1 de abril de 2022

ENERGIA

- Força de vontade! - retorquiu Arkad. - Bobagem. Você acredita que a força de vontade seja capaz de dar a um homem energia suficiente para erguer um peso que o camelo não pode carregar ou puxar uma carroça que os próprios bois não conseguem levar adiante? A força de vontade não passa de um propósito inflexível para dar conta de uma tarefa a que você mesmo se obrigou. Se eu determinar para mim mesmo uma tarefa, por mais boba que seja, terei de levá-la a cabo. Como poderia de outro modo ter confiança em mim para fazer coisas importantes? Se me dissesse: "Durante cem dias, quando eu cruzar a ponte na cidade, apanharei uma pedra do chão e jogarei dentro do rio", eu o faria. Se no sétimo dia passasse por ali sem me lembrar da resolução tomada, não diria: "Amanhã jogarei duas pedras em vez de uma". Ao contrário, voltaria e atiraria a pedra ao rio. Tampouco seria capaz de me dizer lá pelo vigésimo dia: "Arkad, isso não tem utilidade alguma. Que proveito tem para você atirar uma pedra ao rio todos os dias? Arremesse logo um bom número delas e acabe com isso". Não, também não conseguiria pensar desse modo. Quando me decido por uma tarefa, vou até o fim. Consequentemente, tomo muito cuidado para não começar tarefas difíceis e impraticáveis, porque tenho meu conforto íntimo em alta conta. (...) A riqueza cresce onde quer que os homens empreguem energia.

George S. Clason (O Homem Mais Rico da Babilônia; pág: 32)

31 de março de 2022

AS LEIS QUE GOVERNAM A ACUMULAÇÃO DE RIQUEZA

Você, Arkad, é mais venturoso do que nós. Você se tornou o homem mais rico de toda a Babilônia, enquanto nós lutamos para sobreviver. Pode usar as mais finas roupas e degustar as mais requintadas iguarias, enquanto nós devemos nos dar por satisfeitos se apenas propiciamos à família uma indumentária decente ou a alimentamos da melhor maneira possível. "Contudo, alguma vez fomos iguais. Tivemos o mesmo professor, participamos das mesmas brincadeiras, e nem nos estudos nem nas brincadeiras você se sobressaiu mais do que nós. E nos anos que se seguiram você foi um cidadão tão honrado quanto nós. "Tampouco trabalhou mais duro ou mais assiduamente, pelo menos até onde sabemos. Por que então deveria o caprichoso destino escolhê-lo para gozar de todas as boas coisas da vida e ignorar-nos, a nós que igualmente somos merecedores?"

Após o que Arkad protestou, dizendo:

- Se vocês não adquiriram mais do que uma pobre existência desde os tempos em que éramos jovens, isso se deve a que não conseguiram aprender ou não observaram as leis que governam a acumulação de riqueza. "O 'voluntarioso Destino' é um deus cheio de malícia, que não assegura um bem duradouro para ninguém. Ao contrário, ele traz ruína para quase todo homem sobre quem faz chover ouro não conquistado. Ele produz os gastadores libertinos, que logo dissipam tudo o que recebem e se deixam dominar pelos mais extravagantes apetites, que nem sempre podem satisfazer. Outros ainda, a quem esse caprichoso deus favorece, tornam-se avarentos e entesouram sua riqueza, temendo despender o que têm por saberem que não são capazes de repô-lo. São além disso assediados pelo medo de roubo e acabam construindo para si mesmos uma vida de necessidades e secreta tristeza. "Há provavelmente outros que conseguem dinheiro fácil e o aumentam, sem deixar de se sentirem felizes e abastados cidadãos. Mas são tão poucos que só sei deles por ouvir dizer. Pensem nessas pessoas que de repente se viram herdando uma riqueza e confiram se as coisas não se passam assim."

George S. Clason (O Homem Mais Rico da Babilônia; págs: 23 e 24)

30 de março de 2022

REGRAS DE DAVI

Para jogar pelas regras de Davi você precisa estar desesperado. Precisa ser tão ruim que não tenha outra saída.. Eles sabem que seus times não se encaixam nesse perfil, portanto os jogadores jamais conseguiriam ser convencidos a se esforçar tanto. (...) O esforço pode vencer a habilidade e que as convenções foram feitas para serem desafiadas. Mas os treinadores dos times perdedores não estavam inclinados a ser tão filosóficos assim.

Malcolm Gladwell (Davi e Golias; pág: 38 e 39)

2 de fevereiro de 2022

TRIPÉ DA ANULAÇÃO

Somos, quase todos nós, analfabetos emocionais. Primeiro são os pais, peritos em anular a auto-estima dos filhos e provar que eles não servem para nada; depois a escola, que insiste em mostrar que a criança está lá para se comportar e obedecer e não para desenvolver seus talentos; e, por fim, a religião dá o toque final, castrando nossa felicidade e nos impingindo culpa. Pais, escola e religião formam a base do que chamo de tripé da anulação: um bem-azeitado “sistema de educação” que funciona com tal eficiência e habilidade em produzir pessoas inseguras e frágeis que quase ninguém consegue escapar. (...) Não esqueça que você tem marcado em seu inconsciente (...) um programa de autodestruição que fala alto. Mesmo sem percepção disso, você tende a trabalhar contra suas vitórias, contra você mesmo. (...) A criança veio ao mundo para representar a magnificência do ser humano e para viver com plenitude. É exatamente o que faz nos primeiros meses e anos de sua vida. Mas essa pessoa será paulatinamente destruída no cerne da sua existência. (...) Todo mundo quer ser aceito. O pai, naquele dia, deu atenção ao filho porque estava triste, fez carinho. E a mãe falou: “O que você tem? Está tão tristinho…”. A criança pensa que descobriu a mina e deduz que o negócio é ficar triste. Claro que isso tudo acontece no nível inconsciente. Mas o inconsciente age no consciente sem a percepção do consciente e o que se tem é uma bomba-relógio de efeito tardio que vai minar os seus desígnios de saúde, de sucesso, de alegria de viver. O mais terrível vem quando a criança adoece. Esse é o pior momento para estimulá-la, fazer qualquer tipo de agrado, mas é o que mais acontece. (...) Não podemos fazer festa com estímulos do tipo: “Olhe, hoje você vai assistir televisão até mais tarde, mas só porque está doente, viu?” (...) No afã de fazer de seus filhos os melhores, acabam exigindo demais, exaltando suas falhas, corrigindo sempre seus erros e fracassos e talvez achando que algumas de suas vitórias, como acordar cedo, não faltar à escola, dar conta das tarefas escolares, enfim, fazer as coisas certas, é obrigação deles. Enaltecem somente seus erros e fracassos. E fazem isso com a voz carregada de emoção, de forma áspera, o que gera adrenalina, fixando para sempre o erro e o fracasso em sua memória. (...) Os acertos, quando enaltecidos, são colocados para a criança com calma e equilíbrio, sem provocar o derramamento de adrenalina em sua corrente circulatória - o que marcaria fisiologicamente esses acertos em sua memória.

Nuno Cobra (A Semente da Vitória; págs: 48, 49, 50, 51 e 72)