9 de julho de 2015

CRÍTICA AO CAPITALISMO QUE EXPERIMENTAMOS

Por: Diego Cosmo

Segue um diálogo de um compilado de trechos de alguns livros e citações:


CORPORAÇÃO E DEMOCRACIA

"Quando se gasta dinheiro para conseguir um cargo público, naturalmente se espera que os compradores comecem a tentar ganhar com a transação." - Aristóteles

Haviam leis e ainda há que servem para uma certa regulamentação dos negócios mas por que essas leis não funcionam plenamente e tem diminuído? Simples, as corporações tem se tornado tão poderosas que tem obtido cada vez mais poder de barganha e influência na administração do Estado e aqui, política, vamos resumir o nosso entendimento, a um jogo para se ganhar poder ou preservar o que já tem. Nisso reside um risco considerável visto que as corporações tem por finalidade metas que, em geral, não tem um caráter universalizador. Um problema sútil que tem se materializado é o Estado se apequenar em frente a instituições que tem o potencial de mandar no próprio Estado. Quando uma empresa é muito poderosa, seguir as leis é só uma questão de custo-benefício, como em qualquer outra questão.

Bruce Welling diz que para a corporação: "uma atividade proibida não é inibida pela ameaça de uma multa enquanto os lucros previstos para essa atividade superarem o valor da multa multiplicada pela probabilidade de ser detido e condenado". Para Kernaghan, uma corporação: "tende a ser mais rentável na medida em que consegue fazer outras pessoas pagarem as contas de seu impacto na sociedade". Essa lógica egoísta das corporações nem sempre geraram bons frutos, convenhamos que também seja da natureza humana ter um lado materialista e egoísta, contudo você a de concordar em que nortear todo um sistema sociopolítico baseado somente nessa única parcela do conjunto de elementos que nos formam como seres humanos, enquanto a sociedade funciona de forma dinâmica e interdependente, é no mínimo uma insanidade, articulada e defendida por uma minoria.

"O modelo de corporação contido em centenas de legislações corporativas ao redor do mundo é praticamente idêntico [...] as pessoas que administram as corporações têm uma obrigação legal para com os acionistas, e essa obrigação é a de fazer dinheiro. O não cumprimento dessa obrigação pode fazer com que diretores e empregados sejam processados pelos acionistas. [A legislação] faz com que a corporação se dedique a defender seus próprios interesses (e equilibrar o interesse corporativo com o interesse dos acionistas). Não há menção à responsabilidade com o interesse público [...] Assim, a legislação corporativa considera as preocupações éticas e sociais irrelevantes ou empecilhos para a ordem fundamental da corporação." - Robert Hinkley

"Harry Potter e o Enigma do Príncipe está entre os filmes mais caros da história. Custou nada menos que US$250 milhões. Faturou U$747,7 milhões em apenas TRÊS SEMANAS. Ou minha calculadora está MUITO errada ou o lucro foi de 299%. O filme foi compartilhado via torrent, megaupload e afins. Então qual o problema das produtoras com a internet? É que os acionistas e executivos dessas produtoras vivem como verdadeiros parasitas capitalistas. Eles veem os 299% e pensam "Mas se todos os milhões que baixaram tivessem pagado, nosso lucro chegaria a 900% ou até MIL!. São capazes de qualquer coisa para chegar a esses números sanguessugas. Até mesmo fazer congressos engolirem leis que desrespeitem a Declaração Universal de Direitos Humanos que em seu artigo XIX diz: Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras". - Jaime Neto

Tudo que ameaça a nossa liberdade nos faz munir-se, não é toa que há advogados que provam meticulosamente que dois mais dois é igual a cinto mas depende de quem decide a música.

"Anita Roddick culpa a 'religião da maximização dos lucros' pela falta de moral nos negócios, por forçar pessoas decentes a fazer coisas indecentes: 'porque é preciso maximizar os lucros [...] tudo se justifica pela busca desse objetivo, tudo [...] Tanto usar trabalhado infantil, como explorar mão-de-obra barata ou prejudicar o meio ambiente [...] são justificáveis na maximização dos lucros. É justificável demitir 15 mil pessoas para maximizar os lucros e manter as comunidades nesse sofrimento."

"Há pouca democracia em um sistema que se baseia nas forças do mercado e nas organizações não-governamentais para promover o comportamento socialmente responsável das corporações." - Joel Bakan

Mesmo tendo gente bem intencionada é preciso restrições para que a ganancia não se propague de forma deliberada. Não só os semáforos, filas, preferenciais, foto-sensores etc são necessários para o bom funcionamento da sociedade, como também restrições no funcionamento dos mercados, no qual os forças, como dizem, que o sustentam são estritamente individualista e dado que há uns com muito mais poder de barganha que outros, uma economia que se constrói assim jamais produzirá uma sociedade verdadeiramente democrática.

A grosso modo, o que mais nos falta é o bom-senso, aquele "bom-senso que regula nossos exageros e evita as nossas caminhadas até o ridículo e a insensatez." - Paulo Freire


TECNOLOGIA E PROGRESSO

A ideia de que a busca individual desenfreada e a competição vinda do livre-mercado é igual a avanço, desenvolvimento tecnológico etc como única e melhor forma de progredirmos me parece fazer sentido somente pra quem pensa em crescer só...

"Adam Smith, cuja visão do capitalismo foi sacralizado nos Estados Unidos, acreditava que motivos individuais egoístas podiam produzir bens coletivos para a humanidade, graças à intervenção da "mão invisível". "A longo prazo ... o público como um todo nunca se beneficiou da competição destrutiva."' - Tim Wu (Impérios da Comunicação; pág: 15)

Se essa fosse a melhor fórmula todos os países com um PIB alto deveriam possuir os maiores IDHs mas a realidade não condiz perfeitamente com isso. A maioria dos países considerados desenvolvidos economicamente em sua realidade carregam também uma população, muitas vezes, infeliz, vendas orbitantes de anti-depressivos, suicídios, violência, fome e gente sem teto. Não vejo nessas realidades o desdobramento da melhor forma de crescimento ou um mal-necessário por um futuro glorioso, como consequência da aprendizagem ou massificações benéficas vindas do topo da pirâmide. A busca dos interesses individuais estimulada pelo paradigma dos mercados geram conflitos pela produção diferenciada de cada um, claro, as pessoas não possuem qualificações iguais e nunca possuirão, um dado natural da diversidade não deveria ser o motivo de tamanha diferença na remuneração, acesso a serviços básicos à dignidade humana e oportunidade.

Mas somos criativos, quanto a desenvolvimento, nós teremos de um jeito ou de outro, a questão é: qual seria a melhor forma? Os dois sistemas mais conhecidos não tem funcionado, na maioria dos casos, muito bem na forma que o experimentamos.

"A cultura, no entanto, tem um tremendo potencial de tornar a vida melhor, e desenvolve-se com mais eficácia em cadeias de relacionamento mais amplas e menos exigentes". - Paulo Brabo

"Todos os eventos decisivos na história do pensamento científico podem ser descritos em termos de fecundação cruzada mental entre diferentes disciplinas." - Arthur Koestler

"A competição baseada no mercado não tem nenhum monopólio da inovação. A competição e o lucro de fato nos motivam a transformar boas ideias em produtos acabados, mas, o mais das vezes, as ideias em si vêm de outro lugar." Grandes mentes como "Newton, Franklin, Priestley, Hooke, Jefferson, Locke, Lavoisier, Lineu - tinham pouca esperança de recompensa financeira por suas ideias, e faziam tudo o que estava em seu alcance para lhes dar uma circulação mais ampla. A invenção coletiva não é uma fantasia socialista. Empreendedores como Edison e De Forest foram muito motivados pela possibilidade de compensações financeiras e tentaram patentear tudo que puderam. A promessa de um lucro imenso estimula as pessoas a procurar descobrir inovações úteis, mas ao mesmo tempo as obriga a protegê-las. Assim, no que diz respeito à inovação, construímos de maneira deliberada mercados ineficientes: ambientes que protegem direitos autorais, patentes e segredos industriais, além de mil outras barreiras que erigimos para manter ideias promissoras longe do conhecimento dos outros. Quando introduzimos recompensas financeiras num sistema, surgem barreiras e sigilo, e os padrões abertos de inovação passam a ter mais dificuldade para operar sua mágica. A pergunta, portanto, é: qual é o equilíbrio certo? É sem dúvida concebível que a promessa de tirar a sorte grande seja tão irresistível que mais do que compense as ineficiências introduzidas pela lei da propriedade intelectual e pelos laboratórios de P&D fechados."

"A abertura e conectividade podem, no final das contas, ser mais valiosas para a inovação que mecanismos puramente competitivos. Poderemos pensar de maneira mais criativa se abrirmos nossas mentes para os muitos ambientes conectados que tornam a criatividade possível. A evolução avança tomando recursos disponíveis e mesclando-os para criar novos usos. As conexões são a chave da sabedoria. A ferramenta mais produtiva para gerar boas ideias continua a ser um círculo de seres humanos sentados em volta de uma mesa, discutindo questões de trabalho. A reunião de laboratório cria um ambiente em que novas combinações podem ocorrer e a informação pode transbordar de um projeto para outro. Quando trabalhamos sozinhos num gabinete, olhando num microscópio, nossas ideias podem ficar emperradas, presas aos nossos preconceitos iniciais. O fluxo social da conversa em grupo transforma esse estado sólido privado numa rede líquida. Ambientes inovadores prosperam graças a erros úteis e sofrem quando as demandas de controle de qualidade os esmagam. Estímulos não conduz necessariamente à criatividade. Colisões, sim - as colisões que ocorrem quando diferentes campos de conhecimento convergem num espaço físico ou intelectual compartilhado. É ai que verdadeiras centelhas voam." - Steven Johnson


NEM TUDO SE APLICA A TODO MUNDO

"Universaliza-se um dado do sistema capitalista e um instante da vida produtiva de certas economias capitalistas hegemônicas como se o Brasil, o México, a Argentina devessem participar da globalização da economia da mesma forma que os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão. Pega-se o trem no meio do caminho e não se discutem as condições anteriores e atuais das diferentes economias. Nivelam-se os patamares de deveres entre as distintas economias sem se considerarem as distâncias que separam os 'direitos' dos fortes e o seu poder de usufruí-los e a fraqueza dos débeis para exercer os seus direitos. Se a globalização implica a superação de fronteiras, a abertura sem restrições ao livre-comércio, acaba-se, então, quem não puder resistir. Não se indaga, por exemplo, se em momentos anteriores da produção capitalista nas sociedades que lideram a globalização hoje, elas eram tão radicais na abertura que consideram agora uma condição indispensável ao livre comércio. Exigem, no momento, dos outros, o que não fizeram consigo mesmas. Uma das eficácias de sua ideologia fatalista é convencer os prejudicados das economias submetidas de que a realidade é assim mesmo, de que não há nada a fazer mas seguir a ordem natural dos fatos. Pois é como algo natural ou quase natural que a ideologia neoliberal se esforça por nos fazer entender a globalização, e não como uma produção histórica."

"Nada, o avanço da ciência e/ ou da tecnologia, pode legitimar uma 'ordem' desordeira em que só as minorias do poder esbanjam e gozam enquanto às maiorias, em dificuldades até para sobreviver, se diz que a realidade é assim mesma, que sua fome é uma fatalidade do fim do século." - Paulo Freire

Mas... "é difícil fazer um homem entender algo se o salário dele depende da sua falta de entendimento disso." - Upton Sinclair

"A paixão do conhecimento talvez até mate a humanidade". - Michel Foucault


TEM PARA TODOS MAS NEM TODOS

Vim aprendendo melhor nos últimos tempos que o que faz o veneno é a dose. Não é necessário a existência das diversas misérias que vemos para o desenvolvimento da melhor ciência ou riqueza. Isso não é o preço do progresso, esse é, unicamente, o preço de violentas e injustas relações de poder.

"O contraste entre o salário de um executivo e o de um operário é apenas um indicativo: na década de 1970, o presidente de uma grande empresa ganhava trinta vezes mais que o trabalhador comum. Em 2007, essa proporção havia aumentado quase trezentas vezes. E, à medida que os cidadãos comuns têm menos renda, as barganhas prometidas pelas megalojas se tornam ainda mais convidativas, e, assim, os consumidores ajudam a fortalecer justamente os empreendimentos que estão sugando suas próprias economias". "Em 2008, governos de todo o mundo gastaram uma quantia recorde para atualizar suas Forças Armadas - e esse valor não para de subir. Em 2008, 1,46 trilhão de dólares foram direcionados para atividades bélicas, 4% a mais que 2007 e 45% a mais que uma década atrás. Os Estados Unidos continuam a ser o país que mais investe em armamentos, seguido da China. O National Priorites Project (NPP) calcula que só os contribuintes da Califórnia pagaram cerca de 115 bilhões de dólares pelas guerras no Iraque e no Afeganistão desde 2001. Em vista disso, ouvir que não há dinheiro para implementar as mudanças necessárias ao equilíbrio do planeta provoca revolta.". "No setor empresarial americano do começo do século XXI, o salário de um executivo chegava a ser quinhentas vezes maior que o salário mais baixo da empresa. Se baixarmos a escala a um fator de cinquenta, assim, se o salário mais baixo numa empresa é 20mil dólares por ano, o mais alto é 1 milhão de dólares.". "Atualmente, 1% dos mais ricos do mundo possui tanta riqueza e coisas quanto os 57% mais pobres."

"Em 2002, os gastos globais com publicidade alcançaram 446 bilhões de dólares, um aumento de quase nove vezes em relação a 1950. A China gastou 12 bilhões de dólares em 2006 com o setor, e estima-se que alcance 18 bilhões de dólares em 2011, tornando-se o terceiro maior mercado publicitário do mundo. Em 2007, os três maiores fabricantes de carros dos Estados Unidos (General Motors, Ford e Chrysler) direcionaram mais de 7,2 bilhões de dólares para anúncios. Em 2008, a Apple dispendeu 486 milhões de dólares em propaganda. Esses números espantosos não prestam qualquer serviço à humanidade.". "Segundo o relatório State of the world 2004, o crescimento global do consumo encobre gigantescas disparidades. 12% da população mundial que vive na América do Norte e na Europa ocidental é responsável por 60% dos gastos pessoais do planeta, enquanto um terço que vive no sul da Ásia e na África subsaariana responde por apenas 3,2%. Em termos globais, 20% da população que reside nos países de maior renda efetua 86% dos gastos pessoas; os 20% mais pobres abocanham míseros 1,3%."

Detalhando:

*Os 20% mais ricos do planeta consomem 45% de toda a carne e peixe; os 20% mais pobres consomem 5%.

*Os 20% mais ricos consomem 58% da energia gerada no mundo; os 20% mais pobres consomem menos de 4%.

*Os 20% mais ricos são donos de 74% das linhas telefônicas; os 20% mais pobres, de 1,5%.

*Os 20% mais ricos consomem 84% do papel; os 20% mais pobres, 1,1%.

*Os 20% mais ricos são donos de 84% da frota de veículos do planeta; os 20% mais pobres, menos de 1%. - Annie Leonard

Os números mostram que algumas expressões do capitalismo, em geral, não funciona para a maioria das pessoas e para o planeta como um todo, se é que isso importa... Se houvesse como entrevistar toda a população mundial, um por um, certamente, descobriríamos que mais do que 50% está numa vida que se deu de forma injusta, e isso já seria o suficiente para alguma significativa mudança. A nossa inerente lógica finita deveria, ao menos, aconselhar qualquer planejamento que tivesse por finalidade construir uma realidade melhor, a finitude nos sussurra que há limites, o que nos valores da lógica que estamos inseridos parece ignorar, colocar tal consciência na equação seria nada menos do que revolucionário. É evidente que o sistema como o conhecemos hoje simplesmente faliu. Financeiramente: no qual possibilita uma radical desigualdade de distribuição de bens/serviços; moralmente: por conter em sua estrutura de reprodução valores sem conexão com a vida e eticamente: em que há uma potencialização da corrupção nas diversas nuances dos relacionamentos humanos.


PODER

O sistema dominante não é necessariamente o melhor pelo fato de perdurar mas se deu e dá antes de tudo por questões de poder, posto que quem detêm mais força figura como peças chaves na construção e solidificação de verdades, com o monopólio dos meios de comunicação então... A escravidão existiu, e ainda existe em certos lugares, não por ser boa, há necessariamente e de forma clara uma relação injusta de poder. Talvez o fato de tal sistema ter se dado por uma minoria explique o caráter anti-democrático da situação em que vivemos, no qual, em parte, é sustentado por um saber comum que dar sentido aos diversos exercícios de poder.

"A verdade acontece a uma ideia. Ela se torna verdade, é transformada em verdade pelos eventos. Sua veracidade é de fato um evento, um processo: o de verificar-se, sua verificação. Sua validade é o processo de sua validação." - William James

"Cada vez mais me parece que a formação dos discursos e a genealogia do saber devem ser analisadas a partir não dos tipos de consciência, das modalidades de percepção ou das formas de ideologia, mas das táticas e estratégias de poder. Táticas e estratégias que se desdobram através das implantações, das distribuições, dos recortes, dos controles de territórios, das organizações de domínios que poderiam constituir uma espécie de geopolítica. O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam mas estão sempre em posição de exercer esse poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centros de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles." 

O fundamental seria a força da proibição. Ora, creio ser esta uma noção negativa, estreita e esquelética do poder que curiosamente todo mundo aceitou. Se o poder fosse somente repressivo, se não fizesse outra coisa a não ser dizer não você acredita que seria obedecido? [Pois se o poder só tivesse a função de reprimir, se agisse apenas por meio da censura, da exclusão, do impedimento, do recalcamento, à maneira de um grande super-ego, se apenas se exercesse de um modo negativo, ele seria muito frágil. Se ele é forte, é porque produz efeitos positivos a nível do desejo - como se começa a conhecer - e também a nível do saber. O poder, longe de impedir o saber, o produz] O que faz com que o poder se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso. Deve-se considerá-lo como uma rede produtiva que atravessa todo o corpo social muito mais do que uma instância negativa que tem por função reprimir.


Michel Foucault (Microfísica do Poder; págs: 8, 148)

Não se explica inteiramente o poder quando se procura caracterizá-lo por sua função repressiva. O que lhe interessa basicamente não é expulsar os homens da vida social, impedir o exercício de suas atividades, e sim gerir a vida dos homens, controlá-los em suas ações para que seja possível e viável utilizá-los ao máximo, aproveitando suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e contínuo de suas capacidades. Objetivo ao mesmo tempo econômico e político: aumento do efeito de seu trabalho, isto é, tornar os homens força de trabalho dando-lhes uma utilidade econômica máxima; diminuição de sua capacidade de revolta, de resistência, de luta, de insurreição contra as ordens do poder, neutralização dos efeitos de contra-poder, isto é, tornar os homens dóceis politicamente. Portanto, aumentar a utilidade econômica e diminuir os inconvenientes, os perigos políticos; aumentar a força econômica e diminuir a força política.


Roberto Machado (Michel Foucault - Microfísica do Poder [introdução]; pág: 16)

Não ignoro os benefícios que o capitalismo nos proporcionou durante uma parte da história mas hoje o tempo exige mudança, mudança que valorize mais a lógica da prevenção do que da intervenção, invista numa descentralização dos poderes em prol da maximização das possibilidades, que pense na criação de outras estruturas no qual nossa dinâmica evolutiva não se limite a força da adaptação mas transcenda ao campo da criatividade. O tempo exige uma maior materialização do aprendizado que a história nos proporcionou. O conhecimento deveria nos servir para o aprimoramento das nossas mais diversas experiências. É... Acho que o que quero ainda não tem nome...

"Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito" - Paulo Freire

"É tolo uma sociedade apegar-se a velhas idéias em novos tempos, como é tolo um homem tentar vestir suas roupas de criança." - Thomas Jefferson

6 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Que texto massa! Excelente reflexão! Me identifico com seu posicionamento, grande Diego! E a construção de uma sociedade melhor dependerá de reflexões como essa!

Elton Leite

Joguete do Destino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joguete do Destino disse...

A gente já quebrou muita cabeça discutindo sobre isso, e eis a minha conclusão: as corporações não vão parar, assim como a mídia não vai parar de produzir alienação, mas cabe a nós tentarmos salvar o maior número de pessoas possível das garras desses vilões do capitalismo, seja pela pintura, desenho, documentário, pela escrita, não devemos parar de lutar.
Não sei ao certo se é Cecilia Meireles, mas tem um trecho que eu li que diz "acho que o mundo ainda só não acabou por causa das orações dos cristãos", e isso vale para todos, não só com oração, mas pela prática do bem.

No mais, ótimo texto. :)
Abraço, Ana Karoline.

Diego Cosmo disse...

Tmb não sou muito otimista quanto a postura desse pessoal.. Mas aposto tmb em outras pessoas, de alguma forma tenho alguma esperança que as coisas possam mudar, com o maior numero de pessoas mudando a visão de mundo, acho q o mundo só não acabou por essas pessoas mesmas, as que se importam, se importam ao ponto de modificarem sua postura em frente ao mundo e principalmente as pessoas.

Vlw Karoline! Estamos juntos! ;)

Thaíla disse...

Romper tratados e trair os ritos! É o lema =p