21 de julho de 2016

VAMOS TODOS FINGIR




Tem alguém aqui preparado para dizer
Somente o que eles realmente querem dizer ou já é muito tarde?
Para qualquer um aqui que tentar fazer
Somente o que é necessário para alcançar você

Então vamos todos fingir
Que ainda somos amigos e gostamos uns dos outros
Vamos todos fingir
Que, no fim, vamos precisar uns dos outros

Mate minha esperança e faça-me rezar
Para um Deus que eu nunca vi, mas que eu traí.
Pelo povo que vive a vida após a morte
Em um lugar ao qual eu nunca irei até ser crucificado.

Então vamos todos fingir
Ainda somos amigos e gostamos uns dos outros
Vamos todos fingir
Que, no fim, vamos precisar uns dos outros
Vamos todos fingir
Que a humanidade vai alimentar nosso irmão
Vamos todos fingir
Que no fim vamos todos amadurecer.


Oasis (Let's All Make Believe)

15 de julho de 2016

NIGHTWISH


01 - Elvenpath - [Angels Fall First: 1997]
02 - Beauty And The Beast - [Angels Fall First: 1997]
03 - Nymphomaniac Fantasia - [Angels Fall First: 1997]
04 - Know Why The Nightingale Sings - [Angels Fall First: 1997]
05 - Stargazers - [Oceanborn: 1998]
06 - Gethsemane - [Oceanborn: 1998]
07 - Devil And Yhe Deep Dark Ocean - [Oceanborn: 1998]
08 - The Riddler - [Oceanborn: 1998]
09 - Walking In The Air (Theme From The Snowman) - [Oceanborn: 1998]
10 - Sleeping Sun - [Oceanborn: 1998]
11 - Wanderlust - [Wishmaster: 2000]
12 - Wishmaster - [Wishmaster: 2000]
13 - Crownless - [Wishmaster: 2000]
14 - Deep Silent Complete - [Wishmaster: 2000]
15 - Over The Hills And Far Away - [Over The Hills And Far Away: 2001]
16 - Away - [Over The Hills And Far Away: 2001]
17 - Bless The Child - [Century Child: 2002]
18 - End Of All Hope - [Century Child: 2002]
19 - Slaying The Dreamer - [Century Child: 2002]
20 - Phantom Of The Opera - [Century Child: 2002]
21 - Dark Chest Of Wonders - [Once: 2004]
22 - Wish I Had An Angel - [Once: 2004]
23 - Nemo - [Once: 2004]
24 - Dead Gardens - [Once: 2004]
25 - The Wayfarer - [Highest Hopes - The Best Of Nightwish (CD 2): 2005]
26 - Amaranth - [Dark Passion Play: 2007]
27 - Cadence Of Her Last Breath - [Dark Passion Play: 2007]
28 - For The Heart I Once Had - [Dark Passion Play: 2007]
29 - Storytime - [Imaginaerum: 2011]
30 - Turn Loose The Mermaids - [Imaginaerum: 2011]
31 - The Crow, The Owl And The Dove - [Imaginaerum: 2011]
32 - Shudder Before The Beautiful - [Endless Forms Most Beautiful: 2015]
33 - Elan - [Endless Forms Most Beautiful: 2015]
34 - Edema Ruh - [Endless Forms Most Beautiful: 2015]

7 de julho de 2016

EU SOU O GRANDE FINGIDOR


Freddie Mercury

Oh sim, eu sou o grande fingidor
Fingindo que estou bem
Minha necessidade é tanta que eu finjo muito
Estou sozinho mas ninguém percebe

Oh sim, eu sou o grande fingidor
À deriva no meu próprio mundo
Eu jogo o jogo mas para minha vergonha
Você me deixou aqui sonhando sozinho

É tão real esse sentimento de faz-de-conta
É tão real quando sinto o que meu coração não consegue esconder

Oh sim, eu sou o grande fingidor
Sorridente e alegre feito um palhaço
Eu pareço ser o que eu não sou (você vê)
Estou usando meu coração como se fosse uma coroa
Fingindo que você ainda está por perto


The Platters (The Great Pretender)

A ZONA

Pedro Rizzo

Rizzo lutou bem nas duas derrotas para Couture, mas deixou o octógono abalado na segunda vez. Competitivo ao extremo, ele detesta quando lhe dizem que perder faz parte do jogo, ainda mais quando sente que teve a chance de vencer. Na maioria dos esportes, o atleta vive um tempo relativamente curto entre competições. Um tenista, por exemplo, em geral tem um torneio a cada uma ou duas semanas, o que significa uma chance de se recuperar logo de uma derrota. No MMA às vezes são quatro, cinco meses lidando com o último fracasso até ganhar uma nova oportunidade. Quando não sabe suportar esse período angustiante, o lutador pode começar a perder o próximo combate antes de subir no octógono. Ou viver o que aconteceu com Rizzo. Os elogios que ouvia - ainda mais depois da vitória sobre o bom bielorrusso Andrei Arlovski no UFC 36 - agora lhe faziam mais mal do que bem. Passou a encará-los como cobrança, sem se dar conta de que a cobrança mais impiedosa vinha de si mesmo. Não enxergava mais o público como pessoas que tinham ido ali para se divertir em uma noite de sábado, mas como fãs que chegavam para assistir a uma vitória dele. "Em vez de eu pegar essa idolatria e me motivar, eu fiz o contrário. Eu pensava: 'Caraca, não posso perder.' E dizer 'não posso perder' é o primeiro passo para o abismo. Se você não luta pra frente, você luta pra não perder. Se você luta pra não perder, você só se defende ou contra-ataca. E aí você perde. Foi o que aconteceu comigo. Tive o sucesso nas mãos e dei mole", conta Rizzo. São demônios internos que convivem com todos os lutadores, mas poucos têm coragem de revelá-los.

"Se você perde duas seguidas, o pessoal acha que você está acabado."

Há poucos exemplos melhores do que o de Pedro Rizzo para ilustrar a montanha-russa emocional e a profusão de conflitos internos que fazem parte da vida de um lutador de MMA. Quando a porta do octógono se fecha, o trabalho de uma equipe de treinadores, preparadores físicos e nutricionistas está encerrada. Além do adversário, o lutador precisa enfrentar também suas inseguranças. A maioria deles reporta aumento da transpiração e da tensão muscular. A percepção visual também fica mais aguçada, completando um quadro clássico de descarga de adrenalina no sangue. "Esse esporte é mais de 50% mental", afirma Murilo Bustamante. Um atleta só consegue render o máximo se estiver bem-resolvido do ponto de vista emocional, apontam treinadores e especialistas. Exemplo de agressividade e destemor, Wanderlei Silva diz que o lutador que se apequena dentro do octógono tem tudo para sair de lá massacrado. "Diante do público, o cara tem que crescer, tem que fazer o que está preparado para fazer. Precisa se concentrar e ao mesmo tempo ficar tranquilo, não se ater muito ao tamanho do show. Senão fica nervoso mesmo", diz. Em outras palavras, Wanderlei está dizendo que o lutador de MMA precisa encontrar um estado mental chamado pelos psicólogos do esporte de "a zona", que pode ser definido como uma "concentração relaxada" ou um "relaxamento concentrado". Em esportes de risco, esse é o melhor caminho para que o atleta atue no "automático", ou seja, faça o que treinou sem realizar um grande esforço mental.

Nesse aspecto, o MMA tem uma peculiaridade ausente inclusive em outras modalidades de luta, como o jiu-jítsu e o judô. É como se o público desse esporte esperasse que o atleta não estivesse em cima do octógono apenas para vencer, mas para dar demonstrações de coragem e até de heroísmo. Por mais técnico e vitorioso que seja, um lutador cauteloso corre o risco de ser vaiado. Minotauro, por sua vez, não se tornou ídolo apenas por suas vitórias, mas pela incrível capacidade de manter a agressividade mesmo apanhando. O torcedor padrão de MMA aceita que o lutador tenha medo, mas não que se acovarde. Considerado instável emocionalmente por alguns colegas e treinadores, Vitor Belfort acredita que o medo funciona como um controlador de limites no esporte. "Os sentimentos têm que ser controlados porque o medo em excesso se torna temor e te paralisa, mas, se o cara não tem medo, ele é um inconsequente e vai se machucar feio", diz.


Fellipe Awi (Filho Teu Não Foge à Luta; págs: 275, 276, 278, 279 e 280)

EQUIPE

O modelo de equipes, estimulado na Japão, se revelou inviável no UFC de Dana White. "De certa forma, a equipe nos dava certo controle na formação dos cards. Se você tem dois, três campeões, imagine a sua força para negociar. Mas, quando se está sozinho, é um cara contra uma instituição. Eles preferem assim", opina Bebeo Duarte. No UFC atual, o lutador, claro, pode pertencer a uma academia, mas sua comissão técnica normalmente é formada por profissionais de diversos lugares. O enfraquecimento das equipes, em especial das brasileiras, não se explica apenas pelo modelo do UFC - ele simplesmente lançou novos elementos para agravar as divergências internas. Os lutadores queriam mais independência para escolher sua equipe e negociar os contratos.


Fellipe Awi (Filho Teu Não Foge à Luta; págs: 249 e 250)

AUTOBIOGRAFIA DE UMA ANGÚSTIA

Por: Diego Cosmo

Uma dose dupla de detalhes em homenagem a minha dor. No plural em referência aos olhos. A perspectiva do zoom é resignificante. Num horizonte à vista há esses dois mares. Muita beleza e tragédia pairam e caem do ar na insanidade de um sorriso lagrimoso. A falta de sentido, mãe da liberdade, nos convida a ensaiar o voo livre que por sua vez fez a liberdade vomitar em nossas mãos as rédeas da nossa própria existência que se impõe sem bater na porta e sem essência nenhuma que nos ajude. O homem não veio do barro mas sim do barroco. Que a velhice queime ao fim do dia em nome da luz que se finda, que o espectro do olhar melancólico e lúcido de quem se depara com a pupila dilatada da morte nos advirta. A propósito, minhas considerações aos bipolares, eles são mais coerentes do que supõe nosso charme. Somos caos, não que todo o esforço da dita ordem seja uma negação, é só uma tentativa de levarmos melhor a crueza de certas facetas. Um relógio em busca das horas que nunca saberá e que jura poder saber um dia. Mas é válido. Afinal, nada mais assombroso do que o desconhecido. O teatro barato da mais fina racionalidade não nos foge o caráter tanto quanto a mais lambuzada emocionalidade. No jogo revelamos os lados de um suposto puritanismo calcado no mais divino profanismo. Nos encontramos na puberdade da humanidade, a vantagem é a energia brilhante do idealismo. A honra da selvageria de nossos impérios ruem ao lampejo do grande messias, longe de pudor, o amor. No qual ainda não aprendemos a lidar. A utopia é acreditarmos sermos capazes e milagres acontecem de verdade. Uma boa notícia. O que colore a vida é tão palpável quanto nossas memórias. Memórias de sangue que nos constrói e destrói. A consciência é uma arma a borbulhar, um caminho sem volta, a mordida proibida, no qual somos todos convidados pela atraente e indisfarçável transgressão. Fadados estamos de modo a criarmos certa empatia pelo status quo, todo o inevitável nos assusta. A morte é o melhor lembrete, ela está em nós como a vida está, eis a tragédia humana. Tudo passa, até a vida. Até a mais bela vida alcança a morte. Não há grande felicidade que escape da frustração que a aguarda. Não há tristeza que a felicidade não pague. Quanta construção e desconstrução uma vida suporta? Quantos encontros e desencontros? É o que dá tempo, andar tropeçando, a diferença é que com o tempo vamos ficando mais criativos em fazermos das quedas passos mais elegantes. Sempre nos falta algo, sempre iremos nos arrepender, a escolha é excludente, e sempre esquecemos que o sempre nem sempre é sempre. A vida nos suplica calma, sacaneia, agracia, agride, queima, gela e até nos presenteia. No fim a gravidade nos lembra mais uma vez pra onde estamos indo. No qual sabemos apenas duas coisas: Nada e porra nenhuma. Daqui ninguém sai, no pior das hipóteses, eterniza-se na natureza. É um palpite. Transcendemos a nós mesmo ao ponto de nos angustiarmos por conta própria. Diante do fim que sinaliza, o desafio é fazer a vida ser um fim em si mesmo em pouco tempo, eis a sabedoria humana. Nos falta estrutura ou ignorância? Quero um dia ter o privilegio de não ter muito a necessidade de respostas e apreciar melhor as perguntas que vem da poesia, assim, talvez, me sinta um verdadeiro sábio, até lá sirvo a essa minha inquietude que sabe um dia traído se encontrará pelo tempo que hoje é meu amigo. Não acredito no ceticismo... O diabo já não me convence no conto da imortalidade.