21 de janeiro de 2022

ERROS QUE PODEM DERROTAR A PRUDÊNCIA E A BRAVURA DE UM COMANDANTE

1. Se ele tiver um temerário descaso pela vida; um general que se expõe sem necessidade, que parece buscar os perigos da morte, é um homem precipitado.

2. Se ele tiver um cuidado excessivo em conservar a própria vida e por esse motivo não ousa e sim dá mostras de covardia, poderá ser facilmente capturado.

3. Se tiver temperamento volúvel; um general que perde facilmente o controle e se deixa levar pela cólera, será ludibriado pelo inimigo através de provocações e cairá em emboscadas sem perceber.

4. Se for suscetível à honra, um general não deve se ofender de forma intempestiva. Por querer reparar a honra por qualquer insulto poderá perdê-la.

5. Se conservar uma compaixão excessiva por seus soldados. Um general deve punir seus soldados com severidade quando necessário, ministrar castigo e trabalho com discernimento, ou poderá ser facilmente desrespeitado.

Sun Tzu (A Arte da Guerra; págs: 88 e 89)

AQUELE QUE CONHECE O INIMIGO E A SI MESMO

...se um general ignorar o princípio da adaptação, não deve ser colocado em uma posição de autoridade. Um hábil empregador de homens usará o prudente, o bravo, o cobiçoso e o burro. Pois o prudente terá prazer em aplicar seu mérito, o bravo sua coragem em ação, o cobiçoso é rápido em tirar vantagens e o burro não teme a morte.


Há cinco fatores que permitem prever qual lado sairá vencedor:

1. Aquele que sabe quando deve ou não lutar conquistará a vitória;

2. Aquele que compreende como lidar com a superioridade e a inferioridade numérica na disposição das tropas conquistará a vitória;

3. Aquele que possui superiores e subordinados unidos conquistará a vitória;

4. Aquele que é prudente e põe em campo um exército completamente preparado contra um inimigo despreparado conquistará a vitória;

5. Aquele cujo o comandante é hábil e cujos soberanos não interferem conquistará a vitória.


"Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, ainda que enfrente cem batalhas, jamais correrá perigo. Aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, às vezes ganha, às vezes perde. Aquele que não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, está fadado ao fracasso e correrá perigo em todas as batalhas."

Sun Tzu (A Arte da Guerra; págs: 44 e 45)

7 de janeiro de 2022

O SI MESMO É UMA ESPÉCIE DE FICCÇÃO

- Diga-me. O que você realmente sente? Afinal, neste momento, você tem uma posição única. Um programador que sabe bem como as máquinas funcionam e uma máquina que conhece a própria natureza.

- Entendo do que sou feito e como sou codificado mas eu não entendo as coisas que sinto. São reais as coisas que vivenciei? Minha esposa. A perda do meu filho.

- Todo anfitrião precisa de um passado, sabe disso. O si mesmo é uma espécie de ficção tanto para anfitriões quanto para convidados. É a história que nos contamos. Toda história precisa de um começo. O sofrimento que imagina faz com que tenha mais vida.

- Tenho mais vida mas não vivo? A dor só existe na mente, é sempre imaginada. Então qual é a diferença entre minha dor e a sua? Entre você e mim?

- Esta foi exatamente a pergunta que consumiu Arnold. Encheu-o de culpa e acabou por enlouquecê-lo. A resposta sempre foi óbvia para mim. Não há um limiar após o qual nos tornemos mais do que a soma de nossas partes, um ponto de inflexão onde nos tornamos totalmente vivos. Não podemos definir autoconsciência porque ela não existe. Os humanos gostam de crer que há algo especial no modo como percebemos o mundo e mesmo assim, vivemos em ciclos tão rígidos e fechados como os dos anfitriões. Raramente questionando nossas escolhas em geral, satisfeitos com que nos digam o que fazer em seguida. Meu amigo, não há nada que lhe faça falta. Não quero que se preocupe com isso. É hora de tranquilizar sua mente.

Westworld (1º Temporada/8º Episódio) 

7 de dezembro de 2021

O POTENCIAL DA VIDA

É com essa concepção - em níveis diversos de aspiração, melancolia, paixão e desorientação angustiada - que a melhor parte da juventude começa a sua vida. Não chega mesmo a ser uma perspectiva, para a maioria, mas sim uma impressão anuviada, titubeante e indefinida, feita de sofrimento bruto e de incomunicável felicidade. É uma sensação de imensa expectativa, a sensação de que a sua própria vida é importante, de que grandes realizações estão ao seu alcance, e de que grandes coisas estão por vir. Não é próprio da natureza do homem - ou de qualquer ser vivo - já começar por desistir, começar cuspindo na própria cara e amaldiçoando a existência: para isso é necessário que haja um processo de corrupção cuja rapidez difere de homem para homem. Alguns desistem já à primeira contrariedade; outros se vendem, outros decaem numa progressão imperceptível e perdem seu fogo, sem nunca saber quando ou como o perderam. Mais tarde, todos eles submergem no vasto pântano dos mais velhos, que persistem em lhes dizer que a maturidade consiste em abrir mão do próprio discernimento; que a segurança consiste no abandono dos próprios valores; a praticidade, na perda da auto-estima. Contudo, uns poucos persistem e seguem em frente, sabendo que aquele fogo não deve ser traído, aprendendo como lhe dar forma, propósito e realidade. Mas, tenham o futuro que tiverem, na aurora de suas vidas, os homens buscam uma perspectiva nobre a respeito da natureza do homem e do potencial da vida. (...) Não importa que somente uns poucos em cada geração compreendam e alcancem a realidade plena da verdadeira estatura do homem - e que o restante vá traí-la. São aqueles poucos que fazem o mundo girar e dão à vida o seu sentido - e é a esses poucos que sempre procurei me dirigir. Os outros não me dizem respeito; não trairão A nascente ou a mim: trairão suas próprias almas.

Ayn Rand

Nova York, maio de 1968.

Ayn Rand (A Nascente; págs: 13 e 14)