15 de abril de 2016

DESTRUIÇÃO CRIATIVA



Para entender Schumpeter, precisamos levar em conta sua peculiar noção de "competição". Ele não tinha paciência para o que considerava uma fantasia de Adam Smith relacionada à guerra de preços, ao crescimento pelo corte de preços da concorrência e à melhoria da eficiência do mercado como um todo. "Na realidade capitalista, ao contrário da imagem esboçada em seu livro-texto, não é esse tipo de competição que faz a diferença", argumentava Schumpeter, mas "a concorrência de uma nova mercadoria, uma nova tecnologia, uma nova fonte de suprimentos, um novo tipo de organização." Essa é uma perspectiva para além de Darwin: "Uma competição que imponha uma vantagem decisiva em custo ou qualidade, e que ataque não a margem de lucro e a produção das empresas existentes, mas suas fundações e suas próprias vidas." Schumpeter chamou esse processo de "destruição criativa". Como ele definia: "A destruição criativa é o fato essencial do capitalismo. É nela que consiste o capitalismo, e é com ela que todo capitalista deve conviver."

Teóricos da evolução industrial, inclusive o próprio Schumpeter, sempre entenderam a alternância entre nascimento e destruição como uma inevitabilidade natural do mercado. Segundo a teoria, nada pode deter uma ideia quando chega o seu momento. Mas, e se, num cenário capitalista, uma entidade industrial se torna um órgão virtual do governo? É aqui que a ecologia natural do mercado deixa de funcionar e a criatividade industrial começa a ser tolhida. Será possível que o mercado, com seus meros competidores, consegue derrubar uma empresa que se tornou parte não oficial do governo federal? Este é o maior problema da noção schumpeteriana acerca do funcionamento do capitalismo. Não se pode esperar que a destruição criativa ocorra naturalmente em tais circunstâncias: destronar um monopólio apoiado pelo Estado se torna menos uma questão do mercado que um ato político.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 38 e 196)

Nenhum comentário: