29 de outubro de 2012

O MERCADO NEM SEMPRE RESOLVE

A democracia brasileira está marchando para ser a liberdade do mercado, do deus mercado, erigido como senhor da guerra e da paz, o mágico sistema que pode resolver tudo. O mercado não resolve os problemas da fome, das doenças, da segurança. Não vejo senão como uma ficção desonesta que a solução para o bem-estar seja um Estado mínimo e uma sociedade economicamente permissiva.

Condeno o Estado, polvo de mil tentáculos, invadindo os setores privados. Mas tem de ser forte para harmonizar conflitos, proteger os mais fracos, tornar efetiva a livre concorrência e, sobretudo, ser gestor de um aparato que aprofunde a democracia, voltado para coibir as injustiças. É da soberania divina que "o homem não foi feito para o Sábado, e sim o Sábado para o homem". [...] O mercado, considerado sob o ponto de vista dogmático e sagrado, leva ao desemprego estrutural, ao desemprego conjuntural. O homem fica transformado num insumo que pode ser desagregado do conjunto da produção. Desempregar para diminuir custos, como se pudéssemos abstrair do desempregado todas as consequências humanas de sua condição.


José Sarney

24 de outubro de 2012

CRER NÃO É PRECISO

Por: Diego Cosmo

Começo a pensar que Deus, definitivamente, não faz a menor questão que acreditemos Nele, Deus não é algo a se crer, Ele não se faz assim, Ele é algo a se ter fé. Se nos fosse inerente crer Nele em nossa existência, tudo seria claro mas tudo é mistério.. Por que? Porque Ele "não" existe, vemos Deus no campo do invisível, somente a fé nos possibilita tal diálogo. No contrário seria possível, de alguma forma, mapearmos toda a natureza Dele, sua personalidade etc. Já que crer subentende-se uma certeza.

"Deus, a fonte de todas as primeiras intenções, é aquele que tudo vê, mas que, exatamente por isso, não é visível. Porque o que é visível atende ao que se quer ver. Deus é invisível porque não atende aos desejos políticos de nosso olhar.Nilton Bonder

Diante de tais colocações é preciso estabelecermos, na tentativa de validar o que já foi posto, pressupostos básicos, vou partir de dois que certamente concordamos, no contrário, certamente o resto do texto não será de nenhuma relevância, vamos aos pressupostos: 1) Deus é Amor e 2) esse Amor é incondicional. Para começo de papo, sugiro que você pense o que entende por incondicional. Se 1) Deus é amor: Ele pode tudo aquilo que pode o amor, ou se mostra em tudo aquilo que seja manifestação de caráter amoroso. Logo o que não for dessa índole está fora do campo de atuação de Deus. E já não lhe diz respeito. 2) Se esse Amor é incondicional, ai vem as maiores e mais lindas implicações. Para que Ele possa nos amar não é preciso de nada a mais do que simplesmente existir, (Se há alguma condição, é essa, existir!). Apartir do momento em que preciso fazer algo, qualquer coisa além de existir, para ganhar seu amor, ou influenciá-lo, esse amor passa a ser condicional. Quando preciso de um livro, inclusive a bíblia, para Conhecê-lo, isso já é uma condição, quando preciso ao menos crer Nele para receber algo, seja até mesmo apenas uma simpatia, isso também é uma condição.

Em última análise, Deus não nos ama pelo que fazemos ou deixamos de fazer, isso anularia a graça e até mesmo o perdão tão falado nas igrejas, "as suas misericórdias não tem fim; renovam-se a cada manhã". Seria pretensioso da parte Dele propor algo em que Ele mesmo seria incapaz de fazer. Ele é até para os ateus, seria muita arrogância de um deus desejar que acreditemos nele para nos disponibilizar algo, Deus é Deus. Em nossa árdua tarefa de vivermos a vida ao lado dos mistérios que nos cercam, é necessario, ao menos, um esforço em nos esvaziarmos na tentativa de Compreendê-lo melhor, tendemos sempre a entendê-lo apartir de nós mesmos, impossível ser apartir de outra coisa/ser, então nesse momento se entra na difícil empreitada de nos diminuir o máximo possível, de todas as nossas pretenções ás nossas segundas intenções. Boa sorte para nós...

LINKSTÂNEA (VOL. 16)


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DEUSES

Será isto que é a alma, a ausência que mora em mim, e faz o meu corpo tremer. Não me canso de repetir esta coisa linda que disse Valéry: "Que seria de nós sem o auxílio das coisas que não existem?" Estranho isso, que o que não existe possa ajudar... Deus nos ajuda, mesmo não existindo: este o segredo da sua onipotência. Teologia é um encantamente poético, um esforço enorme para gerar deuses... Que deuses? Os meus, é claro. São os únicos que me é permitido conhecer. Lembro-me de Feuerbach. Compreendeu que estamos destinados ao nosso corpo, especialmente os olhos. Vemos. Mas em tudo o que vemos encontramos os contornos da nossa própria nostalgia, o rosto da alma. Como Narciso, que se enamorou de sua própria imagem refletida na superfície lisa da fonte. Também nós: o universo sobre que falamos é a imagem dos nossos cenários interiores. Com o que concorda a psicanálise, e antes dela o Evangelho: a boca fala do que está cheio o coração. Nossos deuses são nossos desejos projetados até os confins do universo. "Se as plantas tivessem olhos, capacidade de sentir e o poder de pensar, cada uma delas diria que a sua flor é a mais bela." Os deuses das flores são flores. Os deuses das lagartas são lagartas. Os deuses dos cordeiros são cordeiros. E os deuses dos tigres são tigres... Tudo é sonho. Ou, como diz Guimarães Rosa: "Tudo é real porque tudo é inventado".


Rubem Alves

BONDADE VEM DA FORÇA

Olhe ao seu redor - as pessoas que você acha boas, quase sempre são fracas. A bondade delas não vem da força, vem da fraqueza. Elas são boas porque não ousam ser más. Mas que tipo de bondade é essa que vem da fraqueza? A bondade tem de surgir de uma força transbordante, só então é boa porque ela é vida, um fluxo de vida. Assim, sempre que um pecador se torna santo, sua santidade tem sua própria glória. Mas sempre que um homem comum se torna santo por causa da sua fraqueza, sua santidade é pálida e morta, não existe vida nela. Um homem que é bom porque não pode ser mau, não é realmente bom. No momento em que se tornar forte, será mau; dê-lhe o poder e imediatamente estará corrompido.


B.S. Rajneesh

19 de outubro de 2012

DORAVANTE

Agora, com fome e sede de viver, numero os dias que imagino faltarem. Tenho pressa - devoro todos os livros, escuto todas as músicas, vejo todos os filmes, recito todos os poemas, corro todas as maratonas. Penso que será melhor acabar a carreira cansado do que enfastiado ou amargurado.

Garimpo amigos com fome de vida. Tento encontrar gente que vive adiante do seu tempo - meu jeito de querer antecipar o futuro. Prometo ser amigo de quem eu possa despejar poesia, repartir anelos e, claro, sonhar sonhos impossíveis.

Pretendo nunca apequenar o mundo de ninguém. Voto não portar-me como vampiro. Sei que se repartir com dignidade bons sentimentos, eu também somarei alegrias. E assim, partilhando nossas biografias, jamais pensarei em outra coisa se senão viver e gerar vida.


Ricardo Gondim

9 de outubro de 2012

CHAMA A CHAMA

Por: Diego Cosmo
Se perde tanto no tempo que nos impossibilita de conhecer a amada no momento em que a vemos, apenas a percebemos, lá no fundo já a conhecíamos. O tempo em si, morada dos sentimentos, dá esse caráter atemporal a esse sentimento com força sem igual. Como nunca esperamos encontrá-lo, é sempre um flagra. Depois quase não existe mais verdades, mas há graça e ternura, a verdade disso não se dá bem com as tantas razões que somos tão criativos em fazer, logo já ninguém sendo dono da verdade a mentira é a mais coerente fonte da verdade para os amantes, lá é que nos encontraremos melhor, falando verdades pelas mentiras. Se Deus é amor, eis uma pista para tamanho mistério que ronda os amores da vida, Se é nos aproximando de sermos imagem e semelhança Dele que nos humanizaremos mais, é amadurecendo cada vez mais esse sentimento que experimentaremos o maior amor de todos. Quero esse amor, que é vivo tanto no passado quanto no futuro, que só morre para ter que ressurgir melhor, que se despedi já sabendo que ta mentindo pois não resiste ao convite do passado, do presente e do futuro que já lhe chamam à chama...

7 de outubro de 2012

A HISTÓRIA DE SOFIA

PREITO AOS LIVROS

Por: Diego Cosmo

Entendi o porque sou materialista quanto aos livros.. É porque há uma relação íntima, já passei prazerosas madrugadas junto a maioria dos livros que li. Geralmente são encontros diários que duram de 2 a 10 dias, depende do livro, mas que sempre deixam sua marca, sempre encarnamos algo do papel. Ao passar de cada página é um beijo dado com o dedo salivado, a cada anotação um diálogo a mais, a cada marcação um elogio. Depois de muitas e muitas emoções, guardamos na estante como se fosse um retrato para sempre lembrarmos dum monte de coisa, inclusive o que somos.

6 de outubro de 2012

AMOR PLATÔNICO

Por: Diego Cosmo

Me fizeste algo para me encantar por ti? Não.. Da mesma forma pelo nada que me deu, curei-me de você e fomos felizes para sempre. A memória ama até o que não existiu e essa fantasia permanece, é utópica, tudo o que amamos mora no céu. Todo o céu é platônico.

1 de outubro de 2012

POLÍTICA PARA O HOMEM

Eu não sou um homem político, justamente porque amo o homem. Os políticos estão sempre falando de lógica, razão, realidade e outras coisas do gênero e ao mesmo tempo vão praticando os atos mais irracionais que se possa imaginar. Talvez eu seja um político, mas desses que só jogam xadrez quando podem fazê-lo a favor do homem. Ao contrário dos "legítimos" políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. Sou um escritor e penso em eternidades. O político pensa apenas em minutos. Eu penso na ressurreição do homem.


Guimarães Rosa

A BÊNÇÃO

As palavras dos jovens anunciam um horizonte, um desejo, um sonho, o início de uma viagem. As palavras que os velhos dizem, eles as dizem olhando para trás, fim de viagem, preparando-se para atracar o barco...


Rubem Alves