10 de maio de 2013

SEMPRE RESTARÁ IR EM FRENTE...

Mesmo que as trancas não cedam, os corredores escuros se alonguem e as pontes pendam inacabadas, viver é descobrir as diferentes cores da coragem; transformar-se em levedo em meio à hostilidade, infiltrar-se na massa que descansa e ter paciência para crescer.

Mesmo que as trincheiras inundem, o fogo inclemente alastre-se e as ambulâncias enguicem, viver é revestir-se de dignidade; assumir o comando dos veleiros de panos rotos e prosseguir através de mares inexplorados.

Mesmo que as datas se mostrem aborrecidas, as lâmpadas bruxuleiem e os sacerdotes entrem em greve, viver é colonizar-se no mundo da poesia; liderar excursões pelos labirintos eternos e repetir os adágios que o profeta grafitou nas paredes do metrô.

Mesmo que as pedreiras resistam à dinamite e os corações embrutecidos legitimem a maldade, viver é balançar o dedo na cara da desilusão e gritar: não desistirei; jogar os escrúpulos sociais pela janela e repetir: vou em frente; aproveitar o instante fugidio e insistir: como ninguém acrescenta um côvado à minha existência, prosseguirei até o fim.


Ricardo Gondim

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