7 de maio de 2020

FAZER SEMPRE DA POSTURA NORMAL A POSTURA DE COMBATE E VICE-VERSA

Manter correta a postura do corpo é de suma importância: trazer a cabeça erguida, sem se inclinar para a frente, para trás ou para o lado, e não se encolher. Os olhos devem estar firmes, a fronte sem rugas, apenas as sobrancelhas levemente franzidas, mantendo firmes os globos oculares e fechando um pouco os olhos para não pestanejar - a feição descontraída, o nariz reto, o queixo ligeiramente avançado. Conservar reta a nuca, deixando a força distribuir-se por igual dos ombros ao resto do corpo. Com os ombros desembaraçados, a coluna vertebral reta, sem avançar o traseiro, não tensionar a parte do corpo que vai dos joelhos até a ponta dos artelhos nem forçar a barriga para a frente, a fim de evitar que os quadris se curvem. Em resumo, o essencial é fazer sempre da postura normal a postura de combate e vice-versa. Isso é o que importa.

Musashi (O Livro dos Cinco Anéis; págs: 75 e 76)

MANTENHA O ESPÍRITO EM EQUILÍBRIO

Segundo os mandamentos da arte militar, o estado espiritual de um combatente não deve ser diferente daquele da vida normal. Tanto nas situações mais comuns da vida cotidiana como nos momentos de praticar a arte militar, o seu estado de espírito não deve ser alterado. Mantenha o espírito aberto, reto, sem tensão excessiva nem relaxamento, em perfeito equilíbrio. Aja com tranquilidade, tendo o cuidado de evitar a paralisação, ainda que por um único instante. O espírito deve se manter dinâmico e livre. Mesmo quando o corpo está em repouso, o espírito não deve relaxar, e, no momento em que o corpo estiver agitado, o espírito deve manter-se atento, não se deixando levar pelo corpo. O corpo não segue o espírito, e o espírito não acompanha o corpo. Preste atenção ao espírito, mas não ao corpo. Não deixe nada fora do alcance do espírito, mas mantenha-o sereno, sem excesso de ânimo. Mesmo que na aparência o espírito se apresente fraco, no fundo ele deve ser forte. Mantenha seu espírito sempre inescrutável para os outros.

Musashi (O Livro dos Cinco Anéis; pág: 74)

O ESPÍRITO DO VÁCUO

Desde que se adquire determinado conhecimento ou teoria, é preciso desprender-se dele: conquistar a razão e dele afastar-se. Nos mandamentos da arte militar, encontro minha liberdade e consigo um poder superior ao dos outros. Chegado o momento propício, conheço o ritmo. Essa é a única maneira de alcançar o estágio espiritual no qual é possível esquecer que se tem uma espada na mão, e a espada não sente a mão. Eis no que consistem os mandamentos do Vácuo.

Musashi (O Livro dos Cinco Anéis; pág: 60)

MIYAMOTO MUSASHI

Ele simboliza o esforço máximo feito por um homem para realizar-se mediante o desenvolvimento integral e harmonioso das forças do corpo e do espírito, da proficiência física e da busca espiritual. Até os 29 ou 30 anos, buscando aperfeiçoar sua arte, levou vida aventurosa de rônin - samurai sem suserano que, por não estar ligado a nenhum feudo, perambulava pelo país ao sabor de duelos e trabalhos esporádicos.

Musashi (O Livro dos Cinco Anéis; págs: 15, 16 e 26)