25 de junho de 2013

SOBRE LIBERDADE

Por: Diego Cosmo

Num sonho não muito distante minha mãe se aproximava de mim e soltava as seguintes palavras: "Meu filho, eu queria pedir uma coisa pra você, queria que você aceitasse Jesus, ele está voltando logo, você vai ao culto, fulano de tal e não sei quem fará uma oração com você ETC..." Imediatamente me recusava a topar tal treta dizendo coisas como: "Não tem a menor condição, não estou desviado... Não vejo as coisas assim, meu Deus nem se quer depende de religião ou reconhecimento, religião é coisa dos homens etc.." Logo percebi que provoquei chateação nela, ficou com uma certa raiva e aflita ao mesmo tempo. Então fiquei mal comigo mesmo, embora não tenha sido grosseiro no tom de falar, pensar que ela passaria os próximos dias aflita por achar que Jesus voltaria e eu, seu filho, supostamente ficaria, não me foi bom... Me senti desconfortável, desconfortável ao ponto de pensar que poderia ir aceitar a jesus como ela queria para que ela não ficasse preocupada com isso.

A ideia de liberdade me assaltou quando já estava em estado semi-consciente, acordando... E então, estaria comprometendo minha liberdade ao ceder o pedido dela? A tristeza em vê-la aflita em frente a minha recusa seria liberdade? Seria o preço da liberdade? E se liberdade tem preço, isso ainda é liberdade? Será que, como diz Fernando Pessoa, a renúncia é a libertação, e não querer é poder?

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