30 de maio de 2013

A VIDA SÓ É POSSÍVEL REIVENTADA

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios de tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só - na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Cecília Meireles (Reinvenção)

NÃO TENHO MEDO

Não tenho medo de não atingir metas, conquistar grandes objetivos, chegar ao topo de uma carreira, seja ela qual for. Não tenho medo de ser pobre, de não ter uma casa grande e luxuosa num bairro nobre da cidade, ou não ter um carrão do ano na garagem. Não tenho medo de não ser um cara famoso, influente, importante, admirado ou invejado. Não tenho medo de não ter um emprego que pague tubos de dinheiro, me dê estabilidade e me permita comprar o que quiser sem me pensar tanto no final do mês. Não tenho medo de ficar só, sentir-me abandonado ou não ter pessoas que gostem de mim de verdade. Não tenho medo de enfrentar a crítica dos que discordam das minhas ideias e do meu modo de pensar, do meu estilo de vida e do meu jeito viver. Não tenho medo de me sentir atrasado ou parado no tempo/espaço da evolução tecnológica. Não tenho medo de ficar sem dinheiro, perder tudo o que tenho investindo em um sonho ou mesmo comprando velharias. Não tenho medo de ser taxado de progressista ou reacionário, louco, estranho ou idealista inveterado. Não tenho medo de mudar e errar e voltar atrás e errar de novo e voltar mais atrás ainda. Não tenho medo de ser intelectualmente pobre e ignorante diante de todo o conhecimento que existe. Não tenho medo de não ser sábio frente aos meus iguais, nem tenho medo de ser o menor entre os pequenos. Não tenho medo de começar do zero, recomeçar ou desistir. Não tenho medo de ser apagado da história e morrer tão desconhecido quanto fui no dia em que eu nasci. Por fim, não tenho medo de saber que eu talvez devesse ter medo de tudo isso. Mas eu tenho um medo. Sim, disso eu realmente tenho medo: de ser infeliz. É isso, é disso que eu tenho medo.


24 de maio de 2013

TODA FORMA DE AMOR


Há o amor segundo Platão: "Eu te amo, tu me fazes fal­ta, eu te quero."

Há o amor segundo Aristóteles ou Spinoza: "Eu te amo: és a causa da minha alegria, e isso me regozija."

Há o amor segundo Simone Weil ou Jankélévitch: "Eu te amo como a mim mesmo, que não sou nada, ou quase nada, eu te amo como Deus nos ama, se é que ele existe, eu te amo como qualquer um: ponho minha força a serviço da tua fra­queza, minha pouca força a serviço da tua imensa fraqueza..."

Eros, philia, agapé: o amor que toma, que só sabe gozar ou sofrer, possuir ou perder; o amor que se regozija e com­partilha, que quer bem a quem nos faz bem; enfim, o amor que aceita e protege, que dá e se entrega, que nem precisa mais ser amado...

Eu te amo de todas essas maneiras: eu te tomo avida­mente, eu compartilho alegremente tua vida, tua cama, teu amor, eu me dou e me abandono suavemente... Obrigado por ser o que és, obrigado por existir e por me ajudar a existir!


André Comte-Sponville

22 de maio de 2013

NOSSO ESTRANHO DESTINO

"É verdade, o cachorro morreu. Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre!"


Chicó (O Auto da Compadecida)

18 de maio de 2013

O ESVAZIAR

A Encarnação é a kenosis (esvaziamento) do deus vingativo, do deus que está no controle, do deus que manda matar, do deus domesticado e de um povo, do deus transcendente...

A kenosis é a recusa de Deus de se identificar com o Poder, com o Motor Imóvel, com o autoritarismo, arbitrariedade, de escrever a história à parte dos homens.

A encarnação é a afirmação plena do humano; é Deus gostando e ensinando a ser gente, é Jesus de Nazaré nos inspirando a abrir mão de pretensões tolas tais como a posse da Verdade, a religião verdadeira, uma fé mágica que arredonda a vida, intolerância religiosa.

Evangelho/encarnação/kenosis é deus deixando a companhia de anjos para se aproximar do homem, da mulher, do gay, da prostituta, do religioso, do judeu, do grego, das crianças, do índio; de todas as gentes de toda cultura, tribo e nação.


Márcio Cardoso

17 de maio de 2013

#FICADICA

01 - A vida não é fácil - acostume-se com isso.

02 - O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.

03 - Você não ganhará R$20.000 por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.

04 - Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.

05 - Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade.

06 - Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.

07 - Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

08 - Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA!!! Faça certo da primeira vez!

09 - A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

10 - Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

11 - Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles.


Bill Gates

11 de maio de 2013

O REINO?


- Fiz o que fiz pelo bem do reino.
- O reino? Quer saber o que é o reino? É as centenas de espadas dos inimigos de Aegon. Uma história que concordamos em contar repetidas vezes até esquecermos que é uma mentira.
- Mas que nos resta quando abandonamos a mentira? Caos. Uma cova aberta à espera de nos engolir a todos.
- O caos não é uma cova. O caos é uma escada. Muitos que a tentam subir falham e nunca podem tentar outra vez. A queda quebra-os. A alguns é dada a oportunidade de trepar, mas recusam. Agarram-se ao reino, aos deuses ou ao amor. Ilusões. Só a escada é real. Trepá-la é tudo o que existe.


Game Of Thrones (3º Temporada, 6º Episódio)

10 de maio de 2013

SEMPRE RESTARÁ IR EM FRENTE...

Mesmo que as trancas não cedam, os corredores escuros se alonguem e as pontes pendam inacabadas, viver é descobrir as diferentes cores da coragem; transformar-se em levedo em meio à hostilidade, infiltrar-se na massa que descansa e ter paciência para crescer.

Mesmo que as trincheiras inundem, o fogo inclemente alastre-se e as ambulâncias enguicem, viver é revestir-se de dignidade; assumir o comando dos veleiros de panos rotos e prosseguir através de mares inexplorados.

Mesmo que as datas se mostrem aborrecidas, as lâmpadas bruxuleiem e os sacerdotes entrem em greve, viver é colonizar-se no mundo da poesia; liderar excursões pelos labirintos eternos e repetir os adágios que o profeta grafitou nas paredes do metrô.

Mesmo que as pedreiras resistam à dinamite e os corações embrutecidos legitimem a maldade, viver é balançar o dedo na cara da desilusão e gritar: não desistirei; jogar os escrúpulos sociais pela janela e repetir: vou em frente; aproveitar o instante fugidio e insistir: como ninguém acrescenta um côvado à minha existência, prosseguirei até o fim.


Ricardo Gondim

9 de maio de 2013

DANÇA DA SOLIDÃO


Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

Camélia ficou viúva, Joana se apaixonou
Maria tentou a morte, por causa do seu amor
Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado
Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

Quando vem a madrugada, meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola, contemplando a lua cheia
Apesar de tudo, existe uma fonte de água pura
Quem beber daquela água não terá mais amargura.


Marisa Monte (Dança da Solidão)

8 de maio de 2013

MEU TEMPO TEM NOME

Por: Diego Cosmo
Nunca vi o tempo distorcer tanto... O relógio desaprende a contar qualquer coisa quando ao menos te vejo e aprende a cantar desafinadamente os minutos quando nos despedimos. Teu beijo é um eterno fechar de olhos, te abraçar me leva as mais variadas eternidades antes impensáveis, o que dizer desse teu sorriso? Nem ouso esboçar mais nada, qualquer palavra não chega aos pés de puder descrever o teu cheiro, teus gestos e todas as sutilezas que ensaio entender. Melhor parar por aqui antes que eu comece a me iludir achando que posso explicar algo do que ando a viver contigo...

6 de maio de 2013

SERÁ QUE EU SOU MEDIEVAL?



Você me pede
Pra ser mais moderno
Que culpa que eu tenho
É só você que eu quero

Às vezes eu amo
E construo castelos
Às vezes eu amo tanto
Que tiro férias
E embarco num tour pro inferno

Será que eu sou medieval?
Baby, eu me acho um cara tão atual
Na moda da nova idade média
Na mídia da novidade média

Olha pra mim, me dê a mão
Depois um beijo
Em homenagem a toda
Distância e desejo
Mora em mim
Que eu deixo as portas sempre abertas
Onde niguém vai te tirar
As mãos vazias nem pedras

Eu acredito nas besteiras
Que eu leio no jornal
Eu acredito no meu lado
Português, sentimental
Eu acredito em paixão e moinhos lindos
Mas a minha vida sempre brinca comigo
De porre em porre, vai me desmentindo


Cazuza (Medieval II)