26 de março de 2014

UMA PROVÁVEL ENTREVISTA

Imaginei-me sendo entrevistado. Tudo hipotético, claro. Os editores estudantis de um pasquim eletrônico, querendo dialogar com setores pouco conhecidos, teriam me convidado para uma conversa gravada e simultaneamente transmitida em livestream.


– Por favor, fala para nós o que você consideraria deplorável.

– Posso?

– Claro que sim.
– Então lá vai…


Carta, mensagem, ou telefonema anônimo. Quem escreve, envia e-mail ou telefona sob o manto da obscuridade não honra as saias ou as calças que veste.
Recados chancelados com a senha: “Deus mandou dizer que…” Quem precisa afirmar que tem linha direta com os céus para dizer qualquer coisa não será tido por inocente – nem por Deus e nem pelas pessoas.
Murismo, mornidão, de quem vive a defender reputação, emprego, posição social. Nada mais enauseante do que jogar a dignidade pela janela para preservar-se.
Complacência, preguiça, inatividade. Como é ruim caminhar com “escorões”, com quem vive pendurado no trabalho alheio. Os chupins humanos são execráveis.
Preconceito, pré-julgamento e soberba. Quem a priori rechaça o outro, precisa de rótulo para esconder a própria mediocridade.
Fofoca, boataria e suspeita infundada. Os invejosos, os inexpressivos, os mais baixos, vivem de espalhar o que não sabem, de aumentar o que escutam e de destruir quem não conhecem. Deus detesta várias atitudes, mas Ele abomina quem promove dissensão entre amigos.
Ainda posso lembrar de briga por herança, de divórcio que acontece logo após o nascimento de uma criança com deficiência, de corrupção na licitação da merenda escolar, de prostituição infantil, de dinheiro que político gasta em cassino.


– Chega, companheiro!

– Vocês pediram.

– Acontece que a gente concorda com tudo e já deu vontade de vomitar.
– É… acho que basta mesmo!



Ricardo Gondim

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