3 de maio de 2010

DESENRAIZAR-SE

Atlas


O novo santo, propuseram [Simone] Weil e [Dietrich] Bonhoeffer em vidas e vocabulários distintos, teria que abrir mão do conforto de todos os rótulos, até mesmo do que lhe seria mais caro, o do próprio cristianismo. Em seu prefácio a Waiting for God, Leslie A. Fiedler explica assim essa terrível posição:

"Associar-se ao contexto de uma religião particular, sentia ela, teria por um lado exposto Weil ao que ela chamava de "patriotismo eclesiástico", com a conseqüente cegueira para as falhas do seu próprio grupo e as virtudes dos outros; por outro, teria separado Weil da condição dos seres comuns aqui embaixo, que permanecemos todos "alienados, sem raízes, em exílio". O mais terrível dos crimes é colaborar com o desenraizamento de outras pessoas num mundo já por si mesmo alienado; porém a maior das virtudes é desenraizar-se por amor ao próximo e a Deus. "É necessário desenraizar-se," escreve Weil. "corte a árvore, faça dela uma cruz e carregue-a para sempre".


Paulo Brabo (A Bacia das Almas; pág: 301)

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