9 de setembro de 2015

FATALISMO PSICOPATA

Por: Diego Cosmo

Devo confessar... É incabível entender as mazelas do mundo, como qualquer outros acontecimentos, como cumpridoras de destinos traçados que estão até mesmo para além de nosso campo de ação. É de uma, no mínimo, insensibilidade grotesca, ver em quem foi assassinato por engano, nas crianças estupradas, nos mortos por assalto, nos acidentes e nas demais infinitas formas de dor, na qual estamos a mercê, uma lógica, uma justificativa sobrenatural que nem sequer temos, necessariamente, consciência. Acreditar que o desenrolar da história tem um sentido/destino pré-estabelecido ou pronto é uma covarde e exacerbada tentativa de fazer o mundo fazer total sentido. Na realidade, compreender o mundo dessa forma é justamente tirá-lo completamente o sentido, existencialmente falando, pois, assim, nos assumimos como apenas meios para que uma determina história (a da humanidade) se cumpra como, supostamente, já está determinada. Qualquer ideia fatalista trás em si uma crueldade sem tamanho e é psicopática em frente a realidade como a vivemos. Se fossemos delinear uma persona para tal fatalismo, só seria possível desenharmos um ser completamente conformado com o andar dos fatos, tranquilo e indiferente com o que quer que acontecesse ao seu redor e no mundo, porque reconheceria nos acontecimentos nada mais do que o justo para que determinado fim fosse um dia vingado. Se tudo o que acontece, acontece porque tem que acontecer, só me resta aceitar as coisas como elas são... Para a liberdade ser experimentada, antes de tudo, é preciso coragem. Aceitar que há um lado cru, imperfeito e débil na natureza humana é um passo.

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