30 de julho de 2015

BORDÕES E ASSINATURA DE CAMPANHA

A repetição presente nos gritos de guerra virou título de cartaz. Com a chegada do rádio, ela ganhou ritmo e melodia e tornou-se refrão, a "musiquinha da marca". Os bons jingles passaram a ser repetidas pelas pessoas como as palavras de ordem de outrora. O bordão teve de se tornar engraçado e adaptável. Se do grito para o cartaz a repetição ganhou imagem; do cartaz para o rádio, ganhou ritmo e melodia; do rádio para a TV ela precisou agregar uma situação engraçada, interessante e instigante em que as pessoas pudessem se espelhar, passando a repeti-la em seu cotidiano. Assim nasceram o "Bonita camisa, Fernandinho" (US Top), "Parece, mas não é" (Denorex), "O negócio é levar vantagem em tudo, certo?" (Vila Rica), "Não esqueça a minha Caloi" (Caloi), "Põe na Consul" (Consul), "Experimenta" (Nova Schin), "Quer pagar quanto?" (Casas Bahia), entre tantos outros bordões que caíram no gosto popular e passaram a ser repetidos no dia a dia.

Para ser repetido, além de coloquial e divertido, é necessário que o bordão seja uma frase adaptável, uma expressão que possa ser utilizada em várias situações sociais, que seja uma curinga, uma muletinha de comunicação que o consumidor poderá usar para fazer uma brincadeira, para ganhar tempo ou para mostrar-se antenado, parte de um grupo, moderno.

Definimos, portanto, bordão como

uma frase verbal utilizada em propaganda que encerra o conceito da campanha. É informal, bem-humorada e, por ser focado no destinatário, tende a ser repetido pelo consumidor.

É a fala do consumidor dentro da peça publicitária.

A assinatura de campanha tem, portanto, duas funções básicas: fechar o raciocínio proposto pelo título da peça publicitária e estar presente em todos os anúncios de uma mesma campanha, conferindo-lhe identidade. Grandes assinaturas de campanha têm a chance de se tornar bordões, ou seja, conseguem virar expressões populares, sendo repetidas no cotidiano.


Celso Figueiredo (Redação Publicitária; Sedução pela Palavra; págs; 55, 56 e 59)

Nenhum comentário: