24 de setembro de 2011

QUANDO ACREDITAMOS NA MENTIRA

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu (...)
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e
Perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pregada à cara.
Quando a tirei e me vi no espelho,
Já tinha envelhecido.


Álvaro de Campos

Nenhum comentário: