9 de setembro de 2015

FOTO ANTIGA

Por: Diego Cosmo

O tempo mexe muito comigo todos os dias. Tenho no ato de ver fotos antigas uma experiência nostálgica sem tamanho, para além do espaço-tempo como o pude sentir, me consumo num misterioso sentimento de luto. Ensaio um nó na garganta enquanto sinto o lado feroz do tempo, é também quando percebo com uma consciência agoniante o quanto o tempo é o que me resta desde que nasci. Costumo pensar que o tempo é relativo, e é, mas costuma me fugir justamente a parte mais palpável, um lado que só é possível sentir ao olhar para trás: o real e irremediável esvair da vida. Ver uma foto antiga é me deparar com um espectro que me espia durante o tempo todo, sussurra, convida ao passado de uma forma irresistível como o canto da sereia, se fosse possível iria com a maior das vontades visitar nem que fosse por um segundo, aproveitar esse passado com uma vivacidade pulsante, não tenho dúvidas de que olharia para o mundo de uma forma indescritível, o contemplaria de modo que nem me reconheceria e isso é curioso... Se ver no passado é um eterno caso de amor em todos os conceitos já intelectualizado pelos pensadores.

Ao sentir tudo isso, parece um esboço do fim a me acenar, facilmente a perco de vista, são apenas lapsos de uma, ainda, ilusão. Ainda há, teoricamente, pela frente, muita estrada, porém já ficam os sussurros a me convidar diariamente ao bom combate, até lá, naveguemos. Um dia serei e me resumirei apenas e somente a uma foto antiga vista por desconhecidos que, como eu, terão o mesmo destino. Portanto, que o sorriso não seja sem graça... A vida demanda coragem, a fé é opcional.

X!

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