2 de novembro de 2017

LUTO

Não é surpreendente que quanto mais próximo eu esteja do primeiro aniversário do meu luto, eu ainda sinto a tristeza às vezes, e abrigo um sentimento de que parte de mim foi perdida para sempre. Essa dor fez parte da lembrança e, talvez, também da reconstrução. O que significaria reenquadrar esses significados como sendo de ordem médica? A nova geração de jovens e adultos que afirma ter sido remodelada pela internet e pelo resto dessa era transformacionista de engenharia e tecnologia aplicada, pode não precisar mais, ou não querer mais, o sofrimento do luto para afirmar a sua humanidade, resgatar seus valores mais profundos e enquadrar sua experiência coletiva e pessoal da perda. Eu sempre imaginei que se algo assim acontecesse haveria uma perda daquilo que é humano.

Arthur Kleinman

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