28 de fevereiro de 2012

ESPERANÇA


Não tenho nada em meio a tudo
Só a carcaça
Parece surrada
Não tenho casa, mas tenho filhos
E sobrevivem mesmo sem abrigo

Não é lenda, não é crendice, não
Pura verdade
Quem é fraco não resiste
Tem que ser forte
Muito guerreiro
Que desarmado não se entrega ao desespero

E vai à luta de peito aberto
Matando a sede nas areias do deserto da vida
Que testa cada dia
O poder de se manter viva
A minha esperança
Que tudo vai girar
O vento vai bater
E a direção mudar

E eu sigo, eu sigo com minha esperança
Que tudo vai clarear
O jogo reverter
E mais justo ficar


In Natura (Carcaça)

25 de fevereiro de 2012

EM LOUVOR AO SONHO

Por: Diego Cosmo

Que não enterremos a fantasia do outro mundo, que o canto das sereias não cessem, que nunca deixemos enferrujar nossas habilidades mágicas, não empoeiremos nossas cartolas! Que a realidade não seja o suficiente para murchar a ilusão, que o sonho esteja sempre no horizonte, nos iluminando. Que o mistério da vida seja vivido junto às fadas, que a razão em seu lúgubre berço não mate os profetas, que o encanto da poesia não seja trucidado pelo caminhar carreirista, que o fascínio da beleza não seja transformado em coisa feia pelos homens mais inteligentes do mundo, que amar seja antes um sonhar do que viver a realidade e que não deixemos de conviver com Dom Quixote.

Que o extraordinário da vida passe em um segundo, assim é o tempo do sonho. Que o segredo do não dito desemboque no beijo, que um galão volte a ser o bastante para pintarmos o céu, que sempre tenhamos cor no sangue para nos levantarmos. Que ao já sabermos de tudo, vejamos a vida por outro ângulo só para aprender a desaprender, que curtamos a ideias enquanto elas nos sustentam, que nossa tendência dogmatizadora não nos roube a capacidade de parirmos deuses. Que nos impulsione antes o sabor do que a imagem, que seja antes a extravagância do que a indiferença, que mesmo quando a vida por o dedo no gatilho, não demos a ela o gostinho de continuarmos esse processo. Que a dona paixão, mulher do sonho, em sua lua de liberdade ao alvorecer presenteie a Terra com homens e mulheres, que apesar de tudo que tem que se fazer para sobreviver, não deixem de viver o romance que é a vida.


"Sem sonhos, os monstros que nos assediam, estejam eles alojados em nossa mente ou no terreno social, nos controlarão. O objetivo fundamental dos sonhos não é o sucesso, mas nos livrar do fantasma do conformismo".

Augusto Cury (O Vendedor de Sonhos - O Chamado; pág: 61)

24 de fevereiro de 2012

COLHER O DIA E A NOITE

Colham botões de rosas enquanto podem,
O velho Tempo continua voando:
E essa mesma flor que hoje lhes sorri,
Amanhã estará expirando.

O glorioso sol, lume do céu,
Quanto mais alto eleva-se a brilhar,
Mais cedo encerrará sua jornada,
E mais perto estará de se apagar.

Melhor idade não há que a primeira,
Quando a juventude e o sangue pulsam quentes;
Mas quando passa, piores são os tempos,
Que se sucedem e se arrastam inclementes.

Por isso, sem recato, usem o tempo,
E enquanto podem, vivam a festejar,
Pois depois de haver perdido os áureos anos,
Terão o tempo inteiro para repousar.


Robert Herrick


"Venham, amigos. Não é tarde demais para procurar um novo mundo, pois eu existo para velejar além do pôr-do-sol. E apesar de hoje não termos a força que nos velhos tempos mexia com a terra e os céus, o que somos, somos. Um temperamento de corações heróicos, enfraquecido pelo tempo e o destino, mas com grande força de vontade. Para perseverar, persistir, encontrar e não hesitar." - Alfred Lord Tennyson


"Fui à floresta porque queria viver de verdade. Eu queria viver profundamente e tirar toda a essência da vida. Fazer apodrecer tudo que não era vida, e não, quando eu morrer, descobrir que não vivi." - Henry David Thoreau

19 de fevereiro de 2012

UM CAVALO MAIS RÁPIDO!

Alguns dizem: "Deem aos consumidores o que eles querem". Não é assim que eu penso. Nossa tarefa é descobrir o que eles vão querer antes de quererem. Acho que Henry Ford disse certa vez: "Se eu perguntasse aos consumidores o que queriam, eles teriam dito: 'Um cavalo mais rápido!'". As pessoas não sabem o que querem até que a gente mostre a elas. É por isso que nunca recorro a pesquisas de mercado. Nossa tarefa é ler coisas que ainda não foram impressas.


Steve Jobs

10 de fevereiro de 2012

DE TÃO TENSO É INTENSO

Por: Diego Cosmo

Amor é brigar, desamor é o tanto faz, amor é o desejo puro de andar de mãos dadas, desamor é a frieza da falta de ciúmes, amor é aquela felicidade na falta do que fazer a dois, desamor é o beijo sem ênfase, amor é tenso, de tão tenso é intenso, é viver anos em um dia só, desamor é não contemplar a grandeza do sorriso, amor é o entrelaçamento com a eternidade, desamor é desaprender a reescrever, amor é aceitar a imperfeição como inerente a perfeição, desamor é ser vencido pelo engessamento, amor é ficar corajoso sem entender, é não ver monotonia no que é cotidiano, desamor é "ter aquela velha opinião formada sobre tudo", é não respeitar a insustentável fluidez da vida.

Amor é, apesar das incertezas, tentar tudo de novo com paixão, desamor é quando a discussão caótica se transforma em malas, amar é um tiro no escuro, é se casar sem perceber, na verdade já nos flagramos casados antes mesmo de trocarmos as alianças!

9 de fevereiro de 2012

DIEGO COSMO - TAEKWON-DO I.T.F

A FILOSOFIA DE MARKETING DA APPLE

Ela se destaca em 3 pontos. O primeiro era empatia, uma conexão íntima com os sentimentos do cliente. "Nós vamos realmente entender suas necessidades melhor do que qualquer outra empresa."

segundo era foco. "Com o objetivo de fazer um bom trabalho das coisas que decidirmos fazer, devemos ignorar todas as oportunidades sem importância."

terceiro e igualmente importante princípio, batizado com um nome canhestro, era imputar. Dizia respeito ao modo como as pessoas formam uma opinião sobre uma empresa ou um produto com base nos sinais que eles transmitem. "As pessoas, de fato, julgam um livro pela capa", escreveu Markkula. "Podemos ter o melhor produto, a qualidade mais alta, o software mais útil etc.; se o apresentarmos de uma maneira desleixada, ele será percebido como desleixado; se o apresentarmos de uma maneira criativa, profissional, vamos imputar as qualidades desejadas."

Fonte: "Steve Jobs por Walter Isaacson"


"Nunca se deve abrir uma empresa com o objetivo de ficar rico. O objetivo deve ser fazer algo em que se acredita e fazer uma empresa que dure." - Steve Jobs

4 de fevereiro de 2012

QUANTAS VEZES?

Quantas vezes fui um ditador? Quantas vezes um inquisidor, um censor, um carcereiro? Quantas vezes proibi, aos que mais queria, a liberdade e a palavra? De quantas pessoas me senti dono? Quantas condenei pelo delito de não serem eu? Não é a propriedade privada das pessoas mais repugnante que a propriedade das coisas? A quanta gente usei, eu, que me acreditava tão à margem da sociedade de consumo? Não desejei ou celebrei, secretamente, a derrota dos outros, eu que em voz alta me cagava no valor do êxito? Quem não reproduz, dentro de si, o mundo que o gera? Quem está a salvo de confundir seu irmão com um rival, e a mulher que ama com a própria sombra?

"Liberdade de investimentos, liberdade de preços, liberdade de câmbio: quanto mais livres são os negócios, mais presa a gente está. A prosperidade de poucos amaldiçoa todos os outros."


Eduardo Galeano

1 de fevereiro de 2012

A ALMA DOS POETAS

Infelizmente, o mundo continua dividido entre feiticeiros e químicos, cientistas e filósofos, gramáticos e poetas. Digo infelizmente porque não foi sempre assim.

Houve tempo em que os astrônomos se enamoravam pelo piscar das estrelas, físicos acreditavam que uma linda bordadeira havia costurado o universo e os biólogos celebravam que o ser humano respirasse, mesmo tendo sido um boneco de barro.

Houve tempo em que os jumentos falavam, as estéreis geravam filhos (extra)ordinários, os anjos matavam milhares de soldados agressores, os cajados secos floresciam e o sol parava para esperar que os mais frágeis prevalecessem na guerra.

Houve tempo em que as fadas ajudavam as órfãs, o beijo do príncipe ressuscitava a princesa do sono, os espelhos se rebelavam para responderem com honestidade e as crianças, talhadas em madeira, viravam gente.

Houve tempo em que a metáfora reinava na literatura. A copa das árvores era um cálice verde de onde respinga orvalho da manhã, a saudade, uma mulher que arruma o quarto do filho que já morreu e a alma da lua se escondia na garganta do galo que soluça seu canto na madrugada.

Houve tempo em que se falava de Deus como suspiro, olfato ou paladar.

Nele, encontrávamos o colo materno, perdido desde a adolescência. Deus era pastor solitário que, sentado numa pedra, espiava suas ovelhas a pastar numa montanha distante; era o amante que abandona um harém para cortejar sua amada; era o juiz que assume a briga dos mais frágeis; era o médico que traz um bálsamo para aliviar a dor da alma; era o amigo que se achega como irmão; era o rei que anuncia a chegada de uma nova ordem; era o pai que educa seus filhos para uma existência madura e autônoma.

Houve tempo em que se liam os textos sagrados com reverência. Diante do numinoso, o mortal tremia; diante do sagrado, o pecador temia; diante do infinito, o finito se perdia, diante do eterno, o humano encolhia.

Lentamente, teólogos e exegetas, cientistas e técnicos, gramáticos e lingüistas, minaram os sonhos e fantasia dos meninos, esvaziaram a verdade dos poetas, quiseram explicar o mistério, captar a verdade, sistematizar Deus, dissecar o poema e criticar a alegoria. E conseguiram!

Eles exilaram os magos que correm atrás das estrelas; sumiram com os profetas alucinados que falam de rodas de fogo no céu; queimaram as mulheres que sentem no corpo, o êxtase do divino.

Esses assassinos da beleza, no ímpeto de explicar o impossível e mapear os rumos do Espírito, deixaram o mundo mais pobre, a fé mais segura, a oração menos incerta e Deus ficou pequeno.

Agora, quem precisar de milagre, pode dispor de hábeis evangelistas que ajudam a abrir as janelas do céu; quem tiver dúvidas, pode comprar exaustivos manuais sobre Deus; quando a vida parecer ameaçadora, é possível domesticá-la, contratando profetas de aluguel.

Minha alma, porém, anseia pela poesia que me abandone reticente; pela prosa que me ferva o sangue; pela ficção que me comova as estranhas; pelo drama que me arrepie a pele; pelos personagens que saltem dos palcos para encarnar em mim.

Sinto que Deus ainda vive no sonho das crianças; ainda habita onde reside a musa do poeta; ainda se revela no desejo do profeta; ainda se move além do horizonte utópico do guerreiro.

Sinto que sua habitação fica no vazio, no nada, e que sua glória se esconde numa nuvem espessa e ofuscante.

Sinto que posso perceber sua verdade no desconhecido absoluto e no inaudível, escutar sua voz.

Sinto que Deus é vento imperceptível, verdade diáfana e mistério espantoso.

Portanto, morro para o anseio de fazer análise sintática ou critica textual dos textos sagrados. Já não invejo os apologetas, só quero que me devolvam o que roubaram de mim: a alma dos poetas, o coração dos meninos e a leveza dos bailarinos.


Ricardo Gondim