23 de dezembro de 2012

A VIDA É ATEMPORAL

A realidade exterior acontece dentro do tempo linear, histórico, que anda sempre para a frente, vetor que sai do passado e vai para o futuro. A feira da fruição, entretanto, é regida pelo tempo circular, que anda para trás, na busca dos objetos amados perdidos. Tempo da saudade. A alma não quer ir para a frente. A alma quer reencontrar, no futuro, aquilo que ela amou e perdeu, no passado. Para a alma, o que se espera, no futuro, é o reencontro do Paraíso perdido. Relembro o curto verso de T.S. Eliot: "E o fim de todas as nossas explorações/Será chegar ao lugar de onde saímos/E conhecê-lo então pela primeira vez."

Rubem Alves

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