4 de maio de 2017

O ESPAÇO-TEMPO EXISTENCIAL

Por: Diego Cosmo

Se diz que a arte é a única forma de extrapolarmos a mera forma de existir, de vermos ou sentirmos algo que de outra forma não poderíamos experimentar, simplista. Aquela frase que diz "nada do que é humano me é estranho", merece mais atenção. Talvez por desprezarmos, na maioria das vezes, o potencial humano somos inclinados a achar que o que tenha uma estética mais lúdica por si só seja algo a mais do que qualquer cotidiano por aí. Tudo o que temos é a consciência, isso é o que, a grosso modo, nos faz diferentes de muitas coisas, nos movendo sob o fundo dos pontos que conseguimos ligar ultrapassamos existencialmente o espaço-tempo, nos transformamos, nos impulsionamos em direção aquilo que dar sentido ao existir, sem precisar de nada além do que o simples viver. Tudo constrói a consciência, da frustração ao êxtase experimentado, da inércia da roda viva à toda racionalidade emocionalizadamente encarnada, nada disso se dá fora da condição em que já estamos, de nossa inerente percepção. O que há de mais artístico nasce do comum que vivemos. A vida nem se quer é tão acertada quanto a morte o é e mesmo assim insistimos em viver como se não fossemos morrer. Não há fantasia que nos salve de nossas limitações e a inexorável finitude da vida. O que há são brincadeiras, sangue e cachaça. Já estamos sepultados em nosso próprio corpo e tempo.

Nenhum comentário: