18 de maio de 2011

"NÃO ERA UMA AERONAVE, ERA UM DISCO VOADOR!"


questão da existência de vida fora da Terra não tinha chamado tanta atenção desde o famoso "caso Roswell", em 1947. Foi quando uma nave supostamente alienígena teria se chocado contra o solo em Roswell, Novo México, que, a partir daquele momento, se tornara um santuário para milhões de amantes de teorias da conspiração e óvnis. Aquele caso não passara de um acidente militar durante uma operação secreta chamada Projeto Mogul, envolvendo um balão-espião que estava sendo projetado para captar os sons dos testes atômicos dos russos. Durante um dos vôos experimentais, um protótipo havia saído de seu curso e caído no deserto do Novo México. Infelizmente um civil encontrou os destroços antes que os militares conseguissem chegar ao local. O fazendeiro William Brazel havia se deparado com os pedaços espalhados de um neoprene sintético radicalmente novo e de metais leves que nunca tinha visto, então chamou imediatamente o xerife. Os jornais divulgaram a descoberta dos estranhos destroços, fazendo com que o interesse do público crescesse rapidamente. Alimentados pela negativa oficial dos militares de que o material fosse deles, os repórteres começaram a investigar, ameaçando o segredo em torno do Projeto Mogul. Entretanto, quando parecia que a delicada questão da existência de um balão-espião estava prestes a ser revelada, algo fantástico aconteceu.

A mídia chegou a uma conclusão inesperada: aquelas substâncias futurísticas só podiam ter vindo de outro planeta, fabricadas por criaturas cientificamente mais avançadas do que os humanos. O fato de os militares negarem qualquer envolvimento com o incidente só podia significar uma coisa: um contato secreto com os alienígenas! Apesar de ter ficado bastante surpresa com essa nova hipótese, a Força Aérea não iria reclamar de uma história tão oportuna. Os militares tomaram partido da teoria dos extraterrestres e fizeram com que crescesse. Uma suspeita mundial de que ETs estavam visitando o Novo México era um risco para a segurança nacional  muito inferior à possibilidade de os russos saberem algo a respeito do Projeto Mogul. Para alimentar a história dos alienígenas, a comunidade de inteligência envolveu todo o incidente em completo segredo e começou a planejar "vazamentos de informações" sobre contatos com extraterrestres, espaçonaves recuperadas e até mesmo um misterioso "Hangar 18" na base da Força Aérea de Wright-Patterson, em Daytona, onde o governo estaria mantendo os corpos dos ETs congelados. O mundo inteiro comprou essa versão, e o interesse por Roswell percorreu o planeta. A partir daquele momento, toda vez que um civil acidentalmente avistava uma aeronave militar americana, a comunidade de inteligência precisava apenas tirar o pó da velha teoria da conspiração.

NÃO ERA UMA AERONAVE, ERA UM DISCO VOADOR!

O administrador ficava surpreso por aquele truque continuar funcionando nos dias de hoje. Todas as vezes que a mídia relatava um súbito aumento de aparições de óvnis, Ekstrom ria. Na maioria dos casos, algum civil tinha visto de relance um dos 57 Global Hawks do NRO: aviões de reconhecimento em formato de charuto que eram operados por controle remoto e se moviam a altíssima velocidade e de forma única. Ekstrom achava patético que muitos turistas ainda fizessem peregrinações até o deserto do Novo México para ficar observando o céu noturno com suas câmeras de vídeo. De vez em quando alguém dava sorte e conseguia uma "prova concreta" de um óvni: luzes fortes cruzando rapidamente o céu e fazendo manobras radicais a velocidades muito superiores às de qualquer avião existente. O que essas pessoas não sabiam é que havia cerca de 12 anos de diferença entre o desenvolvimento de projetos para o governo e sua divulgação para o grande público. Os caçadores de discos voadores estavam apenas tendo uma rápida visão da próxima geração de aeronaves americanas sendo construídas e testadas na Área 51- muitas das quais eram resultado de idéias de engenheiros da NASA. É claro que o setor de inteligência nunca corrigia esse engano: era preferível que todos acreditassem em outro misterioso objeto voador avistado a que ficassem a par da capacidade real dos novos aviões militares.


Dan Brown (Ponto de Impacto; págs: 252 e 253)

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