30 de janeiro de 2012

SUCO

"Agora, morrer teria sido um erro. Eu queria dar tudo antes que a morte chegasse, ficar vazio, para que a filha da puta não encontrasse nada para levar. Tanto suco eu ainda tinha! Sim, era isso o que tinha ficado em mim ao fim de tanto adeus: muito suco e vontade de navegar e desejo de mundo."


Eduardo Galeano

28 de janeiro de 2012

ENTRELINHAS

Por: Diego Cosmo
Pra se acusar, basta se explicar.
Pra haver confissão, basta uma pergunta.
Pra falar, basta um gesto.
Pra avançar, basta um tropeço.
Pra sofrer, basta uma utopia.
Pra amar, basta um olhar.

27 de janeiro de 2012

O SISTEMA

Que programa o computador que alarma o banqueiro que alerta o embaixador que janta com o general que ordena ao presidente que intima o ministro que ameaça o diretor-geral que humilha o gerente que grita com o chefe que pisa no empregado que despreza o operário que maltrata a mulher que bate no filho que chuta o cachorro.


Eduardo Galeano

26 de janeiro de 2012

COR

A palavra coragem é interessante. Ela vem da raiz latina - cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo - mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula - ela é astuta. O coração nunca calcula nada. 


Osho


"A verdade pouco importa diante do coração.", "Amor é esforço de compreensão.", "O amor é uma ameaça, porque depende de um nível de desprendimento que se aproxima da fé e não pode escorregar na indiferença. O amor não aceita amadores.", "Quem achou pouco, não entende de amor. Quando se ama, acorda-se vestido para o milagre.", "O amor não é suspeita, é superar a desconfiança.", "Todo excesso é amor."


Fabrício Carpinejar

18 de janeiro de 2012

"POR QUE GERAR UMA ÁRVORE TÃO ENCRENQUEIRA E SITUÁ-LA NO CENTRO DO PARAÍSO?"

Adão e Eva não saem do Paraíso porque exercem seu livre-arbítrio. Eles saem do Paraíso porque escutaram não a si, mas ao outro. A serpente é a segunda intenção. Comer do fruto proibido é um engano plenamente tolerável para um ser que não tem compromissos com a perfeição. A falibilidade humana deveria ter tornado o pecado original irrelevante. Porém, o ser que maquina fins utilizando seus desejos, o ser que se deixa levar pelo olhar-fala do outro-serpente e se perde no labirinto de sua identidade, esse ser encontra o Eu. Quando Deus pergunta a Adão: "Onde estás?", Ele não o vê, ou melhor, Ele não o reconhece.

Tal pergunta não se refere à posição geográfica de Adão. Deus não teria dificuldade de localizar Adão, e a indagação é claramente uma pergunta dirigida para Adão fazer a si mesmo. Mais do que se ocultar, Adão desaparece, e Deus registra isso no campo da existência. Enquanto Adão pensa ter adquirido em sua consciência uma presença nunca antes experimentada, Deus dá falta dele na esfera da existência.

Adão e Eva somem do radar da existência porque querem se fazer deuses presentes. É essa localização de GPS que os erradica do Éden. No jardim original não havia longitudes e latitudes nas quais se posicionar. Onde quer que se estivessem, Adão ou Eva eram o centro do universo. Mas agora o homem estava no canto, na periferia absoluta do universo, e lhe parecia que este era o seu lugar, o seu caminho - um lugar possuído e assediado como seu.


Nilton Bonder

17 de janeiro de 2012

SEGUNDAS INTENÇÕES

A vestimenta e as segundas intenções são totalmente transparentes e são percebidos pelo outro constantemente. O que nos salvaguarda da vergonha derradeira deste reconhecimento é que o outro também se faz vestido. Tratamo-nos assim por nomes e a dissimulação das verdadeiras essências se faz tolerável. Até porque a melhor maneira de nos escondermos é trazer alguém para dentro de nosso jogo de encobrimentos. Nesse sentido, a sociedade é a trama de nomes e vestes que garante a legitimidade das aparências. Gradativamente vamos trocando o querer do que se quer das primeiras intenções pelo querer do que se tem ou se pode ter das segundas intenções. As primeiras intenções são sempre eróticas e nascem de um desejo, já as segundas intenções têm como objetivo um fim. É justamente a troca de desejos por fins que nos obriga a vestir-nos, pois o corpo não é mais objeto de um desejo, mas de uma utilidade. Ser e usar se tornam indiscerníveis.


Nilton Bonder

9 de janeiro de 2012

DOR É COISA DE RETROVISOR

Por: Diego Cosmo
Percebi que a melhor maneira de lhe dar com a dor, é expressando-a, é extravasando a falta de chão com os outros, é procurando crescer dentro do caos, dor é grito! É também procurando cura e alternativas com o maior numero possível de meios. A dor é mais intensa, mais forte e aguda por se estar em contato com a fonte geradora, mas depois ela vai embora sem deixar muita sujeira. Se encaro minha dor tentando esconde-la, as coisas só tendem a se prolongar e podem ser mais traumáticas, devo tirar proveito disso tudo, o colapso de nossas defesas só nos serve para nos dar mais uma oportunidade de nos encontrarmos melhor, sendo assim não sofreremos a toa. Nossos sentimentos parecem que pensam por conta própria, ou se não, é o nosso Eu gritando lá do fundo do inconsciente, é o que estar abaixo da ponta do iceberg querendo emergir. Para os sentimentos a dor nunca é bem vinda, como uma gaiola não é para um pássaro. Mas a dor existe, enfim o amor se expressa em seres feito de luzes e trevas.

A dor deve ser assumida naturalmente para que ela tome seu rumo, o destino dela é ser expulsa, que é nossa reação natural a algo tido como não necessário. Os bons momentos devem ser vividos intensamente e com liberdade, sem defesas, para que eles tenham o destino que lhe é natural - a eternidade. Os maus momentos também devem ser vividos com coerência, sem defesas, é sendo fiel a dor que ela seguira seu destino - que é ir embora. A dor surge para termos que vê-la pelo retrovisor depois de termos ficado bem próximo dela.


"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." - João Guimarães Rosa

8 de janeiro de 2012

AMOR É A REESCRITA

O Amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão, Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura por eles vestidas.


Fernando Pessoa


Há gente, sim, que muda de amor para não mudar de opinião, que muda de homem para não mudar sua rotina, que manda onde não vigora poder e dominação. Que culpa o amor por não dar conta dele, que ama já pedindo desculpa por não amar. O amor grande não é um grande amor. Há gente que desperdiça a chance do amor grande porque há apenas uma chance para amar grande. Muitas chances dentro de uma chance. O resto são disfarces, suturas, apoios. Amor grande seria insuportável duas vezes nesta vida. Ou a gente se apequena para receber esse amor ou permanece se engrandecendo para não aceitá-lo. Amor é mudar, sempre mudar, sempre se adaptar. E nunca cansar de criar idiomas.


Fabrício Carpinejar


"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem." - Antoine de Saint-Exupéry

6 de janeiro de 2012

SEU CORAÇÃO É LIVRE

Por: Diego Cosmo
Por que as segundas intenções nos guiam mais do que as primeiras, as mais puras? Por que idolatramos a razão ao ponto de perdemos a própria razão e o bom senso? Por que a sede em ser coerente enquanto a vida de coerência não tem nada? Por que esse medo disfarçado de lucidez? Por que sempre quando distantes nos tornamos sábios? Por que ordem a partir do caos? Por que só no final das contas nos damos conta? Por que as coisas não saem do papel? Por que nunca encarnamos os valores que importam? Por que sempre a lógica sobre o amor? Por que sacrificamos o que importa por ideologias? Por que amamos mais a imagem do que simplesmente ser?

As vezes no leito de morte, vejo uma metáfora triste do futuro da humanidade... Em que finalmente exerceremos nossa humanidade, sendo que no fim dos tempos... Quando a situação já for irreversível. E seremos como aqueles que aceitam a Jesus como seu salvador segundos antes de morrer...


"Seu coração é livre. Tenha a coragem de segui-lo" - Braveheart (filme)

5 de janeiro de 2012

UM SEGUNDO ILUMINISMO

A Mão dos Mistérios

Desde as Cruzadas até a política norte-americana, passando pela Inquisição, o nome de Jesus vinha sendo usado em vão, em todo tipo de disputa de poder. Os ignorantes sempre haviam gritado mais alto, convocando as massas incautas e forçando-as a fazer o que mandavam. Defendiam seus desejos mundanos citando Escrituras que não compreendiam. Celebravam sua intolerância como prova de suas convicções. Agora, depois de tantos anos, a humanidade finalmente conseguira erodir por completo tudo aquilo que Jesus outrora tinha de belo.


Dan Brown

3 de janeiro de 2012

CORAGEM PARA PROSSEGUIR

Aprendi mais uma vez que um ano não pode ser só bom ou ruim. É absurdamente é absurdamente cheio de curvas e surpresas,das que trazem sorrisos ou lágrimas. 2011 é um ano desses em que a gente se descobre bem pequeno e ao mesmo tempo enorme. Saio dele mais forte com a crença no mantra escrito por Rosa, o Guimarães: "...o correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem".

Não adivinho futuros, só arrisco afirmar que 2012 traz dentro de si um ano novinho em folha para as novas escolhas e desafios, para os desejos mil. Traz também o improvável, o impossível, o incerto, o duvidoso. Traz o acaso. Que tenhamos alegria e sabedoria [isso a gente acumula e reinventa] para vivê-lo. Que 2012 seja um ano cheinho de coragem.


Iana Soares


"O inferno pode ser certas lembranças... O mal muitas vezes é aquilo que faz questão de não querer sair de sua vida... A vida é tudo aquilo que te faz continuar caminhando mesmo que seja do começo. Prossiga." - Anso Rodrigues