28 de fevereiro de 2015

A CIDADE COMO ESPAÇO DE FLUXOS

O espaço define o quadro temporal das relações sociais. É por isso que as cidades nascem da concentração de funções de comando e controle, da coordenação, da troca de bens e serviços, da vida social diversa e interativa. Na verdade, as cidades são, desde a sua aparição, sistemas de comunicação, aumentando as chances de comunicação por meio da contiguidade física. Chamo o espaço dos lugares de espaço de contiguidade. Por outro lado, práticas sociais como práticas de comunicação também aconteciam à distância por meio de transporte e mensagens. Com o advento de tecnologias de comunicação operadas eletricamente, como, por exemplo, o telégrafo e o telefone, uma certa simultaneidade foi introduzida nas relações sociais à distância. Mas foi o desenvolvimento da comunicação digital baseada na microeletrônica, das redes avançadas de telecomunicação, dos sistemas de informação e do transporte computadorizado que transformou a espacialidade da interação social com a introdução da simultaneidade, ou de qualquer outro quadro temporal, nas práticas sociais, a despeito da localização dos atores engajados no processo de comunicação. Essa nova forma de espacialidade é o que conceituei como espaço dos fluxos: o suporte material de práticas sociais simultâneas comunicadas à distância. Isso envolve a produção, transmissão e processamento de fluxos de informação. Também depende do desenvolvimento de localidades como nós dessas redes de comunicação e da conectividade de atividades localizadas nesses nós por meio de redes de transporte rápido operadas por fluxos de informação.


Manuel Castells (A Era da Informação: A Sociedade em Rede, págs: 16 e 17)

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