27 de maio de 2016

A IRONIA DA BUSCA PELA PAZ ATRAVÉS DAS ARMAS

Ainda são as mais antigas ironias que nos trazem maior satisfação: o homem, ao se preparar para uma guerra sangrenta, prega em alto e bom som, da maneira mais eloquente, a paz. Essa dicotomia não é uma invenção do século 20. No entanto, foi nesse século que a maioria dos exemplos mais marcantes desse fenômeno apareceu. Nunca antes o homem verbalizou tanto sua busca pela harmonia global enquanto reunia pilhas e mais pilhas de armas de efeito devastador. A Segunda Guerra - assim nos disseram - foi a "guerra para acabar com todas as guerras". O desenvolvimento da bomba atômica é a "arma para acabar com as guerras".

E no entanto as guerras continuaram. Atualmente, não há nação neste planeta que não esteja envolvida em alguma forma de conflito armado, se não contra seus vizinhos, contras as forças internas. Além do mais, à medida que quantias cada vez maiores de dinheiro são derramadas em buscas pela arma ou conflito específico que trarão a paz duradoura, o esgotamento de nossas economias cria uma paisagem urbana arruinada onde o crime floresce e as pessoas estão cada vez menos preocupadas com a segurança nacional e mais com a simples segurança pessoal, necessária para poder ir ao mercado tarde da noite comprar um litro de leite sem ser assaltado. Os lugares que lutamos tão ferozmente para preservar estão se tornando cada vez mais perigosos. As guerras para terminar com todas as guerras e as armas para terminar com as guerras são coisas que falharam completamente.


Alan Moore (Watchmen - edição definitiva: Capítulo 4: pág: 138)

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