26 de setembro de 2013

NÃO DEVERIA SE CHAMAR AMOR

O Amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar Amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar Amor
Poderia se chamar nuvem
Pois muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca assisti antes
Poderia se chamar labirinto
Pois sinto que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia se chamar universo
Porque nunca o entenderei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo


Jorge Vercillo

AMAR É SER VULNERÁVEL

Para Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração será torcido e possivelmente quebrado. Se você quer ter a certeza de mantê-lo intacto você deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em volta com passatempos e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento tranque-lo seguro no caixão, no caixão do seu egoísmo, mas naquele caixão, seguro, escuro, imóvel, sem ar, ele vai mudar não vai ser quebrado; ele vai se tornar inquebrável, impenetrável, irredimível. amar é ser vulnerável...


C.S. Lewis

10 de setembro de 2013

POR UMA DEMOCRACIA ALÉM DO VERDE E DO CONCRETO

Por: Diego Cosmo
Segue abaixo um texto referente a ação dos manifestantes em relação a possível construção dos viadutos em uma determinada área do Parque do Cocó e em seguida minha replica:

Vivemos um momento no qual mobilizar e protestar é a tônica. A defesa do meio-ambiente é, em muitos casos, uma boa vitrine para a aparição na mídia televisiva. Algumas pessoas sabendo disso, e tendo anseios não tão ambientalistas, se aproveitam das oportunidades. Esses "pseudo-ambientalistas" são capazes de, através de estratégias bem montadas, levar muitos cidadãos de boa fé e ambientalistas desinteressados ideologicamente, a serem seus marqueteiros subservientes, aproveitando-se destes para que se mantenham aparecendo na mídia, em seus cargos, com suas projeções, enfim, se mantendo em evidência. Evidência esta que lhes deve trazer retornos interessantes...


Presenciamos mais uma vez e, de novo, sem reação, a ação desses demago-ambientalistas em "defesa" da área de preservação do Cocó, desta feita por conta da derrubada de árvores na Santana Júnior, no final da Antônio Sales. Essa "defesa" como de costume, mobilizou pessoas sinceras a engajar-se nas ações pelos demago-ambientalistas orquestradas. Esses protagonistas e seus coadjuvantes, são capazes até de literalmente chorar por causa da agressão ao meio-ambiente. As ações deles são EGOístas e apenas buscam interesses próprios, já que eles não fazem nada, nem mobilizam ninguém em defesa do Cocó, quando este se afasta dos bairros da área leste da cidade.



Há mais de 30 anos multidões de pessoas lançam diariamente todo tipo de dejetos e poluentes no mesmo rio Cocó, nos bairros de Alto da Balança, Aerolância, Jardim das Oliveiras, Dias Macêdo, Mata Galinha, Cajazeiras, Barroso e José Walter, e NENHUM destes pseudo-demago-ambientalistas midiáticos lembra do rio. Mostram assim que não são ambientalista coisa nenhuma. Ambientalistas seriam se cuidassem do meio ambiente, principalmente nas grandes áreas pobres de nossa Fortaleza. Nem se quer lembram dos pobres destas áreas degradadas às margens do rio Cocó, mas somente de aparecer quando alguma coisa acontece pontualmente no lado "nobre" do rio. As agressões graves, contínuas e antigas no Rio Cocó, naqueles bairros, NÃO INTERESSAM A ELES. Lá se pode continuar agredindo e poluindo. Desaparece o cuidado com o meio ambiente.



Esses predadores são vorazes e não medem consequências para aparecerem; se fosse possível ateariam fogo no Rio Cocó, só para ajudarem a apagá-lo e terem holofotes sobre si. Esses tais não são dignos de levantar a faixa "SALVE O COCÓ".


"Autor desconhecido"


Replica:

OPORTUNISMO:
É uma boa tônica a que temos hoje materializada nos protestos e não é à toa, diria até inevitável. Além de qualquer interesse na mídia dos que protestam, de fato, há a pura insatisfação da maioria, o que torna natural o efeito de protesto independente de qualquer meio de comunicação. Apesar do possível interesse nos holofotes de qualquer uma das partes é do próprio interesse da mídia divulgar os dois lados da moeda, portando a imprensa estaria lá de um jeito ou de outro.

OBS: Quanto a mídia independente/alternativa que por sinal deu o que falar nos últimos tempos, vi e não foi só uma vez a polícia danificar câmeras, aprenderem celulares ou apagarem as filmagens recentes que os indivíduos gravavam da ação da própria polícia. Pra entender o motivo deixo a cargo do esforço intelectual de cada um...

É suspeito falar de mídia nesse caso porque a política não é e não tem sido referência digna nisso. Tudo é uma questão de percepção e a maioria faz um uso vergonhoso disso para conseguir se eleger. Basicamente a lógica é: "os fins justificam os meios", e é porque chamamos todo esse paradigma de democracia.

Imaginemos construir em uma campanha política uma imagem positiva se valendo de todo o aparato do marketing, publicidade e meios midiáticos para construir na percepção de uma boa parcela da sociedade, que é culturalmente/intelectualmente carente, uma determinada imagem positiva. Oportunista? Sim... Sem falar do apoio de corporações que acabam por corromper os ideais democráticos. Uma empresa que investe em campanha política investe por interesse próprio, até então normal, quem investe quer retorno mas em termos de Estado democrático é predispor a corrupção pois os interesses duma empresa em geral não tem relação direta com o povo, claro que podem haver benefícios, porém a gestão fica comprometida e potencialmente mais vinculada a uma minoria. Portanto não digo que sou completamente contra ou a favor, depende, mas quando o Estado chega a ter menos poder e direitos que as corporações as ações tendem a ser cada vez mais voltadas a uma elite e é o que tem acontecido...

Na Copa das Confederações ficou explícito que houve a quebra nada mais nada menos do que uma cláusula pétrea de nossa constituição, entre outros direitos. No caso das manifestações o nosso direito de ir e vir foi completamente negligenciado e isso só para se ter noção do quanto nosso sistema democrático pode ser comprometida por gente de fora, no caso da C.D.C a Fifa simplesmente mandou na gente e isso é o Estado se apequenar em frente as corporações.

Mas em se tratando de oportunismo, além de tudo, ter como dívida de campanha política com construtoras a construção de algo que não favorece e até, em sua gestão, desrespeita a maioria é pra começo de historia [1] uma falta do Estado com sua função essencial e é [2] ser tão oportunista quanto esses que teoricamente protestam somente pelos holofotes. Em resumo, na melhor das hipóteses, há oportunista falando de oportunista, o que não torna nenhum melhor do que o outro.


IDEOLOGIA:
Ao ver spray de pimenta, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, cassetete, bala de borracha e a "chinela cantando" a torto e a direito, teria no mínimo grandes dúvidas ao concluir que quem permanece ali são pseudo-ambientalistas. O termo "pseudo" implica referir-se a algo de caráter falso/mentiroso, mas creio que não há postura falsa que resista a tamanha repressão como o de quem está ali já sofreu. Portanto, concluo que essa galera está longe de ser desinteressada ideologicamente como foi dito, inclusive a capacidade de chorar revela a integridade para com a forma de perceberem tudo aquilo. Se não fosse por ideologia já teriam cedido na primeira investida truculenta da policia.

OBS: Que por sinal sobra até pra quem não manifesta. Eu mesmo vivenciei e vi gente idosa e bebê passando mal dentro da própria casa por conta do gás lacrimogêneo que eram jogados na rua, até de cima do helicóptero. Lembro bem ao entrar em casa e ver meus irmãos e minha mãe tossindo e a lacrimejar pela ardência gerada pelo gás e é porque nem tiraram a bunda do sofá. Tenho a certeza também que essa polícia não puxa o gatilho sozinho. O buraco é mais embaixo, a má gestão tem suas raízes iniciadas nos palácios...

Se não há ambientalista em todas as instâncias do Cocó para mobilizar as pessoas a fazer algo, partindo do pressuposto que realmente não há outras pessoas nessas outras áreas, particularmente acho mais inteligente que as pessoas se concentrem em um local em prol de uma determinada causa, enfim é uma reivindicação de muitos, é importante se juntarem. Mas se mesmo isso faz delas pessoas egoístas que só visam o interesse próprio, o que dizer do governo e as ações que tem tomado? De que caráter seriam tais articulações? O Estado não tem sido para o povo, a polícia não tem sido para o povo. Temos uma polícia que abusa do poder para atender a interesses do governo e não para atender a cidadãos, assim uma política que favorece uma elite. Basta olhar somente para educação, saúde e segurança para já percebermos também que existem faltas de magnitude mais desastrosas nessas áreas do que a falta de ambientalistas em outras áreas do Cocó, logo o Estado não tem sido Estado coisa nenhuma. Estado seria se cuidasse do que tem que cuidar, as pessoas.

Mas atentemos para um lado importante dessa questão: quem protesta não tem obrigação de protestar, já o Estado por definição tem a OBRIGAÇÃO de ser em prol do povo, inclusive de quem não tem aonde lançar seus dejetos. O que dizer duma política que negligência tanto os direitos dos cidadãos que nem se quer considera a primeira linha da constituição brasileira que diz "TODO PODER EMANA DO POVO"? Inevitável não concluir, em se tratando de ideologia, que essa gestão é que tem sido uma grande farsa.

A título de informação, sobre a galera que solta seus dejetos em qualquer rio que seja, vale ler um trecho da "DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS  DIREITOS HUMANOS":

"Artigo XXII - Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade".

Sabemos que não é por preferência, convenhamos que quem não tem onde defecar é carente de muitas outras necessidades básicas e olha que se trata de multidões, como foi dito.. E sabemos também que não é nenhum ambientalista que deveria se articular pra resolver esse problema...



NO FINAL DAS CONTAS:
Comparando a ação dos manifestos/protestos de um lado e a gestão governamental do outro, diante de tanta incoerência/negligência por parte do Governo/Estado eu não poderia apoiar tal gestão. Embora eu não seja ambientalista, reconheço a importância dos cuidados que devemos ter por aqui, dado que realmente não pensamos em termos de finitude... Mas defendo a bandeira da liberdade e da justiça mais do que os que, teoricamente, deveriam me representar. Não levantaria a bandeira "SALVE O COCÓ" mas primeiramente levantaria a bandeira "SALVE A DEMOCRACIA", nisso teria dignidade pois sei que quem cuida da gestão da cidade não tem moral nenhuma para ditar o que é certo ou errado no que diz respeito a democracia, a manifestação, os direitos civis, os direitos humanos entre outras coisas.. Muito menos impor seus interesses para a sociedade como se tem feito a bem mais do que 30 anos...

Para concluir, nego a filosofia maquiavélica, os fins NÃO justificam os meios porque apesar de qualquer coisa a forma de se chegar ao destino é demasiadamente mais importante do que o próprio destino em si.


Diego Cosmo

4 de setembro de 2013

POR QUE A MAIORIA DAS EMPRESAS BRASILEIRAS NÃO ENRIQUECE?

O Brasil não pratica seu capitalismo nem na constituição, nem no comportamento social. Não vi nenhuma eleição com valores capitalistas vencer. Os discursos são sempre de combate a pobreza, redução da desigualdade social, melhoramento dos serviços públicos e para todos os brasileiros (principalmente os pobres) – estes são valores socialistas. Tá, eu sei que a prática não condiz, mas nos atenhamos aos discursos que vencem, ou seja, são os valores aceitos pela prática social.

Não há capitalismo sem capital. Ele é o centro motor do modelo. Parece óbvio, mas na prática não. Já prestei consultoria a diversas empresas e as fiz crescer consideravelmente com uma simples mudança de perspectiva (mergulhando no capitalismo). A principal representação do capitalismo está nos bancos. Falar dos bancos é falar, não das maiores empresas, mas dos maiores lucros do mundo.

O Google é a marca mais valiosa do mundo, vale U$ 172 BILHÕES? Isso só vale aos bancos. A Microsoft está avaliada em centenas de bilhões de dólares? Só interessa aos bancos. E qual o negócio dos bancos? Dinheiro (o capital).

Portanto, se é tão óbvio que o principal e maior valor do capitalismo é o capital, então, porque a maioria das empresas insiste em vender produtos/serviços?! Calma. A saída não é fechar sua empresa e abrir um banco, mas vender dinheiro/capital através de qualquer produto ou serviço.

Trata-se de uma mudança de perspectiva. Restaurantes que vendem comida, ganham menos do que restaurantes que vendem entretenimento através da comida (uma maneira de vender capital é trazer a idéia de que o dinheiro está rendendo – não é isso que os bancos fazem com suas aplicações?)

Vi listas telefônicas e jornais de bairro vender anúncios, e sofrem para vender – falta empresa para tanto espaço. Mas, quem vende retorno, resultado e lucro (vende capital) vende fácil – falta espaço para tanta empresa.

Essa é a lógica dos agiotas, dos bingos, jogos de azar, etc. A mega sena oferece milhões, mas fatura muitos mais na ilusão de transformar R$ 1,50 em R$ 5 MILHÕES. Quando, na verdade, transforma 50 milhões em 5. Aí fica fácil, né? Doce ilusão capitalista que encanta e seduz.

Quando você olha por essa óptica, tudo muda de sentido. Promoções ganham uma outra perspectiva, liquidações, datas festivas, tudo muda.

A maioria das empresas brasileiras não enriquece, porque vende produtos.