3 de junho de 2015

APRESENTAÇÃO PARA CLIENTES

Em minha agência, ensaiamos sempre nossas apresentações perante nosso Comitê de Planejamento, onde têm assento os nossos senadores mais experientes. Eles são críticos mais severos que qualquer cliente que eu já tenha conhecido. E suas críticas são expressas em linguagem mais dura. Coisas horríveis podem acontecer na apresentação. Se ela começa cedo, de manhã, talvez o cliente esteja de ressaca. Numa ocasião, cometi o erro de apresentar uma nova campanha para Sam Bronfman, da Seagram, depois do almoço. Ele caiu em sono profundo, e despertou com um humor tão venenoso que rejeitou a campanha em que vínhamos trabalhando havia vários meses.

A atenção da plateia será menos dispersa se apenas um homem fizer todo o discurso. Faço mais apresentações do que a maioria dos presidentes de agências, em parte porque me julgo um bom advogado, em parte porque acredito que não existe melhor forma de mostrar ao cliente que o chefe da agência está pessoalmente envolvido em seus assuntos.

Quando você lê em voz alta, nunca fuja uma só palavra do texto escrito que está sendo exibido. O truque está em atacar a sua plateia simultaneamente através de seus olhos e de seus ouvidos. Se eles enxergam um conjunto de palavras e ouvem outro, ficam confusos e perdem a atenção.

Não ensinaram aos homens de negócios americanos que é pecado aborrecer os seus semelhantes.


David Ogilvy (Confissões de um Publicitário: Págs: 114, 115, 117 e 120)

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