30 de junho de 2014

SEMENTES

O uso de sementes é uma descoberta que remonta a seis mil anos antes de Cristo e provoca uma verdadeira revolução. Desta vez as protagonistas foram as mulheres. É a grande fase matriarcal. Uma divisão sexual do trabalho já tinha ocorrido: o homem saía para caçar e a mulher, impossibilitada de locomover-se devido às maternidades frequentes, usava o tempo livre para a colheita de frutas. Contudo, aos poucos, o macho aprende que pode substituir o cansaço da caça por aquele, menor, da criação de animais: a caça implica perseguir animais adultos, muitas vezes perigosos, rebeldes e que fogem. A atividade de pastor, ao contrário, permite dominar os animais desde o seu nascimento.

A mulher, por sua vez, aprende que melhor do que recolher as frutas caídas é "cultivá-las" com a agricultura: pode plantas as sementes, regá-las e ver crescerem as plantas. Ambas as técnicas, pecuária e agricultura, produzem alimento dentro de um prazo previsível, diferido no tempo. Nesta fase, o ser humano aprende, justamente, a diferir, isto é, a adiar programando. Enquanto o animal deve satisfazer suas necessidades aqui e agora, o ser humano planeja o futuro e aprende que, trabalhando hoje, poderá obter alimento dali a seis meses.

Pois bem, o animal faz somente aquilo que é necessário, aqui e agora, para si mesmo e para sua família. O ser humano, ao contrário, a partir dessa fase e daí para a frente, planeja o futuro e expande a produção, vendendo produtos a outros. Nasce o excesso de produção, um sistema econômico e de vida que dura até hoje.


Domenico de Masi (O Ócio Criativo, pág. 34)

Nenhum comentário: