13 de novembro de 2011

QUANDO CONHECERMOS A LEI MELHOR DO QUE ELES


Os apelos emocionais não adiantam: "Por favor, não cortem as lindas árvores, não estraguem a paisagem, não deixem os animais morrerem." Isso nada significa para os homens do governo. E a violência também não adianta: "Defenderemos as árvores até o fim, atiraremos em vocês se tentarem destruir a floresta." Isso só servirá para que o exército seja acionado, a fim de proteger a derrubada. Só a ação legal poderá deter o governo. Quando conhecermos a lei melhor do que eles, quando souberem que podemos levá-los aos tribunais e ganhar, quando pudermos provar que estão violando os regulamentos federais, então a derrubada será impedida.

Richard Bach (A Ponte Para o Sempre; págs: 417 e 418)

1 de novembro de 2011

ELA...


 
Pelo acaso nos encontramos, por pouco em meio ao caos passei a te amar. No que eu não espero é que venho a te querer, e reescrevendo, ficamos juntos. Em contradição nos beijamos e fica-se assim sem entender... Nessa carência de quem ama é que te tenho mais perto e assim sonhamos juntos nessa imprevisibilidade amorosa... Nos eternizamos no embaraçoso momento fugaz que estamos juntos, e é na indefinição que de alguma forma nos aturamos. No efêmero, na nostalgia, na magia, na poesia, no encanto, nesse conto, nesse olho existimos um no outro, ontem e depois...
 
Diego Cosmo

VOCÊ E O SEU RETRATO


Por que tenho saudade
de você, no retrato,
ainda que o mais recente?
E por que um simples retrato,
mais que você, me comove,
se você mesma está presente?
Talvez porque o retrato,
já sem o enfeite das palavras,
tenha um ar de lembrança.
Talvez porque o retrato
(exato, embora malicioso)
revele algo de criança
como, no fundo da água,
(um coral em repouso).
Talvez pela ideia de ausência
que o seu retrato faz surgir
colocando entre nós dois
(como um ramo de bortênsia).
Talvez porque o seu retrato,
embora eu me torne oblíquo,
me olha, sempre, de frente
(amorosamente).
Talvez porque o seu retrato
mais se parece com você
do que você mesma (ingrato).
Talvez porque, no retrato,
você está imóvel
(sem respiração...)
Talvez porque todo retrato
é uma retratação.

Cassiano Ricardo