8 de maio de 2017

NOSEDIVE

Por: Diego Cosmo
Black Mirror (3º Temporada|1º Episódio)

A constante avaliação de tudo e todos parece fazer parte, cada vez mais, do modo que lidamos com o bem-estar nosso e do outro. Por já vivermos, em boa medida, numa sociedade informacional em que tudo comunica, cada interação carrega em si a justificativa para uma avaliação. A aceitação dos que estão ao nosso redor como influência da nossa auto-estima é compreensível e aceitável em certa medida, afinal, somos seres sociais, animais políticos. A partir do momento em que a aceitação ou não dos outros passa a, definitivamente, determinar o índice de felicidade, sobretudo dos que nem se quer conhecemos, podemos dizer que estamos sob o tacão de tudo, menos de nós mesmos, perder a singularidade e o próprio caminho são características de quem, radicalmente, aceitou ser e agir politicamente correto, segundo o status quo.

A questão da busca por ser aprovado não é nova, remete aquela velha história do jovem que quer ser popular no seu grupo, vemos esses dramas encontrarem reconfigurações também no espaço digital, o consumo, o estilo, a linguagem, etc., que tais jovens por si só não comprariam, o compram em nome da potencial aprovação social, e casos assim sempre se repetirão desde que a necessidade de ser aprovado exista, necessidade essa que suspeito ser inerente ao ser humano. Nos superficializamos em nome de expressarmos determinada imagem que julgamos ser o meio para obter certa aceitação social, sendo verdade ou não a nosso respeito. Vendemos nossa individualidade ao comprarmos algum passaporte para o reconhecimento do que nos envaidecemos em ter. A imagem enseja uma maior carga informativa|cognitiva, talvez isso explique o sucesso de aplicativos como o Instagram que viraram verdadeiras plataformas para se dizer ao mundo que estilo de vida você tem.

Comprar a lógica de ascensão social implica encenar determinado papel. Ganhar as massas é prova cabal de que você é, de algum modo, superior aos demais mortais, basta ver o que ensaia o cenário de quando olhamos para alguém que conhece de perto algum famoso. Geralmente é dramático sair dessa dinâmica de valores. Sair do jogo da ciranda dos números, por exemplo, colocar a sinceridade antes do pudor excessivo condicionado pelo dito politicamente correto tem seu preço. Mas vale a pena.

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