27 de maio de 2016

A IRONIA DA BUSCA PELA PAZ ATRAVÉS DAS ARMAS

Ainda são as mais antigas ironias que nos trazem maior satisfação: o homem, ao se preparar para uma guerra sangrenta, prega em alto e bom som, da maneira mais eloquente, a paz. Essa dicotomia não é uma invenção do século 20. No entanto, foi nesse século que a maioria dos exemplos mais marcantes desse fenômeno apareceu. Nunca antes o homem verbalizou tanto sua busca pela harmonia global enquanto reunia pilhas e mais pilhas de armas de efeito devastador. A Segunda Guerra - assim nos disseram - foi a "guerra para acabar com todas as guerras". O desenvolvimento da bomba atômica é a "arma para acabar com as guerras".

E no entanto as guerras continuaram. Atualmente, não há nação neste planeta que não esteja envolvida em alguma forma de conflito armado, se não contra seus vizinhos, contras as forças internas. Além do mais, à medida que quantias cada vez maiores de dinheiro são derramadas em buscas pela arma ou conflito específico que trarão a paz duradoura, o esgotamento de nossas economias cria uma paisagem urbana arruinada onde o crime floresce e as pessoas estão cada vez menos preocupadas com a segurança nacional e mais com a simples segurança pessoal, necessária para poder ir ao mercado tarde da noite comprar um litro de leite sem ser assaltado. Os lugares que lutamos tão ferozmente para preservar estão se tornando cada vez mais perigosos. As guerras para terminar com todas as guerras e as armas para terminar com as guerras são coisas que falharam completamente.


Alan Moore (Watchmen - edição definitiva: Capítulo 4: pág: 138)

SOMBRIO BRILHANTE

"Laurie, eu tenho 65 anos. A cada dia, o futuro parece mais sombrio, mas o passado, mesmo as piores partes... ...bom, ele vai ficando cada vez mais e mais brilhante."

"Comecei a me indagar o que gostaria de fazer agora que a emoção da aventura finalmente esmaecia. Revendo minha vida, tentei discernir o que fiz durante os momentos mais felizes de minha existência, a fim de formar uma base para minha satisfação futura."


Alan Moore (Watchmen - edição definitiva: Capítulo 2: pág: 44. Capítulo 3: pág: 106)

19 de maio de 2016

SOBRE O CONTRASSENSO DE GRITAR POR DEMOCRACIA NUM TOM DE INTOLERÂNCIA

Por: Diego Cosmo

O povo não é uma pessoa, não é composta somente pelos desfavoráveis e nem só pelos abastados. É mais do que uma coletividade, esta mais para uma rede de redes, o que torna a questão da representatividade bem complexa, o que acaba por apontar que nossos supostos representantes nunca serão, de fato, expressão fiel do povo como um todo. Logo, toda política é resultado de uma tensão de forças. E no fundo é sobre isso que temos que saber lidar sem corromper direitos ou deveres no que tange a nossa atuação política. Um exercício que podemos começar a fazermos em termo de análise rápida é procurar os aspectos em que podemos nos ver refletido em quem elegemos, ou seja, o que, de certa forma, é representado da nossa sociedade e cultura neles, já que estamos falando de representatividade.

A boa hospitalidade brasileira? Um ledo engano. Os indicadores de violência que o digam. Até podemos ser simpáticos e amáveis desde que se trate de quem gostamos ou com quem nos simpatizamos. Embora parecemos ser entusiastas da diversidade diante da mistura de nossas raízes e do espírito carnavalesco, nossa leitura parece se dar de forma binária. O diferente não nos diz respeito e logo é oposição. Nos vangloriamos de nossa riqueza cultural e tamanho como nação mas parece que nos simpatizamos ainda mais com a ideia de que melhor mesmo é que cada um fique no seu quadrado.

Se valer da influência como meio de ganhar vantagem ou ajudar seu amigo. Não soa estranho, não é? Afinal, é comum vermos isso em muitas camadas. Todo favoritismo visto, demasiadamente, no cenário político não é outra coisa muito diferente do resultado e extensão dessa lógica. A oligarquia é a projeção prática desse caráter tão comum. Sejamos francos. Não temos senso democrático, na verdade, nos falta o essencial para o funcionamento de uma lógica democrática: a tolerância e isso exige um jogo de cintura mais complexo do que sambar. Vemos esse deficit em como nos comportamos nas filas, no famoso jeitinho brasileiro, no trânsito, na família, no nível do debate com quem não pensa igual e na seletividade de quem escutamos ou criticamos, afinal, o divergente só fala "bobagem". A exemplo, o "bela, recatada e do lar" vindo de quem não se gosta é protesto mas "grelo duro" de quem é amado releva-se facilmente. Aplaudimos até cuspida na cara, mas desde que seja em que não nos identificamos. No contrário nos revoltaríamos munido com um milhão de discursos. Há uma clara defesa dos interesses que partem somente do umbigo. Falta uma real visão universal sobre a justiça, uma visão mais inclusiva que não se limite apenas a ser proclamada nos discursos que vemos com maior frequência nos movimentos feministas, de raça ou gênero. Até porque os direitos humanos não dizem somente respeito a um atributo de alguém, como sua cor ou sexo, isso seria nos apequenarmos demais. É preciso abraçarmos totalmente o ideal da democracia se a quisermos de verdade. Antes tais direitos existem pela condição existencial que nos percebemos. Todo o merecimento ao respeito e a dignidade sobretudo se devem pelo simples fato de sermos o que somos em termos existenciais. Os direitos humanos não são nada menos que a pedra fundamental da democracia.

É importante tocar que a democracia nunca agradará a todos, não é necessariamente um mar de rosas visto que implica a convivência e aceitação dos diferentes em vários aspectos e seus esforços prescindem de medidas que busquem o equilíbrio. Ela nem mesmo, necessariamente, deve representar a voz da maioria, a democracia em si é antes um princípio e como tal é um fim em si mesmo, logo constituído fundamentalmente de um traço imparcial. Basta imaginar o quão "democrático" seria se a maioria apoia-se, por exemplo, o fim da liberdade de expressão ou a exclusão de quem fizesse parte de alguma minoria, tal medida seria democrática?

Dado as discrepâncias no que toca a desigualdade presente é inevitável haver perdas e ganhos para uns e outros quando se trata de gerar justiça. Remédios não são doces. Vale ressaltar que a diferença em si não é um problema, afinal, somos diferentes uns dos outros. O desafio se dá na justeza dos pontos de partida, já os de chegada naturalmente podem ser diferentes. As diferenças que são extremas em relação ao que corresponde a oportunidades básicas bem como a mínima dignidade apontam um quadro gritantemente injusto, basta ver indicativos ou gráficos que mostrem os quadros econômicos, sociais, sobre felicidade etc dos países para compreender que o mundo de fato não é justo. Se é que restam dúvidas ainda. Como tudo que pode ser piorado, pode ser melhorado também, com a injustiça não é diferente e a democracia, necessariamente, combate esse mal. Portanto, se quisermos mudanças que comecemos, efetivamente, a sermos, de fato, democráticos.

18 de maio de 2016

CONTEMPLO O RIO QUE CORRE PARADO



Contemplo o rio que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente sem metas, sentado
Não tenho sido, eu sou, não serei nem fui
A mente quer ser mas querendo erra
Pois só sem desejos é que se vive o agora.

Vê-de o pé do ypê, apenas mente flore
Revolucionariamente a penso ao pé da serra. (2x)

Contemplo o rio que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente sem metas, sentado
Não tenho sido, eu sou, não serei nem fui
A gente quer ter mas querendo erra
Pois só sem desejos é que se vive o agora.

Vê-de o pé do ypê, apenas mente flore
Revolucionariamente a penso ao pé da serra. (2x)


Belchior (Ypê)

13 de maio de 2016

COMO FAZER A INTERNET SER PAGA

Quem controla os fios ou as ondas aéreas pode controlar a internet, pois apenas através dessas conexões ela pode existir e operar. Para usar um sistema de busca e outros utilitários é preciso acesso à internet, e este é um serviço que empresas como Amazon ou Google não fornecem (com exceções triviais). Para dispor de acesso é necessário pagar a um provedor de internet - em geral uma companhia telefônica ou de cabo.

A AT&T e suas aliadas já tinham um plano. Elas começariam a oferecer um serviço de internet de "pista rápida" para clientes selecionados (isto é, os que quisessem pagar por ele), pressionando assim para que as empresas de cabo e a Verizon fizessem o mesmo. Por exemplo, a AT&T poderia fechar um acordo para tornar o Yahoo! seu mecanismo de busca oficial, colocando-o à frente dos rivais em troca de pagamento; ou obrigar a Netflix a pagar para que os consumidores baixassem filmes mais depressa.

De todo modo, por trás da proposta de uma banda larga sempre estava implícita a ameaça de penalização ou degradação de serviços para quem não quisesse ou não pudesse pagar. Por essa razão, não passou despercebido a ninguém que, ao exercer o papel de acelerar algumas empresas e desacelerar outras, a AT&T e as companhias de cabo estavam assumindo um poder de vida e morte sobre o comércio na internet.

Esse tipo de embate lobista em geral é complexo demais para atrair o interesse da mídia, principalmente das redes de televisão.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 342 e 343)

WWW.INTERNET


O nome Internet vem de internetworking (ligação entre redes). Embora seja geralmente pensada como sendo uma rede, a Internet na verdade é o conjunto de todas as redes e gateways que usam protocolos TCP/IP. Note-se que a Internet é o conjunto de meios físicos (linhas digitais de alta capacidade, computadores, roteadores etc.) e programas (protocolo TCP/IP) usados para o transporte da informação. A Web (WWW) é apenas um dos diversos serviços disponíveis através da Internet, e as duas palavras não significam a mesma coisa. Fazendo uma comparação simplificada, a Internet seria o equivalente à rede telefônica, com seus cabos, sistemas de discagem e encaminhamento de chamadas. A Web seria similar a usar um telefone para comunicações de voz, embora o mesmo sistema também possa ser usado para transmissões de fax ou dados.

World Wide Web [WWW] é uma função da Internet que junta, em um único e imenso hipertexto ou hiperdocumento (compreende imagens e sons), todos os documentos e hipertextos que a alimentam.

Pierre Lévy (Cibercultura; págs: 27 e 265)


É comum confundir Web e internet - muitos usam os termos de maneira alternativa -, mas a primeira é simplesmente uma das mais populares aplicações da rede (o e-mail é outra). A internet movimenta a informação de um lugar para outro, mas são suas aplicações como a Web que determinam o que pode ser feito usando-se a Internet. Acessada por um navegador, a Web originalmente não passava de um acordo para armazenar toda a informação num formato comum (HTML), combinado com maneiras de conectar pedaços de informação por intermédio dos chamados hiperlinks. O valor supremo da Web era, e ainda é, sua universalidade. É esse princípio de universalidade que faz a web ter tamanha potência em questões comerciais e de livre expressão.

Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 338 e 339)

APPLE E WINDOWS


Ainda que Jobs [Steve Jobs] tenha construído lindas máquinas, sua decisão de fechar o Macintosh contribuiu muito para fazer de Bill Gates o homem mais rico do mundo. O Windows apresentava uma vantagem insuperável: funcionava em qualquer computador, admitia qualquer tipo de software e tinha interface com qualquer impressora, modem ou outro hardware. O Windows ficou com o mercado em que a Apple fora pioneira baseando-se nas ideias com que ela começara.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; pág: 335)

A HISTÓRIA DA AOL COM A INTERNET

Em 10 de janeiro de 2000, os dois [Steve Case e Gerald Levin] estavam numa coletiva de imprensa anunciando um revolução: a fusão de 350 bilhões de dólares entre a maior companhia de mídia do mundo e a maior empresa de internet. A AOL seria o motor que levaria as velhas holdings de mídia da Time Warner - um tesouro do que veio a ser conhecido como "conteúdo" - ao mundo novo.

Não é preciso ser gênio para fazer uma análise retrospectiva e perceber as limitações de um portal sem uma ferramenta de busca e que oferecia o conteúdo de uma só empresa. Não havia um lugar lógico para a AOL na era da banda larga. O principal fato é que a AOL tinha chegado à maioridade antes da internet de massa. No início dos anos 1990, você não discava a fim de surfar em liberdade, mas para acessar a própria AOL e falar com outros usuários da AOL. Talvez seja um fato difícil de entender para quem nasceu e se criou com a internet, porém, naqueles primórdios, a AOL era a plataforma; no jargão, operava como um "jardim murado" para os usuários.

Nos anos 1990, quando a internet começou a crescer em popularidade nos campi universitários, umas poucas empresas criativas passaram a oferecer serviço de internet em casa. Sua popularidade acabaria forçando a AOL a mudar o modelo de negócios, de modo a fornecer a seus milhões de usuários acesso direto à internet, e não só ao jardim murado da AOL. Foi uma decisão tomada com relutância, pois Case e seus colegas sabiam que o acesso à internet lhes custaria o controle sobre os clientes. Não obstante, com os novos provedores de serviço de internet beliscando seus calcanhares, a AOL deixou de ser sobretudo uma empresa de serviços online para se tornar principalmente um provedor de serviços de internet. No início, durante os anos 1990, a estratégia funcionou muito bem. Todo mundo queria saber o que era a internet, e a AOL era a maneira mais fácil de chegar lá, porque ela postou um CD nas caixas de correios de todo mundo (o valor de exemplares gratuitos foi uma das coisas que Case aprendeu em sua carreira anterior como gerente de marketing da P&G). Nesse sentido, a AOL foi uma parte importante da revolução de massa da internet.

O problema para a AOL na passagem dos anos 1990 para os 2000 foi que já havia no horizonte uma nova maneira de acessar a internet: a banda larga. As companhias de cabo e telefone conseguiram obter velocidades mais altas a partir das antigas fiações e linhas telefônicas, e agora ofereciam aos clientes uma conexão de internet rápida e direta. O problema era que, já no projeto, o serviço de banda larga tornava a AOL desnecessária. O modelo de negócios desta tinha como premissa a "discagem" - conectava-se à AOL para chegar à internet. Com o novo Digital Service Lines (DSL) e de banda larga, as companhias telefônicas e de cabo ofereciam aos clientes a internet direta, eliminando provedores de serviços como a AOL.

Em 2000, a AOL era vista como a empresa da "nova mídia", a revigoradora da "velha mídia" fóssil - o destino temido por Levin para a Time Warner. Mas, na verdade, ela era um dinossauro mancando em direção à nova era. Obter suas próprias linhas de cabo era uma questão de vida ou morte, e a fusão com a Time Warner era uma maneira de conseguir isso. De modo mais cínico, pode-se dizer que Steve Case, que compreendeu os problemas da AOL, escolheu esse momento para capitalizar as ações literais e figurativas da empresa na hora em que elas não podiam subir mais. Um ano depois da fusão, com a emergência das empresas ponto com, a AOL estava valendo bem menos que os 240 bilhões de dólares do auge de sua existência.

Em 2000 ela já era menos uma destinação em si - a plataforma que fora - e se tornara só a maneira mais popular de acessar a rede. Embora pudesse alardear seus 30 milhões de assinantes, ela não conseguia exercer um controle significativo sobre eles. Uma vez on-line, o usuário podia ir aonde quisesse, pois a internet era capaz de conectar duas pessoas quaisquer, fossem elas quem fossem. O surgimento de ferramentas de busca e nomes de domínios apenas exacerbaria o problema. No máximo, a AOL podia recomendar o conteúdo da Time Warner.

Em 9 de dezembro de 2009, a apenas um mês do 10º aniversário, o desastroso casamento da AOL com a Time Warner terminou em divórcio.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 310, 313, 314, 315, 316, 319 e 321)

O QUE É MAIS FORTE: O RADICALISMO DA INTERNET OU A INEVITABILIDADE DO CICLO?

Será que a internet prenunciaria um reinado de abertura industrial sem fim[...]? Ou será que, apesar de seu projeto radicalmente descentralizado, se tornaria, com o tempo, o próximo alvo lógico das insuperáveis forças do império da informação [...]? Será que a internet é diferente de fato? Todas as demais invenções do mesmo tipo tiveram um período de abertura só para se tornar a base de outros impérios da informação. O que é mais forte: o radicalismo da internet ou a inevitabilidade do Ciclo?

Ainda resta ver o quanto a internet permanecerá aberta, mas há poucas dúvidas de que a estrutura industrial monopolista que caracterizou o século XX afinal já fincou o pé na rede. Seja qual for a noção anterior, de que a internet, por sua natureza, estava imune à monopolização, o presente já deixou claro a loucura do excesso de otimismo. O Ciclo mais uma vez está em movimento.

Na mitologia hindu, demônios e deidades assumem diferentes encarnações para lutar sempre as mesmas batalhas. No início dos anos 2010, ficou claro que a batalha pelo futuro da internet era apenas a mais recente reprodução da perene luta ideológica para a qual toda a indústria de informação acaba sendo arrastada. É o velho conflito entre o grande e o pequeno, entre os conceitos de sistema aberto e fechado, entre as forças de ordem centralizadora e as da variedade dispersa. Os antagonistas assumem novas formas, os generais mudam, mas são essencialmente as mesmas batalhas travadas mais uma vez. Esta é a própria essência do Ciclo, e mesmo uma tecnologia tão radical e poderosa como a internet só é capaz de moderá-la, não de aboli-la.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 19, 308, 328 e 346)

11 de maio de 2016

A INFORMAÇÃO SE TORNA MAIS VALIOSA QUANTO MAIS FOR USADA

O problema desses filmes como proposta de negócio é claro: seu valor não vem de uma marca subjacente. Uma produção como Cleópatra faz dinheiro ou não (não fez - apesar de ter sido a maior bilheteria de 1963!). Mas não deixa o espectador com vontade de consumir produtos a ele relacionados quando a experiência termina. Como instrumento de propaganda, perde a atenção da plateia. Em comparação, um filme como Transformers ou Homem de Ferro não fatura só na bilheteria: está provado que leva a vendas de brinquedos, revistas em quadrinhos e, claro, sequências.

Ao contrário de qualquer outra mercadoria, a informação se torna mais valiosa quanto mais for usada. Cada vez que você murmura a palavra "Coca-Cola", "McDonald's" ou "Nike" está fazendo um pequeno serviço de marketing ao proprietário da marca.

As leis de propriedade intelectual e de marca registrada são uma forma de ganhar e lucrar com alguns significantes. Não se pode ser proprietário de Hitler ou da imagem de um polvo gigante. Mas é possível ser dono de Darth Vader, do Batman ou da Pantera Cor-de-Rosa graças às leis federais de propriedade intelectual.

Ele [Edward Jay Epstein] diz que, mais ou menos desde os anos 1990, os estúdios deixaram de considerar as receitas de bilheteria a medida mais importante do "desempenho" de um filme, pois o risco da bilheteria é assumido por parceiros externos. A receita que mais conta para os estúdios, de acordo com Epstein, vem do resto, incluindo a difusão do produto em mídias diferentes (DVD, pay-per-view a cabo, downloads etc.) e lançamentos em cinemas ao redor do mundo. Contudo, a grande fatia do lucro depende dos direitos autorais dos personagens, resultantes de merchandising, subprodutos, direitos de continuação e outros "trabalhos derivativos" [O modelo básico inventado pela Disney nos anos 1960, quando os irmãos Disney se deram conta de que seus filmes podiam criar clientes para suas mercadorias e seus parques temáticos, que por sua vez os levariam de volta aos filmes - estratégia rotulada como "merchandising total"314] cujo verdadeiro valor nunca vem a público. 

Esse tipo de arranjo, segundo Epstein, faz dos estúdios de hoje mais uma operação de licenciamento que um empreendimento cinematográfico. Ele desenvolve propriedades valiosas e ganha dinheiro licenciando-as na mais abrangente multiplicidade de formas possível. Essa visão de como produzir filmes está muito longe da essência do cinema na época em que os estúdios nasceram. O que quer que Michael Cimino tivesse em mente quando criou O portal do paraíso, não fazia parte da ideia marcar com ferro e fogo a consciência popular.

O estúdio acabou investindo 175 milhões de dólares na produção. No popular site de resenhas Rotten Tomatoes, o filme conseguiu uma constrangedora taxa de apenas 8% de respostas positivas. Apesar de uma grande campanha de marketing e da estreia nacional em 5.200 cinemas, A volta do todo-poderoso faturou somente 30 milhões de dólares ou algo assim no primeiro fim de semana, coisa ridícula para os padrões dos grandes lançamentos.

E aí aconteceu o milagre: a bomba explodiu, mas não causou danos. A United Artists não entrou em colapso e houve poucas consequências para os envolvidos. A vida continuou como sempre na Universal e, mais importante ainda, na General Electric. O fracasso de A volta do todo-poderoso, um genuíno desastre para a Universal, foi assimilado pelo desempenho da GE, que teve uma receita de 168 bilhões de dólares naquele ano.

Em resumo, o fracasso imediato ficou impune. Até mais notável, com o tempo, as vendas de DVD e a exibição em cinemas no exterior fizeram com que a produção afinal se pagasse, mesmo que ninguém tivesse algo de bom a dizer a ser respeito. Fosse um tipo de filme sujeito a rendimentos de merchandising e licenciamento, é possível que desse um belo lucro, apesar de ser definitivamente ruim como filme. Assim, A volta do todo-poderoso é a prova de quanto a estrutura dos estúdios está garantida no momento. A mediocridade pode gerar mais mediocridade, só que com segurança: eis o verdadeiro milagre da moderna indústria de entretenimento.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 276, 277, 278, 279, 280, 285, 286 e 314)

DISTRIBUIÇÃO DE RISCO E SUCESSO

Quando se trata de um produto de entretenimento - se comparado com meias ou cervejas, digamos -, vende-se algo de que as pessoas não precisam; elas devem desejar. Estão dispostas a investir tempo e dinheiro - noventa minutos num filme, 25 dólares num livro - sem a menor certeza de satisfação ou sobre o efeito desejado. O resultado é que qualquer livro, filme ou programa de TV é lançado em meio à incômoda sensação de que pode ser um fracasso total e absoluto. Essa incerteza e a variação da demanda no cerne da indústria de entretenimento levaram a uma ampla gama de contramedidas. Como veremos, a estrutura da indústria de entretenimento não faz sentido se não entendermos as maneiras de administrar o risco. Esse espectro, que vai do óbvio - apostar em astros conhecidos ou em diretores (em geral, nos astros) e nas continuações (sequências de sucessos passados, na esperança de que o raio caia duas vezes no mesmo lugar) - a sistemas de certa forma esotéricos de administração financeira e conta conjunta, tem o objetivo de distribuir sucessos e fracassos num orçamento abrangente. Todas essas técnicas têm em comum a forma como acabam alterando a face da cultura americana e da cultura global.

Como dissemos, discos, programas de TV, livros e noticiários estão todos sujeitos à vicissitudes das indústrias que precisam "acertar na mosca". Reunir um grupo de empresas de mídia é uma forma de partilhar os riscos e benefícios em diversas plataformas, como um romance best-seller que ajuda a equilibrar um fiasco cinematográfico, para chegar a um fluxo estável de rendimentos. Mas, para se defender de bombas da magnitude de O portal do paraíso, o truque de Ross foi bancar as incertezas dos produtos de entretenimento como um todo com fontes de rendimentos mais confiáveis. O guarda-chuva da Warner Communications abrigava não apenas filmes e música, mas também estacionamentos, aluguel de carros e agências funerárias (o antigo negócio de Ross).


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 266, 267 e 269)

Ao aumentar o número de seus integrantes, esses grupos de animais não só dividem a atenção dos inimigos como também reduzem, significativamente, a probabilidade de que cada membro individual se transforme na refeição do dia. A longo prazo, essa estratégia distribuída de administração de riscos aumenta a chance de perpetuação da espécies que vivem a rotina de ser sempre a caça, todos os dias de sua existência.

Quando um conselheiro financeiro nos aconselha a distribuir nossas economias entre diferentes investimentos (caderneta de poupança, imóveis, certificados bancários, ações, ouro etc.), ele está se valendo da mesma estratégia de redução de riscos utilizada por um bando de capivaras; a distribuição do montante total por múltiplos investimentos evita que a queda brusca do valor de um deles (digamos, o do mercado de ações) arruíne seu cliente. Algo a ser evitado a todo custo, pois cliente falido não paga comissões a conselheiros!


Miguel Nicolelis (Muito Além do Nosso Eu; pags: 44 e 45)

DADOS NA INTERNET

Para atingir a meta de uma verdadeira teia universal de computadores era preciso uma linguagem também universal. Essa linguagem atende pelo nome nem tão esperançoso de "protocolo de internet", ou TCP/IP. O lampejo de genialidade subjacente a uma rede que conseguisse interconectar outras redes era o conceito de "encapsulamento". Como disse Cerf [Vint Cerf]: "Nós pensamos naquilo como envelopes." Encapsulamento significa empacotar informações de redes locais num envelope que a internetwork pode reconhecer e direcionar, como os postos de correio, que concordaram em usar os nomes dos países em inglês. No que viria a ser conhecido como TCP (ou Transmission Control Protocol), Cerf e Kahn [Robert Kahn] criaram um padrão para o tamanho da taxa de fluxo dos pacotes de dados, fornecendo aos usuários de computadores uma língua que funcionava entre todas as redes.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 238, 239 e 240)

CONGLOMERADO

Não é possível entender as comunicações nem a indústria cultural norte-americana ou global sem compreender o conglomerado. O conglomerado é a forma organizacional dominante nas indústrias da informação do final do século XX e começo do XXI. O conglomerado pode ser o pior inimigo ou o melhor amigo da economia cultural. Com uma capitalização robusta, oferece às indústrias de informação estabilidade financeira e um grande potencial de liberdade para explorar projetos de risco. Mas, apesar dessa promessa, o conglomerado pode também ser um feitor sufocante e avarento, obcecado em maximizar o potencial de receita e de fluxo de sua propriedade intelectual. No seu pior aspecto, essa organização pode levar a lógica da produção cultural de massa a qualquer extremo de banalidade, desde que pareça financeiramente viável, remetendo ao que Aldous Huxley previu em 1927: uma máquina que aplica "todos os recursos da ciência para que a imbecilidade floresça".


Tim Wu (Impérios da Comunicação; pág: 264)

MÍDIA DE MASSA


A era da "mídia de massa", interrompida pela televisão a cabo, foi na verdade um período de homogeneidade cultural sem precedentes. Nunca antes, ou pelo menos nos 64 anos de intervalo entre os anos 1930 e o início dos 1990, tantos integrantes do mesmo pais viram ou ouviram as mesmas informações ao mesmo tempo. Em 1956, a apresentação de Elvis Presley no The Ed Sullivan Show atraiu inacreditáveis 83% dos lares americanos que tinham aparelho de TV. Em 1955, a transmissão do musical Cinderela atraiu 107 milhões de espectadores, quase 60% de toda a população dos Estados Unidos. Ken Auletta, o comentarista de mídia da New Yorker, disse em 1991: "Para nós, a televisão sempre significou três instituições - CBS, NBC e ABC. Elas têm sido a nossa igreja comunal." Talvez as redes de TV no mundo todo tenham sido o sistema de informação mais poderoso e centralizado da história da humanidade.

Uma mídia aberta tem muito a seu favor, mas não o poder de unificar o país. Para unir um país, nada melhor que uma mídia de massa centralizado, fato bem compreendido pelos totalitarismos fascista e comunista. Uma mídia aberta acarreta diversidade e fragmentação de conteúdo, fazendo com que as diferenças entre grupos e indivíduos se acentuem, e não com que sejam eliminadas ou reprimidas.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 259 e 260)

10 de maio de 2016

GIGANTISMO

"Parece haver somente uma causa por trás de todas as formas de miséria social: o gigantismo. Por mais que isso possa parecer uma simplificação, é mais fácil aceitar essa ideia se considerarmos que o gigantismo, ou o tamanho excessivo, é na verdade muito mais que apenas um problema social. ...Sempre que alguma coisa estiver errada, é porque está grande demais."

Leopold Kohr


Tim Wu (Impérios da Comunicação; pág: 243)

SOU UM MENTIROSO

Ora, sou vaidoso o bastante para acalentar a esperança de deixar alguma herança para a posteridade, e não vejo motivo para abrir mão do direito à liberdade de criação de que outros desfrutam. Como não tenho verdade alguma para registrar, tendo vivido uma vida profundamente monótona, recorro à falsidade – porém uma falsidade de uma variedade mais consistente, pois proferirei agora a única declaração digna de crédito que se deve esperar de mim: sou um mentiroso. Esta confissão é, considero, defesa suficiente contra todas as acusações. Meu assunto, portanto, é o que jamais vi, experimentei ou me foi contado, o que não existe nem poderia concebivelmente existir. Solicito humildemente a incredulidade do leitor.


Luciano de Samósata em Uma História Verdadeira, escrevendo no segundo século da era cristã (125-180 d.C.)

MODEM (MODULADOR/DEMODULADOR)

O aparelho que permite a modulação e desmodulação da informação digital, e que portanto permite a comunicação de dois computadores via telefone, chama-se "modem". Equipamento de telecomunicações que permite a um computador transmitir informações digitais através de linhas telefônicas comuns (sejam elas digitais ou analógicas). Os modems convertem a informação digital armazenada nos computadores em uma frequência de áudio modulada, que é transmitida pela linha telefônica até um outro modem, que executa o processo contrário, reconvertendo a informação para seu formato digital original.

Pierre Lévy (Cibercultura; págs: 35 e 266)


Dennis Hayes, um diletante da informática (a palavra atual é geek) que em 1977 construiu o primeiro modulador/desmodulador (modem) projetado e dirigido para o consumidor, o chamado modem de Hayes.

Tim Wu (Impérios da Comunicação; pág: 230)

Modem de Hayes

9 de maio de 2016

BUROCRACIA DAS DROGAS

"Os burocratas que constroem as políticas de drogas têm usado a proibição como uma cortina de fumaça para evitar encarar os fatores sociais e econômicos que levam as pessoas a usar drogas. A maior parte do uso ilegal e do uso legal de drogas é recreacional. A pobreza e o desespero estão na raiz da maioria do uso problemático da droga."

John Grieve


Cortina de Fumaça (documentário)

8 de maio de 2016

SANDY & JUNIOR


01 - Aniversário do Tatu - [Aniversário do Tatu: 1991]
02 - Charada - [Aniversário do Tatu: 1991]
03 - A Resposta da Mariquinha - [Sábado à Noite: 1992]
04 - O Vira - [Sábado à Noite: 1992]
05 - Vamos Construir - [Sábado à Noite: 1992]
06 - Infância Careta - [Sábado à Noite: 1992]
07 - Splish Splash - [Tô Ligado Em Você: 1993]
08 - Primeiro Amor - [Tô Ligado Em Você: 1993]
09 - Tô Ligado Em Você - [Tô Ligado Em Você: 1993]
10 - Pout-Pourri I - [Pra Dançar Com Você: 1994]
11 - Rap do Aniversário - [Você é D+: 1995]
12 - O Universo Precisa de Vocês (Power Rangers) - [Você é D+: 1995]
13 - Vai Ter Que Rebolar - [Você é D+: 1995]
14 - Doce Como o Mel - [Você é D+: 1995]
15 - Etc... E Tal - [Dig Dig Joy: 1996]
16 - Dig-Dig-Joy - [Dig Dig Joy: 1996]
17 - Não Ter - [Dig Dig Joy: 1996]
18 - Beijo é Bom - [Sonho Azul: 1997]
19 - Inesquecível - [Sonho Azul: 1997]
20 - Eu Acho Que Pirei - [Sonho Azul: 1997]
21 - Era Uma Vez - [Sonho Azul: 1997]
22 - No Fundo do Coração - [Era Uma Vez (Ao Vivo): 1998]
23 - Imortal - [As Quatro Estações: 1999]
24 - Aprender a Amar - [As Quatro Estações: 1999]
25 - Eu Quero Mais - [As Quatro Estações: 1999]
26 - Olha o Que o Amor Me Faz - [As Quatro Estações: 1999]
27 - Vâmo Pulá! - [As Quatro Estações: 1999]
28 - Baby, Eu Já Sabia - [As Quatro Estações: 1999]
29 - As Quatro Estações - [As Quatro Estações: 1999]
30 - Não Dá Pra Não Pensar - [Sandy & Junior: 2001]
31 - O Amor Faz - [Sandy & Junior: 2001]
32 - A Gente Dá Certo - [Sandy & Junior: 2001]
33 - A Lenda - [Mundial Beauty Care: 2002]
34 - Enrosca - [Mundial Beauty Care: 2002]
35 - Música e Paixão - [Identidade: 2003]
36 - Desperdiçou - [Identidade: 2003]
37 - Tudo Pra Te Conquistar - [Identidade: 2003]
38 - Planeta Água - [Identidade: 2003]
39 - Estranho Jeito de Amar - [Sandy & Junior: 2006]
40 - Replay - [Sandy & Junior: 2006]

6 de maio de 2016

SUPERMAN



Eu não suporto voar
Eu não sou tão ingênuo
Estou apenas procurando
A melhor parte de mim

Eu sou mais que um pássaro
Eu sou mais que um avião
Mais que alguma cara bonita ao lado de um trem
E não é fácil ser eu

Queria poder chorar
Cair de joelhos
Encontrar uma maneira de mentir
Sobre um lar que nunca verei

Pode soar absurdo
Mas não seja ingênuo
Mesmo heróis tem o direito de sangrar
Eu posso estar perturbado
Mas você não quer admitir
Mesmo heróis têm o direito de sonhar
Não é fácil ser eu

Para cima, para cima e longe, longe de mim
Bem, está tudo certo
Vocês todos podem dormir profundamente esta noite
Eu não estou louco ou algo assim

Eu não suporto voar
Eu não sou tão ingênuo
Os homens não foram feitos para passear
Com nuvens entre seus joelhos

Eu sou apenas um homem com uma tola capa vermelha
Cavando kriptonite nessa rua de mão única
Apenas um homem nessa engraçada capa vermelha
Procurando por coisas especiais dentro de mim,
Dentro de mim, sim,
Dentro de mim,
Dentro de mim,
Dentro de mim,

Eu sou apenas um homem numa engraçada capa vermelha
Eu sou apenas um homem à procura de um sonho
Eu sou apenas um homem numa engraçada capa vermelha

E não é fácil

Não é fácil ser eu


Five For Fighting (Superman)

4 de maio de 2016

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL



01 - I Put a Spell On You - [Creedence Clearwater Revival: 1968]
02 - Get Down Woman - [Creedence Clearwater Revival: 1968]
03 - Walking On The Water - [Creedence Clearwater Revival: 1968]
04 - Bootleg - [Bayou Country: 1969]
05 - Good Golly Miss Molly - [Bayou Country: 1969]
06 - Proud Mary - [Bayou Country: 1969]
07 - Green River - [Green River: 1969]
08 - Commotion - [Green River: 1969]
09 - Wrote A Song For Everyone - [Green River: 1969]
10 - Bad Moon Rising - [Green River: 1969]
11 - Lodi - [Green River: 1969]
12 - Cross-Tie Walker - [Green River: 1969]
13 - Sinster Purpose - [Green River: 1969]
14 - The Night Time Is The Right Time - [Green River: 1969]
15 - Down On The Corner - [Willy And The Poor Boys: 1969]
16 - It Came Out Of The Sky - [Willy And The Poor Boys: 1969]
17 - Cotton Fields - [Willy And The Poor Boys: 1969]
18 - Fortunate Son - [Willy And The Poor Boys: 1969]
19 - Don't Look Now - [Willy And The Poor Boys: 1969]
20 - The Midnight Special - [Willy And The Poor Boys: 1969]
21 - Before You Accuse Me - [Cosmo's Factory: 1970]
22 - Travelin' Band - [Cosmo's Factory: 1970]
23 - Ooby Dooby - [Cosmo's Factory: 1970]
24 - Lookin' Out My Back Door - [Cosmo's Factory: 1970]
25 - Who'll Stop The Rain - [Cosmo's Factory: 1970]
26 - Long As I Can See The Light - [Cosmo's Factory: 1970]
27 - Chameleon - [Pendulum: 1970]
28 - Have You Ever Seen The Rain - [Pendulum: 1970]
29 - (Wish I Could) Hideaway - [Pendulum: 1970]
30 - It's Just A Thought - [Pendulum: 1970]
31 - Lookin' For a Reason - [Mardi Gras: 1972]
32 - Need Someone To Hold - [Mardi Gras: 1972]
33 - Tearin' Up The Country - [Mardi Gras: 1972]
34 - Someday Never Comes - [Mardi Gras: 1972]
35 - What Are You Gonna Do - [Mardi Gras: 1972]
36 - Sail Away - [Mardi Gras: 1972]
37 - Hello Mary Lou - [Mardi Gras: 1972]
38 - Sweet Hitch-Hiker - [Mardi Gras: 1972]

3 de maio de 2016

LINKS P&P (VOL. 18)

Rose Saldiva


Joachim Ladefoged (fotógrafo)
Dave Hamilton (fotógrafo)
David Hamilton (fotógrafo)
Sarolta Bán (fotógrafo)
Luis Quiles (ilustrador)
Steve Cutts (ilustrador)
Pawel Kuczynski (ilustrador)
Wayra (aceleradora)
CUBO (empreendedorismo)
SXSW - South By Southwest (festival)
Hyper Island (inovação)
Singularity University (educação)
Creative Good (inovação)
Pop Tech (inovação)
GTmetrix (análise de desempenho do site)
SEMrush (marketing digital)
Joy Mangano (empresa)
Focus Pesquisa e Estratégia (pesquisa de mercado)
PhiCube (mercado de renda variável)
Hotmart (produto digital)
Programaê (programação)
Escrita Acadêmica (educação)
Harmony Institute - exploring the science of media (pesquisa)
App da Água (empresa)

LINKSTÂNEA (VOL. 29)



Menthor (ABNT)
Moody's (classificação de risco)
Standard & Poor's (classificação de risco)
Fitch Rating (classificação de risco)
O Hobbit - a batalha dos cinco exércitos
Roots Of Fight (esporte)
Empório da Cerveja
Periscope (video ao vivo)
Provas Brasil (educação)
Tropa Lanterna Verde (conteúdo)
Science Vlogs Brasil (conteúdo)
Cine Cultz (filmes)
eduK (educação)
Coursera (educação)
EDC (festival)
Sonho Brasileiro da Política (política)
Apolo11 - espaço, ciências e fenômenos naturais (conteúdo)
Andy Hug (esporte)
BuzzFeed (conteúdo)
Modular Body (tecnologia)
Control Risks (consultoria de risco)