15 de maio de 2017

CENSURA PUBLICITÁRIA


Às vezes não entendo por que não podemos falar nos comerciais e anúncios como a gente realmente fala - bom, há órgãos do governo que nos impedem de falar como falamos realmente e suponho que isso encerra a questão.

Um dos maiores problemas que todas as agências têm é a dor de cabeça da censura. Simplesmente não há razão para isso. A censura, qualquer tipo de censura, é pura cisma, puro capricho. É a noção que um cara tem do que é certo para ele. Baseia-se somente na arbitrariedade. Não há regras, não há parâmetros, não há leis. O problema é que o Código da National Association Of Broadcasters muda toda semana; toda semana uma nova diretriz é publicada pela NAB. Está ali para impedir que o fabuloso público norte-americano seja ofendido. A censura é sinônimo apenas dos preconceitos de cada um. Se você fizer alguma coisa que seja realmente de mau gosto, você vai sair do ar - quer dizer, vai sair do ar porque as pessoas vão parar de comprar o seu produto. Ele vai morrer, mas que seja com o próprio veneno. Quem sou eu para dizer que aquele negócio é de mau gosto?

Há uma ponta clássica de Lenny Bruce em um filme: ele está fazendo o papel de um pai conversando com o filho enquanto ambos assistem a um filme pornográfico. Bruce diz:

- Filho, não posso deixar você assistir a isso. Isso aí é um filme de um casal transando, e isso é horrível, sujo, repugnante. Filho, vou tampar os seus olhos agora. Aquele homem vai beijar aquela mulher e eles vão transar e vai haver prazer e tudo o mais, uma coisa horrível, não é para você ver enquanto não tiver ao menos 21 anos. Em vez disso, filho, vou levar você para assistir a um belo filme de guerra. Certamente podemos assistir a um filme de guerra do John Wayne, em que há sangue, tripas de fora, chacinas e tudo mais. Porque alguém chegou à conclusão de que este você pode ver, filho.

Jerry Della Femina (Mad Men - Comunicados do Front Publicitário; págs: 41, 205, 206, 212, 216 e 217)

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