12 de fevereiro de 2011

A TIRANIA DA FELICIDADE


A felicidade é o objetivo da busca eterna e universal que vem ocupando a mente humana desde os primórdios da Criação. As pessoas podem diferir em suas perspectivas políticas e religiosas, filosofias de vida, perfis psicológicos, cultura e raça, mas todos, sem exceção, querem ser felizes. A felicidade é a meta do pobre e do rico, do erudito e do ignorante, do santo e do pecador, do ateu e do crente, do ascético e do indulgente. É por causa da felicidade que aspirantes espirituais oram, trapaceiros trapaceiam, monopolistas monopolizam, caridosos entregam-se à caridade, bêbados bebem, ladrões roubam e penitentes se arrependem. Almejando felicidade, uns se casam, outros se divorciam, alguns cometem suicídio e outros se tornam homicidas. E, no entanto, a perseguição à felicidade resulta numa tentativa caótica, absurda, infrutífera. Ninguém tem certeza de como alcançá-la. Nenhum ramo de estudo nos trouxe conhecimento algum a respeito do segredo da felicidade. A religião enfatiza a salvação e a filosofia, a busca da verdade. Os moralistas falam a respeito do dever, e os psicólogos nos pedem que enfrentemos e convivamos com a infelicidade. Os cientistas pouco se importam com nossos sentimentos, e os economistas dão valor tão-somente à riqueza e à prosperidade. Nenhum deles se dedica ao problema da felicidade.

Em busca da felicidade, as pessoas freqüentemente se comportam de forma estranha. Alguns ficam felizes quando os outros estão felizes; alguns são felizes quando os outros são infelizes; e existem até mesmo aqueles que são felizes quando eles próprios são infelizes. Uns têm esperança de comprar a felicidade enquanto outros há que tentam usurpá-la do próximo. Há aqueles que buscam alcançar a felicidade através do domínio, pelo poder; outros, no apego às coisas. Desta forma, estamos todos constantemente perseguindo a felicidade, ao invés de sermos felizes. Não admira, portanto, que nasçamos chorando, vivamos nos lamuriando e morramos frustrados.


Swami Adiswarananda (monge da Ordem Ramakrishna)

2 comentários:

Facundo disse...

O velho Salomão, depois de curtir todas, chegou a conclusão que geliz mesmo é aquela que, na simplicidade, sabe desfrutar a vida, com gratidão a Deus pelo pão de casa dia, da mulher fogosa e de poder desfrutar do fruto do trabalho. O que parece ser algo que só existe na dimensão do sensacional, está na verdade no simples, no âmago.
Lógico que o mercado de consumo vai tratar isso como uma merda de vida. Fazer o quê né, o ocidente é osso!

Diego Cosmo disse...

É... por isso é o que os pobres e os simples têm uma maior facilidade para desfrutar do que a vida tem de melhor.