1 de julho de 2012
ERA BOM
A luz do Sol no jardim
Perde a suavidade e fica gelada,
Não podemos capturar o minuto
Dentro da sua rede de ouro,
Quando tudo já foi dito
Não podemos implorar perdão.
Nossa liberdade como freelancers
Caminha para o fim;
A terra atrai impiedosa
Sonetos, e pássaros descem;
E logo, amigo,
Não teremos tempo para danças.
O céu era bom para voar
Desafiando os sinos das igrejas
E todas as cruéis sereias
de ferro e o que eles dizem:
a terra chama,
Estamos morrendo, Egito, morrendo.
E sem esperar perdão
De novo enrijecido em terra,
Mas feliz por ter se sentado sob
Trovões e chuva com você,
E agradecido também
Pela luz do Sol no jardim.
Louis MacNeice
30 de junho de 2012
MORTE É MORTE
Sua lógica, amigo, é perfeita,
Sua moral, tristemente verdadeira;
Mas desde que a terra se fechou sobre o caixão dela,
É isso que eu ouço, não o que você diz.
Console-me, se quiser, posso suportar,
É uma esmola bem-intencionada de palavras;
Mas nem todos os sermões, desde Adão,
Fazem a Morte ser diferente da Morte.
Judith Viorst (Perdas Necessárias; pág: 246)
Sua moral, tristemente verdadeira;
Mas desde que a terra se fechou sobre o caixão dela,
É isso que eu ouço, não o que você diz.
Console-me, se quiser, posso suportar,
É uma esmola bem-intencionada de palavras;
Mas nem todos os sermões, desde Adão,
Fazem a Morte ser diferente da Morte.
Judith Viorst (Perdas Necessárias; pág: 246)
CONEXÕES IMPERFEITAS
Na meia-idade, naqueles anos entre os trinta e cinco e os quarenta e cinco ou cinquenta, aprendemos que muitos sonhos não se realizam. Muitas coisas que desejávamos não recebemos dos nossos pais. Chegou a hora de reconhecer e aceitar o fato de que nunca as teremos. No seu estudo sobre famílias, Featherstone observa que, "constantemente, surpreendo-me ao verificar a capacidade das pessoas para se dar ou se recusar, dentro dos próprios termos". Mas na meia-idade, quando nossa mãe e nosso pai começam a ficar doentes, podemos rever aqueles... termos de afeição. Pois, agora, o mundo pertence à nossa geração - não à deles -, e vemos como era pouco o poder que possuíam: não conseguiam nos amar com perfeição. Não nos compreendiam completamente. Não nos protegiam da dor e da solidão - e da morte.
Vemos que eles tinham pouco poder, e nós agora, também, para construir pontes resistentes por sobre os abismos que nos separam. Abandonando nossas vãs expectativas, como pais e filhos, esposos e amigos, aprendemos a agradecer até pelas conexões imperfeitas.
Judith Viorst (Perdas Necessárias; págs: 239 e 240)
A AULA DA INQUIETAÇÃO COM MIGUEL NICOLELIS - 2009
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