13 de abril de 2012

LINKS PP (VOL. 02)

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"AMOR É DIVINO, SEXO É ANIMAL"

Seria possível, eu me pergunto, estudar um pássaro tão intimamente, observar e catalogar suas peculiaridades nos mais diminutos detalhes, a ponto de ele se tornar invisível? Seria possível, enquanto calculando meticulosamente a envergadura de suas asas ou a extensão de seu tarso, de alguma forma perdermos de vista sua poesia? Que em nossas prosaicas descrições de uma plumagem marmórea ou vermiculada, deixemos escapar um lampejo de telas vivas, cascatas de marrons cuidadosamente dosados e dourados que envergonhariam Kandinsky, explosões enevoadas de cor que se rivalizariam com Monet? Eu acredito que sim. Acredito que, ao nos aproximarmos de nossos objetos de estudo com a sensibilidade de estatísticos e disseccionistas, nós nos distanciamos cada vez mais do maravilho e fascinante planeta da imaginação cuja gravidade nos atraiu, antes de tudo, aos nossos estudos.

Isto não quer dizer que devamos deixar de estabelecer fatos e verificar nossas informações, mas apenas sugerir que, se não puderem ser imbuídos da clareza da percepção poética, tais fatos permanecerão como joias opacas; pedras semipreciosas que mal valem o trabalho de ser coletadas.

Quando contemplamos a pupila negra de um periquito, devemos nos ensinar a vislumbrar a fria e distante loucura que Max Ernst percebeu quando decidiu paramentar suas noivas nuas com confecções de pena escarlate e as cabeças monstruosas de pássaros exóticos. Quando algum papagaio ou andorinha-do-mar são capturados pela atenção azulada de nossas lentes Zeiss, devemos ser capazes de ver o voo imóvel das gaivotas sépias por meio das antigas fotografias cinéticas de Muybridge, batendo asas brancas, traçando uma lenta linha osciloscópica pelo tempo e o espaço.

Contemplando um falcão, vemos as diminutas diferenças na largura das hastes que correm pelas penugens onde os egípcios outrora viram Hórus e o olho incandescente da vingança divina encarnada. Até transformarmos nosso reles olhar em visão genuína; até nosso ouvido estar maduro o bastante para pinçar uma sinfonia no pandemônio estridente do aviário; até que isso aconteça podemos ter um hobby, mas não uma paixão.


Alan Moore (Watchmen - edição definitiva: Capitulo 7: págs: 239 e 240)

10 de abril de 2012

UMA NOVA COR DE BATOM

A publicidade precisa sempre de sangue novo, da experiência de gente que acrescenta, que leva às últimas consequências sua própria entrega ao trabalho. De gente que é capaz de se emocionar com um por-de-sol e com uma nova cor de batom. Que é capaz de imprimir um toque poético ao prosaico texto sobre calcinhas ou de tornar legível o economês da campanha de uma financeira. Gente que é capaz de retirar qualquer conotação vulgar de um preservativo e restaurar as pequenas emoções no espaço delimitado de um comercial de tevê ou de um anúncio de jornal. De ousar um out-door com um mínimo de palavras e fazer com que um jingle seja assobiado nas ruas.

Para isto o publicitário existe e trabalha, não apenas para profissionalmente resolver o problema de comunicação do cliente, mas para a partir desde material de trabalho recriar, reinventar o mundo, fazer arte, ditar uma linguagem do nosso tempo.


Gilmar de Carvalho