30 de outubro de 2011

ARRUMANDO MEU CAMINHO


Eu não voltei mais para casa desde quando você foi embora a tempos atrás
Estou arrumando meu caminho de volta ao céu
Contando passos, caminhando na contra mão desta estrada
Estou contando meu caminho de volta ao céu
Eu não posso ser livre com o que está preso dentro de mim
E se existe uma chave, você levou em suas mãos.

Não há errado e certo, mas tenho certeza de que há bom e mau
As questões persistem em minha mente
Não importa quão frio seja o inverno, há uma primavera adiante
Estou arrumando meu caminho de volta ao céu
Gostaria de abraçar você se eu pudesse
Gostaria se eu a tivesse..

Pensando sobre o céu
Eu soltei uma corda, pensando que ela me traria de volta
E a tempo eu percebi, ela agora está enrolada em meu pescoço
Eu não consigo ver o que estar por vir, desta passagem solitária
De cabeça baixa e contando meus passos, é mais um carro passando
Todos os sinais enferrujados que nós ignoramos por toda a nossa vida
Em vez deles escolhemos os brilhantes

Eu mudei minha direção, agora não há como voltar
Não importa quão frio seja o inverno, há uma primavera adiante
Eu sorrio, mas quem estou enganando?
Eu estou percorrendo as milhas, de vez em quando eu pego uma carona

Estou arrumando meu caminho de volta ao céu
Arrumando meu caminho de volta ao céu
Estou arrumando meu caminho de volta ao céu...


Pearl Jam (Thumbing My Way)

"FULANO É MUITO POLÍTICO"

A cosmovisão de uma sociedade que acredita mais nas relações sociais do que nos indivíduos que lhes dão forma e vida têm a capacidade ou o poder de dobrar a vontade dos indivíduos, fazendo com que façam coisas que até mesmo abominam em nome da lealdade ou da fidelidade para com outra pessoa. Em nome da amizade, do amor filial ou do compadrio e parentesco, conforme situamos o problema no caso do Brasil. Somos, assim, obrigados a visitar pessoas, a comer comidas, a dar presentes, a assinar manifestos, a frequentar locais e até mesmo a casar, não porque individualmente queremos, mas porque há uma demanda relacional. É a relação que exige, não o indivíduo que deseja! Há a lógica individual de cada um; há a lógica da moralidade social que orienta a ação de todos; e há a lógica das relações que todos estabelecem entre si e com a ideologia como um todo.


Roberto DaMatta (A Casa e a Rua; págs: 134 e 135)

19 de outubro de 2011

O QUE É ESTE MUNDO?


"O que é este mundo.. Senão a ausência de Deus, sua retirada, sua distância (a que chamamos espaço), sua espera (a que chamamos tempo), sua marca (a que chamamos beleza)"


André Comte-Sponville

14 de outubro de 2011

VIXE MARIA!

Ou Deus quer tirar o mal do mundo, mas não pode; ou pode, mas não o quer tirar; ou não pode nem quer; ou pode e quer. Se quer e não pode, é impotente; se pode e não quer, não nos ama; se não quer nem pode, não é o Deus bom e, além disso, é impotente; se pode e quer - e isto é o mais seguro -, então de onde vem o mal real e por que não o elimina?


Epicurus, ed. de O. Gigon, Zürich, 1949, p. 80.

2 de outubro de 2011

AS REGRAS DA PERVERSÃO


Homens dominam outros homens e é assim que nasce a diferença dos valores; classes dominam classes e é assim que nasce a idéia de liberdade; homens se apoderam de coisas das quais eles têm necessidade para viver, eles lhes impõem uma duração que elas não têm, ou eles as assimilam pela força - e é o nascimento da lógica. Nem a relação de dominação é mais uma "relação", nem o lugar onde ela se exerce é um lugar. E é por isto precisamente que em cada momento da história a dominação se fixa em um ritual; ela impõe obrigações e direitos; ela constitui cuidadosos procedimentos. Ela estabelece marcas, grava lembranças nas coisas e até nos corpos; ela se torna responsável pelas dívidas. Universo de regras que não é destinado a adoçar, mas ao contrário a satisfazer a violência. Seria um erro acreditar, segundo o esquema tradicional, que a guerra geral, se esgotando em suas próprias contradições, acaba por renunciar à violência e aceita sua própria supressão nas leis da paz civil. A humanidade não progride lentamente, de combate em combate, até uma reciprocidade universal, em que as regras substituiriam para sempre a guerra; ela instala cada uma de suas violências em um sistema de regras, e prossegue assim de dominação em dominação.

É justamente a regra que permite que seja feita violência à violência e que uma outra dominação possa dobrar aqueles que dominam. Em si mesmas as regras são vazias, violentas, não finalizadas; elas são feitas para servir a isto ou àquilo; elas podem ser burladas ao sabor da vontade de uns ou de outros. O grande jogo da história será de quem se apoderar das regras, de quem tomar o lugar daqueles que as utilizam, de quem se disfarçar para pervertê-las, utilizá-las ao inverso e voltá-las contra aqueles que as tinham imposto; de quem, se introduzindo no aparelho complexo, o fizer funcionar de tal modo que os dominadores encontrar-se-ão dominados por suas próprias regras.


Michel Foucault (Microfísica do Poder; págs: 24, 25 e 26)