14 de abril de 2016

HUSH-A-PHONE


O Hush-A-Phone não era muito popular e mostrava poucos sinais de que iria pegar. Para entender a reação exagerada da AT&T como algo mais que simples neurose, é preciso analisar o dispositivo não pelo que ele era, mas pelo que representava: uma ameaça ao sistema e, por extensão, a um método consagrado de inovação. O dispositivo em si não representava ou pronunciava uma intolerável perda de controle. Poderia não dar certo, mais iria estimular as pessoas a acoplar outros objetos ao telefone e a considerar a sagrada tecnologia da Bell algo em que qualquer um podia pôr a mão. Talvez até levasse a um futuro em que as pessoas comprassem seus próprios aparelhos telefônicos!

Chegamos então à segunda fraqueza que aflige os sistemas de inovação centralizados: a necessidade, por definição, de manter o controle em poucas mãos. Isso não significa que essa prática seja nociva. Na verdade, há menos "desperdício": em vez de dez empresas competirem para desenvolver um telefone melhor - sempre reinventando a roda, por assim dizer -, os recursos da sociedade podem ser sincronizados na busca de um objetivo comum. Elimina-se assim a duplicação de pesquisas, com vários laboratórios empenhados na mesma invenção. Inovação é mais um processo de tentativa e erro. Assim, se tudo for confiado a uma só cabeça, é inevitável que distorções subjetivas irão desvirtuar, se não até impossibilitar, o processo de inovação. As inovações mais rápidas e eficientes costumam acontecer quando uma grande gama de variações é proposta, e a mão invisível da competição escolhe entre elas, como uma procuradora do futuro.


Tim Wu (Impérios da Comunicação; págs: 138, 139 e 140)

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