocas sujas da vida, desde a miséria até a liderança sindical. Isso deu a ele uma prática política popular de esquerda, porém pragmática. Não é aquela coisa ideológica maluca dos Luiz Gushiken [ex-ministro], dos Ricardo Berzoini [presidente do PT], dos Dirceu, de que o mundo vai ser socialista. O Lula é muito prático. Nesse sentido, ele foi modernizador da política de esquerda no Brasil. Ele é genial, o Mick Jagger da política. Eu me lembro que quando teve aquele perigo do segundo turno contra o Geraldo Alckmin [em 2006], foi sensacional. Ele mandou armar um palanque igual aos do Rolling Stones, aqueles de corredor, enormes. Ele ficava falando e andando exatamente igual ao Mick. O Lula é um genial comunicador de televisão. Eu acho até que eu sou um bom comunicador, mas o Lula me dá de 10 a zero [risos]

Adriana Negreiros: Você já esteve com o presidente Lula?

Jabor: Sim, uma única vez na minha vida, antes de ele ser presidente da República. Eu ainda não estava na televisão, só nos jornais. Ele estava com a mulher dele, passou e falou comigo... "Oi, Jabor. Como é que vai?" E passou a mão no meu braço. É de uma simpatia, o filha da mãe, é de uma sedução que o José Serra não tem. A Dilma não tem nenhuma. Eu não consigo entender como é que o povão vota na Dilma porque a figura é realmente espantosa. Mas o povo vai votar nela porque o Lula mandou!


Entrevista de Arnaldo Jabor à Adriana Negreiros (editora) extraída da Revista Playboy edição Outubro de 2010.