9 de setembro de 2015

O PULO DO GATO DE NIZAN GUANAES E O EFEITO-CASCATA

O verdadeiro produto que Nizan Guanaes entrega, além da propaganda comezinha, é uma grande repercussão editorial de suas campanhas na mídia, articuladas por uma equipe própria de divulgação para uma rede de veículos, jornalistas e blogueiros - sempre os mesmos, ávidos por publicar qualquer coisa que se refira a ele ou as empresas de seu grupo. É o seu pulo do gato.

Tudo começa na chave-mestra criada para disseminar a informação: um modelo existente há pelo menos vinte anos e que segue o mesmo ritual para que se obtenha o efeito-cascata. Inicia-se nas colunas sociais de publicações diárias na grande imprensa e nos veículos de entretenimento, de jornais diários a blogs de grande audiência, assinados por colunistas nos grandes portais, sites de celebridades - todos eles capazes de espalhar a informação rapidamente para um segundo nível, as páginas das redes sociais. São utilizados microblogs, como o twitter, e redes de relacionamento, como o facebook, e daí parte-se para blogs pessoais de profissionais que cobrem o mercado publicitário ou trabalham em agências e seguem até as páginas de personalidades envolvidas nas campanhas publicitárias, seus assessores e grupos de fãs organizados em clubes ou redes sociais.

O tratamento dado ao primeiro time de jornalistas, aqueles que serão fundamentais para que se obtenha o efeito desejado, é simples: oferecer permanentemente, com exclusividade, uma série de mimos, se podem ser chamados assim. Entrevistas exclusivas com Nizan e alguns executivos-chave do grupo, como seu sócio João Augusto Valente, convites para as melhores festas da cidade ou mesmo no Brasil, passagem e estadia internacionais para cobrir de festivais de publicidade ao Carnaval na Bahia e no Rio de Janeiro. Ou simplesmente ouvir - e publicar, claro - algo especial que seja dito por Nizan em um paraíso tropical como Saint Barth - a paradisíaca Saint Barthélemy, no mar do Caribe - Paris ou Nova York.

Certamente, tudo isso faz com que os poucos eleitos - jornalistas, tuiteiros ou blogueiros, alguns já se considerando em grau de celebridade - se sintam integrantes do círculo íntimo de um poder aparentemente cheio de glamour, no qual pululam atores globais, músicos, esportistas e apresentadores da TV. Ou seja, o mundo das celebridades. É esse o ponto em que a propaganda criada por Nizan Guanaes e sua equipe se concentra, como forma de turbinar o velho anúncio e transformá-lo em algo que, hoje, no mundo da informação que corre nos trilhos do sistema binário, se torne ainda mais rápido e ganhe ares de importância, apesar de descartável e irrelevante.


João Wady Cury (Enquanto Eles Choram, Eu Vendo Lenços; págs: 49, 51 e 52)

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