18 de dezembro de 2011

POEMA




Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás


Ney Matogrosso (Poema)

15 de dezembro de 2011

PACTO E CONTRATO

"O Pacto são dois num só apelo, diferente do contrato, que é cada um por si. O pacto é palavra, o contrato é letra. A palavra é lembrança, a letra é cobrança. O pacto é confiança, o contrato é obrigação. No contrato, se pode sair a qualquer hora. No pacto, a saída é sempre pela honra".


Fabrício Carpinejar

2 de dezembro de 2011

O INTERESSE DA BURGUESIA


Creio que é possível deduzir qualquer coisa do fenômeno geral da dominação da classe burguesa. O que faço é o inverso: examinar historicamente, partindo de baixo, a maneira como os mecanismos de controle puderam funcionar; por exemplo, quanto à exclusão da loucura ou à repressão e proibição da sexualidade, ver como, ao nível efetivo da família, da vizinhança, das células ou níveis mais elementares da sociedade, esses fenômenos de repressão ou reclusão se dotaram de instrumentos próprios, de uma lógica própria, responderam a determinadas necessidades; mostrar quais foram seus agentes, sem procurá-los na burguesia em geral e sim nos agentes reais (que podem ser a família, a vizinhança, os pais, os médicos, etc.) e como estes mecanismos de poder, em dado momento, em uma conjuntura precisa e por meio de um determinado número de transformações começaram a se tornar economicamente vantajosos e politicamente úteis. Desse modo, creio ser possível demonstrar facilmente que, no fundo, a burguesia não precisou da exclusão dos loucos ou da vigilância e proibição da masturbação infantil, e nem foi por isto que o sistema demonstrou interesse (o sistema burguês pode perfeitamente suportar o contrário) mas pela técnica e pelo próprio procedimento de exclusão. São os mecanismos de exclusão, os aparelhos de vigilância, a medicalização da sexualidade, da loucura, da delinqüência, é toda esta micro-mecânica do poder que representou um interesse para a burguesia a partir de determinado momento. Melhor ainda: na medida em que esta noção de burguesia  e de interesse da burguesia não tem aparentemente conteúdo real, ao menos para os problemas que ora nos colocamos, poderíamos dizer que não foi a burguesia que achou que a loucura devia ser excluída ou a sexualidade infantil reprimida. Ocorreu que os mecanismos de exclusão da loucura e de vigilância da sexualidade infantil evidenciaram, a partir de determinado momento e por motivos que é preciso estudar um lucro econômico e uma utilidade política, tornando-se, de repente, naturalmente colonizados e sustentados por mecanismos globais do sistema do Estado. É focalizando estas técnicas de poder e mostrando os lucros econômicos ou as utilidades políticas que delas derivam, num determinado contexto e por determinadas razões, que se pode compreender como estes mecanismos acabam efetivamente fazendo parte do conjunto.

Em outras palavras, a burguesia não se importa com os loucos; mas os procedimentos de exclusão dos loucos puseram em evidência e produziram, a partir do século XIX, novamente devido a determinadas transformações, um lucro político, eventualmente alguma utilidade econômica, que consolidaram o sistema e fizeram-no funcionar em conjunto. A burguesia não se interessa pelos loucos mas pelo poder; não se interessa pela sexualidade infantil mas pelo sistema de poder que a controla; a burguesia não se importa absolutamente com os delinqüentes nem com sua punição ou reinserção social, que não têm muita importância do ponto de vista econômico, mas se interessa pelo conjunto de mecanismos que controlam, seguem, punem e reformam o delinqüente.


Michel Foucault (Microfísica do Poder; págs: 185 e 186)

1 de dezembro de 2011

SE ILUDIR MENOS E VIVER MAIS

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por quê sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que  gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.


Carlos Drummond de Andrade

17 de novembro de 2011

"1984"



Apple inc.

INTUIÇÃO


Voltar para os Estados Unidos foi, para mim, um choque cultural muito maior do que ir para a Índia. As pessoas no interior da Índia não usam o intelecto como nós, elas usam a intuição, e sua intuição é muito mais desenvolvida do que no resto do mundo. A intuição é uma coisa muito poderosa, mas potente do que o intelecto, na minha opinião. Isso teve uma grande influência sobre meu trabalho. O pensamento racional ocidental não é uma característica humana inata; é aprendido e é a grande conquista da civilização ocidental. Nas aldeias da Índia, eles nunca o aprenderam. Eles aprenderam outra coisa, que de certo modo é tão valiosa quanto, mas de outra maneira não é. Trata-se do poder da intuição e da sabedoria experiencial. Comecei a perceber que uma compreensão e consciência intuitiva eram mais significativas do que o pensamento abstrato e a análise lógica intelectual.

Ao voltar, depois de sete meses em aldeias indianas, vi a loucura do mundo ocidental, bem como sua capacidade para o pensamento racional. Se você simplesmente sentar e observar, verá como sua mente é inquieta. Se tentar acalmá-la, isso só torna as coisas piores, mas com o tempo ela se acalma, e quando isso acontece há espaço para ouvir coisas mais sutis - é quando sua intuição começa a florescer e você começa a ver as coisas com mais clareza e estar mais no presente. Sua mente simplesmente fica mais lenta, e você vê uma expansão tremenda no momento. Você vê tanta coisa que poderia ter visto antes. É uma disciplina, você tem de praticá-la.


Walter Isaacson (Steve Jobs Por Walter Isaacson; págs: 53, 67 e 68)

COMO DIZIA O POETA

Mário Gomes

Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão.


Toquinho e Vinicius de Moraes

12 de novembro de 2011

OS APELOS EMOCIONAIS NÃO ADIANTAM


Os apelos emocionais não adiantam: "por favor, não cortem as lindas árvores, não estraguem a paisagem, não deixem os animais morrerem," Isso nada significa para os homens do governo. E a violência também não adianta: "Defenderemos as árvores até o fim, atiraremos em vocês se tentarem destruir a floresta." Isso só servirá para que o exército seja acionado, a fim de proteger a derrubada. Só a ação legal poderá deter o governo. Quando conhecermos a lei melhor do que eles, quando souberem que podemos levá-los aos tribunais e ganhar, quando pudermos provar que estão violando os regulamentos federais, então a derrubada será impedida.


Richard Bach (A Ponte Para o Sempre; págs: 417 e 418)

1 de novembro de 2011

ELA...

Por: Diego Cosmo

Pelo acaso nos encontramos, no caos que antecede a mudança passei a te amar. As vezes odeio pra depois amar... No que eu não espero é que venho a te querer, pelo nome não dito acabei por me apaixonar, é reescrevendo que ficamos juntos... Quando distante (te amo), quando perto (tenho dúvidas), em contradição nos beijamos e fica-se assim sem entender... Nessa carência de quem ama é que te tenho mais perto e assim sonhamos juntos nessa imprevisibilidade amorosa... Nos eternizamos no embaraçoso momento fugaz que estamos juntos, é na indefinição que de alguma forma nos aturamos... No efêmero, na nostalgia, na magia, na poesia, no encanto, nesse conto, nesse olho existimos um no outro, ontem e depois...

VOCÊ E O SEU RETRATO


Por que tenho saudade
de você, no retrato,
ainda que o mais recente?
E por que um simples retrato,
mais que você, me comove,
se você mesma está presente?
Talvez porque o retrato,
já sem o enfeite das palavras,
tenha um ar de lembrança.
Talvez porque o retrato
(exato, embora malicioso)
revele algo de criança
como, no fundo da água,
(um coral em repouso).
Talvez pela ideia de ausência
que o seu retrato faz surgir
colocando entre nós dois
(como um ramo de bortênsia).
Talvez porque o seu retrato,
embora eu me torne oblíquo,
me olha, sempre, de frente
(amorosamente).
Talvez porque o seu retrato
mais se parece com você
do que você mesma (ingrato).
Talvez porque, no retrato,
você está imóvel
(sem respiração...)
Talvez porque todo retrato
é uma retratação.


Cassiano Ricardo

30 de outubro de 2011

ARRUMANDO MEU CAMINHO


Eu não voltei mais para casa desde quando você foi embora a tempos atrás
Estou arrumando meu caminho de volta ao céu
Contando passos, caminhando na contra mão desta estrada
Estou contando meu caminho de volta ao céu
Eu não posso ser livre com o que está preso dentro de mim
E se existe uma chave, você levou em suas mãos.

Não há errado e certo, mas tenho certeza de que há bom e mau
As questões persistem em minha mente
Não importa quão frio seja o inverno, há uma primavera adiante
Estou arrumando meu caminho de volta ao céu
Gostaria de abraçar você se eu pudesse
Gostaria se eu a tivesse..

Pensando sobre o céu
Eu soltei uma corda, pensando que ela me traria de volta
E a tempo eu percebi, ela agora está enrolada em meu pescoço
Eu não consigo ver o que estar por vir, desta passagem solitária
De cabeça baixa e contando meus passos, é mais um carro passando
Todos os sinais enferrujados que nós ignoramos por toda a nossa vida
Em vez deles escolhemos os brilhantes

Eu mudei minha direção, agora não há como voltar
Não importa quão frio seja o inverno, há uma primavera adiante
Eu sorrio, mas quem estou enganando?
Eu estou percorrendo as milhas, de vez em quando eu pego uma carona

Estou arrumando meu caminho de volta ao céu
Arrumando meu caminho de volta ao céu
Estou arrumando meu caminho de volta ao céu...


Pearl Jam (Thumbing My Way)

"FULANO É MUITO POLÍTICO"

A cosmovisão de uma sociedade que acredita mais nas relações sociais do que nos indivíduos que lhes dão forma e vida têm a capacidade ou o poder de dobrar a vontade dos indivíduos, fazendo com que façam coisas que até mesmo abominam em nome da lealdade ou da fidelidade para com outra pessoa. Em nome da amizade, do amor filial ou do compadrio e parentesco, conforme situamos o problema no caso do Brasil. Somos, assim, obrigados a visitar pessoas, a comer comidas, a dar presentes, a assinar manifestos, a frequentar locais e até mesmo a casar, não porque individualmente queremos, mas porque há uma demanda relacional. É a relação que exige, não o indivíduo que deseja! Há a lógica individual de cada um; há a lógica da moralidade social que orienta a ação de todos; e há a lógica das relações que todos estabelecem entre si e com a ideologia como um todo.


Roberto DaMatta (A Casa e a Rua; págs: 134 e 135)

19 de outubro de 2011

O QUE É ESTE MUNDO?


"O que é este mundo.. Senão a ausência de Deus, sua retirada, sua distância (a que chamamos espaço), sua espera (a que chamamos tempo), sua marca (a que chamamos beleza)"


André Comte-Sponville

14 de outubro de 2011

VIXE MARIA!

Ou Deus quer tirar o mal do mundo, mas não pode; ou pode, mas não o quer tirar; ou não pode nem quer; ou pode e quer. Se quer e não pode, é impotente; se pode e não quer, não nos ama; se não quer nem pode, não é o Deus bom e, além disso, é impotente; se pode e quer - e isto é o mais seguro -, então de onde vem o mal real e por que não o elimina?


Epicurus, ed. de O. Gigon, Zürich, 1949, p. 80.

2 de outubro de 2011

AS REGRAS DA PERVERSÃO


Homens dominam outros homens e é assim que nasce a diferença dos valores; classes dominam classes e é assim que nasce a idéia de liberdade; homens se apoderam de coisas das quais eles têm necessidade para viver, eles lhes impõem uma duração que elas não têm, ou eles as assimilam pela força - e é o nascimento da lógica. Nem a relação de dominação é mais uma "relação", nem o lugar onde ela se exerce é um lugar. E é por isto precisamente que em cada momento da história a dominação se fixa em um ritual; ela impõe obrigações e direitos; ela constitui cuidadosos procedimentos. Ela estabelece marcas, grava lembranças nas coisas e até nos corpos; ela se torna responsável pelas dívidas. Universo de regras que não é destinado a adoçar, mas ao contrário a satisfazer a violência. Seria um erro acreditar, segundo o esquema tradicional, que a guerra geral, se esgotando em suas próprias contradições, acaba por renunciar à violência e aceita sua própria supressão nas leis da paz civil. A humanidade não progride lentamente, de combate em combate, até uma reciprocidade universal, em que as regras substituiriam para sempre a guerra; ela instala cada uma de suas violências em um sistema de regras, e prossegue assim de dominação em dominação.

É justamente a regra que permite que seja feita violência à violência e que uma outra dominação possa dobrar aqueles que dominam. Em si mesmas as regras são vazias, violentas, não finalizadas; elas são feitas para servir a isto ou àquilo; elas podem ser burladas ao sabor da vontade de uns ou de outros. O grande jogo da história será de quem se apoderar das regras, de quem tomar o lugar daqueles que as utilizam, de quem se disfarçar para pervertê-las, utilizá-las ao inverso e voltá-las contra aqueles que as tinham imposto; de quem, se introduzindo no aparelho complexo, o fizer funcionar de tal modo que os dominadores encontrar-se-ão dominados por suas próprias regras.


Michel Foucault (Microfísica do Poder; págs: 24, 25 e 26)

29 de setembro de 2011

O PODER


O poder não é um objeto natural, uma coisa; é uma prática social e, como tal. constituída historicamente. Os poderes se exercem em níveis variados e em pontos diferentes da rede social e neste complexo os micro-poderes existem integrados ou não ao Estado. O aparelho de Estado é um instrumento específico de um sistema de poderes que não se encontra unicamente nele localizado, mas o ultrapassa e complementa. Os poderes não estão localizados em nenhum ponto específico da estrutura social. Funcionam como uma rede de dispositivos ou mecanismos a que nada ou ninguém escapa, a que não existe exterior possível, limites ou fronteiras. Rigorosamente falando, o poder não existe; existem sim práticas ou relações de poder. O que significa dizer que o poder é algo que se exerce, que se efetua, que funciona. E que funciona como uma maquinaria, como uma máquina social que não está situada em um lugar privilegiado ou exclusivo, mas se dissemina por toda a estrutura social. Não é um objeto, uma coisa, mas uma relação. Não se explica inteiramente o poder quando se procura caracterizá-lo por sua função repressiva. O que lhe interessa basicamente não é expulsar os homens da vida social, impedir o exercício de suas atividades, e sim gerir a vida dos homens, controlá-los em suas ações para que seja possível e viável utilizá-los ao máximo, aproveitando suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e contínuo de suas capacidades. Objetivo ao mesmo tempo econômico e político: aumento do efeito de seu trabalho, isto é, tornar os homens força de trabalho dando-lhes uma utilidade econômica máxima; diminuição de sua capacidade de revolta, de resistência, de luta, de insurreição contra as ordens do poder, neutralização dos efeitos de contra-poder, isto é, tornar os homens dóceis politicamente. Portanto, aumentar a utilidade econômica e diminuir os inconvenientes, os perigos políticos; aumentar a força econômica e diminuir a força política. O corpo só se torna força de trabalho quando trabalhado pelo sistema político de dominação característico do poder disciplinar.


Roberto Machado (Michel Foucault - Microfísica do Poder [introdução]; págs: 10, 12, 13, 14, 16, 17)

De fato, o poder em seu exercício vai muito mais longe, passa por canais muito mais sutis, é muito mais ambíguo, porque cada um de nós é, no fundo, titular de um certo poder e, por isso, veicula o poder. O poder não tem por função única reproduzir as relações de produção. As redes da dominação e os circuitos da exploração se recobrem, se apóiam e interferem uns nos outros, mas não coincidem. O poder não se dá, não se troca nem se retoma, mas se exerce, só existe em ação, como também da afirmação que o poder não é principalmente manutenção e reprodução das relações econômicas, mas acima de tudo uma relação de poder. Questão: se o poder se exerce, o que é este exercício? em que consiste, qual é sua mecânica?

O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centros de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles.


Michel Foucault (Microfísica do Poder; págs: 160, 175, 183)

26 de setembro de 2011

A GRAÇA NÃO É SUFICIENTE?


Se fundarmos nossa igreja teremos mais dinheiro que o chefe do tráfico e não teremos o incômodo da polícia no nosso calcanhar, nem andaremos com armas nem com gente violenta. Detesto violência, sou da paz. Quem quiser nos seguir e nos pagar dízimos farão livremente. Mas nosso apelo será irresistível. Já saquei como esses pastores da TV trabalham, imprimiremos o medo do inferno nas pessoas, focaremos a culpa pelos pecados. Todo mundo tem pecado. Mostraremos como somos poderosos contra satã.

Como as massas se deixam manipular barato. Tudo não passava de uma farsa, mas o povo acreditava. Por que acreditava tão fácil? Perguntava para si mesmo. "Seria o desespero para obter ajuda espiritual? Conseguir atalhos para vencer os mais terríveis dilemas da vida? Ou mesmo preguiça de pensar, de lutar, e de encarar suas responsabilidades?". Havia também empresários, profissionais liberais e gente de razoáveis posses. O que estariam fazendo no meio da multidão? Eram pessoas que procuram garantir sua prosperidade, que buscavam uma espécie de blindagem divina contra as bancarrotas, as tragédias, as catástrofes, a falência, a violência urbana, as doenças e tudo mais que saísse do seu controle e signifique perigo de perder a boa vida que levavam.

Teologias que exigem sacrifícios, penitências e flagelo. A graça de Jesus não é suficiente? Não foi ele quem fez o sacrifício definitivo?


Jansen Viana (Apenas um Carpinteiro; págs: 35, 74, 75 e 95)

A SÍNDROME DE CENSURAR

Em geral, o critério de julgamento utilizado por um líder já é o reflexo, ou tornar-se-á reflexo, do mesmo critério utilizado pelo seu grupo de convivência. A maldade sofrida por um líder no seu grupo de convivência parece não ser muito diferente dos sofrimentos ou constrangimentos que já provocou em outras pessoas.

Em geral, quando alguém julga severamente, está punindo seu próprio erro ou fraqueza em potencial, tomando o outro como bode expiatório do mal que, em potencial, está dentro de si mesmo. Cada dia mais eu me convenço de que os líderes afetados pela "síndrome de censurar", invariavelmente, ou tiveram comportamentos desajustados dos quais se reprimem e vivem punindo outros com base na projeção da natureza pecaminosa que ainda os acompanha, ou então vivem passíveis e vulneráveis aos erros que condenam. O hipócrita não consegue enxergar que de fato a severidade que utiliza com o outro é decorrente do mal que se aloja na sua própria natureza.

"Portanto és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas; porque no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas" (Rm 2.1).


Carlos Queiroz (Ser é o Bastante; 180, 181 e 183)

25 de setembro de 2011

FIDELIDADE AO EVANGELHO

A fidelidade consiste em nosso grau de conformidade com os dogmas de uma igreja que também deve se ocupar de buscar novas respostas às novas perguntas, em lugar de se ancilosar no passado em nome da perfeição? É fidelidade o que damos quando, pretendendo ser fiéis, nos negamos a refletir junto com o restante do mundo sobre as questões que determinarão o futuro da vida neste planeta e a autenticidade da vida nesta igreja, tais como: o aborto, a eutanásia, o armamentismo nuclear, o papado, a colegialidade, o sexismo e uma ciência desenfreada, como se Jesus não tivesse pensando a partir de uma perspectiva nova nos leprosos e no pecado, nas mulheres e na vida, nos sacerdotes e no povo, em Deus e nos fariseus?

Muito pelo contrário. Não é a nenhuma instituição, por muito elevados que sejam seus objetivos, que devemos ser fiéis. A fidelidade, pura e simplesmente, busca passo a passo, lugar a lugar e projeto a projeto, unicamente a vontade de Deus e a apaixonada presença do Evangelho em um mundo que se sente mais confortável com credos do que com a religião, que está mais familiarizado com a igreja do que com Cristo, mais comprometido com a caridade do que com a justiça, mais involucrado na opressão do que na igualdade, mais dedicado a manter a fé de nossos pais proscrevendo os pronomes femininos dos textos sagrados do que a libertar o ímpeto da Boa Nova. Realmente, devemos analisar cuidadosamente a que somos fiéis, a fim de que a fidelidade não seja a nossa ruína.

Joan Chittister


Andrés Torres Queiruga (Fim do Cristianismo Pré-Moderno; págs: 64 e 65)

Encontrar clareza e tomar as decisões justas, descobrindo o sentido autêntico da Verdade que leva em seu seio, é antes de tudo tarefa da igreja toda, como comunidade viva e corpo organizado. Aí se enraíza justamente o ponto decisivo: a verdade revelada está na igreja, cristalizada como escrito na Bíblia e encarnada nas diversas formas da tradição. E isto implica que ela está sempre "situada" em contextos concretos e "mediada" por densas camadas de idéias, usos e até abusos culturais. É preciso, portanto, trazê-la à atualidade de cada geração e de cada época, de sorte que fique livre de falsos vínculos e que, dizendo o mesmo, o diga de outra maneira: só poderá manter a fidelidade encarando os riscos da mudança. Justamente seu caráter contextual obriga a compreender que sua intenção profunda deve ser retraduzida em cada etapa histórica ou forma cultural, conscientes de que "o apego às formas de expressão tradicionais levou, com maior frequência, à heresia e não à ortodoxia."


Andrés Torres Queiruga (Fim do Cristianismo Pré-Moderno; págs: 149, 150 e 169)

24 de setembro de 2011

QUANDO ACREDITAMOS NA MENTIRA

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu (...)
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e
Perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pregada à cara.
Quando a tirei e me vi no espelho,
Já tinha envelhecido.


Álvaro de Campos

22 de setembro de 2011

CASAMENTO


Para vós invoco os prazeres que voam nos ventos e as alegrias que moram nas cores: beleza, harmonia, encantamento, magia, mistério, poesia: que essas potências divinas lhes façam companhia. Que o sorriso de um seja, para o outro, festa, fartura, mel, peixe assado no fogo, coco maduro na praia, onda salgado do mar... Que as palavras do outro sejam tecido branco, vestido transparente de alegria, a ser despido por sutil encantamento. E que no final das contas e no começo dos contos, em nome do nome não dito, bem-dito, em nome de todos os nomes ausentes e nostalgias presentes, de ágape e filia, amizade e amor, em nome do nome sagrado, do pão partido e do vinho bebido, sejam felizes os dois, hoje, amanhã e depois...


Rubem Alves (Retratos de Amor; págs: 44 e 45)

VONTADE DE POTÊNCIA

A juventude não é um período de tempo. É um estado de espírito, um resultado da vontade, uma qualidade da imaginação, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto pela aventura sobre o amor ao conforto. Um homem não precisa ficar velho porque viveu um determinado número de anos. Os anos podem enrugar a sua pele, mas o desertar dos ideais enruga a alma. As preocupações, os medos, as dúvidas e o desespero são os inimigos que devagar nos fazem prostrar em direção à terra e transformam-nos em poeira antes da morte. A sua vontade permanece jovem enquanto você está aberto para o que é belo, bom e grande; receptivo para as mensagens de outros homens e mulheres, da natureza e de Deus. Se um dia você se tornar amargo, pessimista e consumido pelo desespero, Deus tenha piedade da sua alma de velho.


Gen. Douglas MacArthur

20 de setembro de 2011

NO FINAL A GRAÇA TRARÁ A LUZ

No último julgamento Cristo nos dirá: Vinde, vós também! Vinde, bêbados! Vinde, vacilantes! Vinde, filhos do o próbrio! E dir-nos-á: "Seres vis, vós que sois à imagem da besta e trazem a sua marca, vinde porém da mesma forma, vós também! E os sábios e prudentes dirão: Senhor, porque os acolhes? E ele dirá: Se os acolho, homens sábios, se os acolho, homens prudentes, é porque nenhum deles foi jamais julgado digno. E ele estenderá os seus braços, e cairemos a seus pés, e choraremos e soluçaremos, e então compreenderemos tudo, compreenderemos o evangelho da graça! Senhor, venha o teu Reino!


Fiódor Dostoiévski

O REINO DE DEUS


O Reino de Deus é uma realidade íntima. Jesus disse: "O Reino de Deus está dentro de vós". Buscá-lo é, portanto, um exercício de devoção espiritual, marcado pela comunhão com Deus, através do reconhecimento daquilo que Ele é, através da oração, contemplação, confissão, acolhimento do amor e da graça divina. Buscar o Reino é manter o bem como paradigma interior. Buscar o Reino é cultivar e viver todas as bem-aventuranças como condição primária, como estado íntimo dos limpos de coração.

Os valores e princípios do Reino são uma realidade possível. Portanto, buscar o Reino é buscar a concretização de sua realidade pelo testemunho, proclamação e atos de justiça dos discípulos. Buscar o Reino de Deus é praticar boas obras a fim de que Deus seja glorificado. É confrontar o mal e todos os poderes satânicos para que o reino se aproxime cada vez mais. É manter a esperança de que o Reino de Deus virá em toda a sua plenitude. Assim, buscá-lo é manter a fome e a sede para que a justiça corra como um rio e a paz se instaure para sempre.

Aos que buscam o Reino de Deus e a sua justiça, "todas estas coisas serão acrescentadas". O texto refere-se a "estas coisas", e não a todas as coisas que queremos. E o que será acrescentado? O suprimento necessário a uma vida digna. Assim, "todas estas coisas" não são todas as coisas que almejam os de mentalidade materialista. São as coisas essenciais a uma vida digna, e aqueles concernentes às realidades e esperanças do Reino de Deus.


Carlos Queiroz (Ser é o Bastante; págs: 174 e 175)

A CRUZ


Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós! (Mt 5.10-12)

A paz assimilada e assumida pelo discípulo é resultante da sua fome e sede de justiça. Daí a possibilidade de ser perseguido e sofrer por causa da justiça. Num mundo de injustiça e crueldade, a perseguição é algo inevitável para os discípulos de Jesus.


Carlos Queiroz (Ser é o Bastante; págs: 107 e 110)

8 de setembro de 2011

SEPARAÇÃO CRIATIVA


Se meu filho explode e avisa que não me ama, não irei castigá-lo ou obrigarei que ele desminta na minha frente. Não o puxarei pelos braços, não responderei para procurar um pai diferente, não subirei no púlpito e ordenarei maldições. Tem a liberdade para me odiar. Eu sei que ele me ama. Eu sei que ele me quer.

A sabedoria não está em evitar o sofrimento, e sim em não fugir dele. Já observei casamentos desfeitos porque um falou para o outro que acabou e não voltava mais. E nenhum dos dois cedeu e insistiu e perguntou de novo. Passaram a história inteira para provar o que ele ou ela desperdiçou e o dano irreparável de suas frases. Enterremos logo nossas maldades para velar as injúrias. É só oferecer ao nosso par a mesma capacidade que termos de nos perdoar. Desapareceria metade dos problemas. Os inimigos são netos de nossas teimosias.

Castigamos com silêncio quem temos certeza de que nos ama: torturamos com silêncio quem temos certeza de que nos ama: somos indiferentes a quem temos certeza de que nos ama. Por uma palavra dita na dificuldade absoluta de comunicação. Não vale o que foi vivido antes, será enviado um boleto bancário de um grito, de um palavrão, de uma observação injusta. A cobrança será eterna quando seu significado era provisório, próprio do desabafo, de um momento infeliz.

Não conheço dor que não seja desajeitada; ela vai declarar do jeito errado e do modo errado. Por que não desculpar? Terapeutas conhecem o assunto a fundo. Toda discussão é um desespero e não podem sair agrados e elogios. Mesmo assim, fazemos de conta que é difamação e desrespeito. Mais fácil odiar do que continuar trabalhando as próprias limitações. O boicote é uma forma de educar pelo sacrifício. A pior forma. É ficar preocupado em honrar o castigo. É preparar uma vingança ao invés de se distanciar um pouco para entender o que gerou a discórdia.

Trata-se ainda de um sacrifício mútuo, os dois vão perder a possibilidade de criar uma intimidade maior e mais generosa. Aquele que atacou pedia ajuda. E atacou, pois não sabia justamente pedir ajuda. Preocupados em nos defender, não alcançamos o apelo e retribuímos o inferno. A palavra engana. A palavra manda embora e o corpo pede um abraço. Há de se procurar o gesto. O que me interessa é o gesto, o resto da palavra. A origem. Se aquilo foi feito para permanecer mais perto.

É na briga que mostramos nossa criatividade. Poderemos repetir os clichês: desaparecer para impor uma lição ou aparecer com namorado/namorada para humilhar ou fingir que nada sente. Poderemos repetir as convenções, defender o orgulho acima de tudo, nos preocupar com a honra mais do que com a relação, chamar de preguiça a falta de cuidado com o que foi dito, reclamar responsabilidade, impor ao outro severidade de nossos princípios para mostrar o quanto somos nobres, coerentes e firmes.

Ou poderemos contrariar as expectativas com um talento incomum ao humor e ao entendimento. Só um debate tem tréplica. O diálogo não conta o tempo nem limita o direito de falar. Se a separação depende de motivos, a reconciliação é muito melhor, não precisa delas. Amor não dá a última chance, dá chance sempre. O capricho é cuidar do erro. Não há capricho sem usar a borracha e reescrever de novo.


Fabrício Carpinejar (Mulher Perdigueira; págs: 322, 323 e 324)

MEU DEUS CHORA COMIGO

Ter um deus forte é saber que, se ele tivesse querido, ele teria evitado a morte. Se não evitou é porque não quis. Ora, se foi ele quem matou, ele não pode estar sofrendo. Está é feliz, por ter feito o que queria. Assim, ele é culpado da minha dor. Eu e ele estamos muito distantes, infinitamente distantes. Como poderia amá-lo - um deus assim tão cruel? Mas se ele é um deus fraco, isso quer dizer que não foi ele quem ordenou - ele não pôde evitar. Um deus fraco pode chorar comigo. Ele até se desculpa: "Não foi possível evitá-lo. Eu bem que tentei. Veja só estas feridas no meu corpo: elas provam que me esforcei..." Ele chora comigo. Assim, nós dois, eu e o meu deus, choramos juntos. E por isso nos amamos.


Rubem Alves (Navegando; pág: 111)

5 de setembro de 2011

O JARDIM


Quero também ter a felicidade de poder conversar com meus amigos sobre a minha morte. Um dos grandes sofrimentos dos que estão morrendo é perceber que não há ninguém que os acompanhe até a beira do abismo. Eles falam sobre a morte e os outros logo desconversam. "bobagem, você logo estará bom..." E eles então se calam, mergulham no silêncio e na solidão, para não incomodar os vivos. Só lhes resta caminhar sozinhos para o fim. Seria tão mais bonito uma conversa assim: "Ah, vamos sentir muito sua falta. Pode ficar tranqüilo: cuidarei do seu jardim. As coisas que você amou, depois de sua partida, vão se transformar em sacramentos: sinais da sua ausência. Você estará sempre nelas..." Aí os dois se dariam as mãos e chorariam pela tristeza da partida e pela alegria de uma amizade assim tão sincera.


Rubem Alves (Navegando; págs: 28 e 29)

24 de agosto de 2011

SALVOS DA PERFEIÇÃO

Deus de tão perfeito conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?

A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugido do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descaso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos. Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.

Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Duvidou sem desistir, o Criador chorou mais uma vez. Desta lágrima descobriu o perdão. Lágrima esquentada com afeto e graça.

Malcompreendido pelos amigos, inimigos tolos, pecado, recobriram-no de ídolo. De tão cansados do incerto, angustiados por tanta liberdade, os amigos inventaram ídolos, pretensos profetas e arrogantes senhores do futuro, sacerdotes e magos de um deus acuado, cristos milagreiros da mesmice ressurreta. Inventaram a religião, vestiram-se de absoluto.

Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.


Elienai Cabral Jr. (Salvos da Perfeição)

14 de agosto de 2011

MEU PAI, MEU HERÓI

Por: Diego Cosmo

Meu herói, conselheiro, companheiro e patrocinador. Saiba que além de pai você é um exemplo pra mim, tenho orgulho da sua humanidade. Obrigado por desde sempre ter acreditado em mim e em qualquer coisa que eu me metesse a fazer. Não consigo descrever o quão valoroso foi e é sua postura em ter me criado livre, pois os frutos da liberdade não tem preço e são eternos. Sou grato por ter permitido por Amor que eu colocasse a mochila nas costas e fosse em busca da minha terra, e trilhasse meu próprio caminho.

Não tenho a menor dúvida de que você sempre será uma referência pra mim, no modo de encarar a vida, na forma de criar os filhos e até no estilo! he-he. Até o Queen, uma das bandas que tive o prazer de conhecer através de você, será um som que escutarei pru resto da vida, será sempre magnífico escutar essas músicas e lembrar da época em que andávamos no Santana escutando em alto volume músicas como: "I Want To Break Free", "I Want It All", "We Are The Champions", "Bicycle Race", "Don't Stop Me Now" E a "Radio Ga Ga" que era minha predileta na época, entre outras...

Bom... Espero que continuemos caminhando juntos como sempre estivemos até enquanto vivermos. Feliz dia dos pais! Eu te amo.

11 de agosto de 2011

O OLHAR DA ALMA


Há um olhar que sabe discernir o certo
do errado e o errado do certo.
Há um olhar que enxerga quando a obediência
significa desrespeito e a desobediência
representa respeito.
Há um olhar que reconhece os curtos caminhos
longos e os longos caminhos curtos.
Há um olhar que desnuda, que não hesita
em afirmar que existem fidelidades perversas
e traições de grande lealdade.
Esse olhar é o da alma.


Nilton Bonder (A Alma Imoral)

10 de agosto de 2011

O GRANDE MAR

Arte: Sarolta Bán

Deus deu aos homens a terra firme, as lagoas e os mares mansos. Mas o mar absoluto, esse Ele deu ao perigo e ao abismo. Então, o jeito é só navegar no marzinho sem perigo e sem abismo! Pode ser. Mas aí o olho da gente fica feito olho de boi, parado, nada vê, e quando vê fica assustado. Deus é perigo, é abismo. Mora no grande mar. Por isso que é só nele que se espelha o céu. Quem viu o céu espelhado no abismo e no perigo esse terá, para sempre, no olhar, o brilho da eternidade.


Rubem Alves (Navegando)

8 de agosto de 2011

NA PRIMEIRA CLASSE

Todos nós, todos sem exceção, no que se refere à ciência, ao desenvolvimento, ao pensamento, aos inventos, aos ideais, aos desejos, ao liberalismo, à razão, à experiência e tudo, tudo, tudo, tudo, ainda estamos na primeira classe do colégio! Nós nos contentamos em viver da inteligência alheia - e nos impregnamos! Não é verdade? Não é verdade o que estou dizendo?


Fiódor Dostoiévski (Crime e Castigo; pág: 214)

5 de agosto de 2011

O AMOR MORA NA SAUDADE


Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra.

A separação vem da compreensão, não é certo que, depois de se entenderem melhor, vão ficar juntos. A razão nada sabe sobre felicidade. A razão é como aqueles gênios da garrafa. Eles não têm vontade própria; não têm imaginação. Só têm poder. O coração, ele mesmo, desconhece a razão. Pois a música é assim: a gente ama sem entender. A linguagem clara e distinta mata a fantasia.

Não há promessas para amarrar o futuro. Há confissões de amor para celebrar o presente. Sentimentos não podem ser prometidos. Não podem ser prometidos porque não dependem de nossa vontade. O amor sobrevive na esperança de reaparições. Que a amada apareça tal qual Nossa Senhora, abraçada à lua; e o amado, tal qual Nosso Senhor, abraçado ao sol. Pode ser que vocês não acreditem: mas foi para esse momento efêmero de felicidade que o universo foi criado.


Rubem Alves (Retratos de Amor; págs: 17, 39, 43, 44, 54, 83 e 85)

3 de agosto de 2011

A CORRUPÇÃO DO PROTESTANTISMO DIANTE DO CAPITALISMO

Banksy

A análise de Weber não busca estabelecer uma relação causal entre o espírito do protestantismo e o espírito do capitalismo, mas antes, a relação funcional do primeiro em relação ao segundo: o espírito protestante é estruturalmente semelhante ao espírito do capitalismo e por isso mesmo adaptado a ele e adequado à sua expansão. Ora, na medida em que o mundo ocidental se rege pela lógica do capitalismo, podemos concluir que o protestantismo se sente em casa neste mundo, enquanto o catolicismo se descobre como exilado. A ideologia protestante unifica a liberdade do indivíduo, a democracia liberal e o progresso econômico como expressões do espírito do protestantismo. Em resumo: o mundo moderno é um fruto do protestantismo.

O espírito do protestantismo é o espírito de revolta contra todas as ordens institucionalizadas. A Reforma sacralizou a consciência e dessacralizou o mundo. E ao fazer isso a consciência se descobriu sem um lar. A civilização já não tem uma dimensão de profundidade sacral. O sagrado é substituído pelo útil. Não sendo o espelho do divino, mas um simples produto da atividade humana, o mundo já não se presta como ponto de referência para as exigências religiosas da alma. Destituído de sua aura divina, dessacralizado e desencantado, resta o mundo como simples matéria-prima para a atividade dos homens. A reverência à ordem civilizatória é substituída por uma atitude de orgulhosa rebelião contra ela. A grande conquista protestante, sacralizar a personalidade, tem como seu reverso a secularização do mundo, que agora não mais pode ser gozado misticamente como o ventre divino. O mundo não se constrói sobre o sagrado. Ele é fruto do utilitarismo. E com o utilitarismo surge a possibilidade permanente de anomia. E isso porque num mundo em que todas as coisas são medidas em termos de utilidade o próprio homem se sente sempre na iminência de perder-se, com a perda da sua utilidade.

A reforma é o início da incredulidade moderna e a chave para se compreender todos os fenômenos monstruosos dos tempos modernos. No espírito do protestantismo, portanto, estão presentes as causas da desintegração da civilização ocidental.

Weber concorda em que existe uma grande afinidade entre o espírito do protestantismo e o espírito da modernidade. Mas a modernidade, representada pela lógica capitalista e pelas tendências à racionalização do comportamento e à burocratização, longe de ser uma expressão de liberdade e dos ideais democráticos, representa exatamente o seu oposto. O ideal democrático fala de uma organização política que não é imposta verticalmente de cima para baixo. Sua intenção é articular uma ordem que exprima as tendências sociais presentes nas bases humanas da sociedade. Uma sociedade democrática, assim, deveria ser uma objetivação da liberdade, uma expressão e um instrumento da "razão" imanente nos cidadãos como indivíduos.

Existe uma oposição absoluta entre, de um lado, liberdade e carisma e, de outro, as necessidades funcionais de disciplina e organização exigidos por uma sociedade comprometida com o progresso e o crescimento econômico. "Ou modernidade ou liberdade. As duas não podem ser afirmadas ao mesmo tempo". As exigências funcionais do sistema de produção - exatamente o sistema que é o fundamento do progresso - não podem permitir o comportamento individualmente diferenciado, seja ele determinado por exigências do organismo, seja ele determinado por valores pessoais divergentes. Em outras palavras: na medida em que o espírito protestante se ajusta à ética de disciplina e asceticismo do sistema de produção capitalista, torna-se impossível continuar a manter os ideais individualistas, libertários, críticos, que encontramos nos momentos iniciais da Reforma. Se, nas suas origens, o protestantismo foi um protesto da consciência contra as imposições de certo sistema; se ele proclamou a prioridade da "graça" sobre a "lei"; se ele afirmava que a pessoa, em decorrência da sua ligação direta com Deus, devia ser o pólo axiológico para a denúncia profética de todos os sistemas que pretendiam transformar a pessoa em função - o fato histórico, entretanto, é que a ligação do protestantismo com o progresso abortou os seus ideais fundadores.


Rubem Alves (Dogmatismo e Tolerância; págs: 90, 91, 92, 93, 94 e 95)

1 de agosto de 2011

SONETO DE FIDELIDADE


De tudo, ao meu Amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure


Vinicius de Moraes

HERÓI

Mahatma Gandhi

"Meu conceito de Herói mudou. O Herói não era mais quem ganhava o distintivo ou era aplaudido como Harry Potter no final da história. Um Herói era alguém que fazia algo porque era certo, alguém cujas conquistas pudessem ir além de sua morte e que estivesse disposto a morrer desacreditado e esquecido. Heróis não são necessariamente os que ficam com a medalha no fim da história."


Frank Miller

ANTES DA REVOLUÇÃO (PARTE 5/5 - VERDADE)

O Apelo de Neo a Trinity
Neo pede a Trinity que fique fora da Matrix.

Máquinas se Aproximam de Zion
As Máquinas estão há nove horas de penetrar Zion.

Sentinelas Atacam

Sentinelas põem em risco o plano para chegar à fonte quando destroem a Vigilant.

Trinity entra na Matrix

Link coloca Trinity na Matrix para que ela possa cumprir a parte do plano que o vigilant não pôde.

O chaveiro Morre
Ao ajudar Neo a chegar à Fonte, o Chaveiro morre nas mãos do Agente Smith.

A 6º Anomalia

Neo, a 6º anomalia, encontra o Arquiteto. Neo deve devolver a programação que ele carrega para o programa original. Uma falha neste processo resultará na extinção de toda a raça humana.

Fim...?


Matrix

31 de julho de 2011

ANTES DA REVOLUÇÃO (PARTE 4/5 - ZION)

Osíris Descobre Um Exército de Máquinas
O hovercraft Osíris chega à superfície da Terra e descobre um exército enorme posicionado sobre Zion.

O Vôo Final
Thadeus, capitão do Osíris, ordena que seus tripulantes lutem contra os sentinelas para que Jue tenha tempo suficiente para alcançar o ponto de entrega na Matrix.

Agente Smith

Smith entra na reunião dos líderes rebeldes para mandar uma mensagem para Neo. Agora ele é um programa independente, desconectado do sistema da Máquina.


Nabucodonosor Retorna a Zion
Neo e a tripulação do Nabucodonosor retornam para recarregar a nave.

Assembléia no Templo de Zion
Morpheus faz um discurso sobre os rumores que circulam em Zion. Confiando na profecia, ele passa esperança para as pessoas.

Smith Infecta Bane

Smith infecta Bane e entra no mundo rebelde em busca de Neo.

Segundo Encontro com O Oráculo
Neo confirma que o Oráculo é um programa da Máquina. O Oráculo confirma que o caminho do "Escolhido" termina na fonte. Ela encaminha Neo para o Merovingian para encontrar o Chaveiro.

O Merovingian
O Merovingian explica para Neo que a relação de causa e efeito é a única verdade real e se nega a entregar o Chaveiro.

Causa e Efeito de Persephone
Em troca de um beijo, Persephone leva Neo até o Chaveiro.

O Plano do Chaveiro

O Chaveiro estipula o plano para chegar na fonte.

Continua...


Matrix

23 de julho de 2011

PRÓLOGO

Por: Diego Cosmo

Luzes ao final do túnel da terra são o que todos procuram ver além na vida, em determinada altura, há um convite da consciência para construírem um futuro mais significativo, nesses sempre há um motivo que os impulsionam de vez por esse caminho, para esse sonho, essa empreitada no qual a esperança se sustenta. Por aí só se aventuram os que têm coragem de assumir sua verdade, o que encontraram de si no universo e de encarar a realidade da forma que é, imprevisível, crua, lamentável para alguns, agonizante para outros. Em contrapartida aprende-se a vê-la pelo lado invisível, o lado manso, saboroso e amoroso. Quando aprendemos a educar nossos sentidos, descartando a lógica de que a carne deve ser reprimida, o que acaba por levar as pessoas a pensarem muito na vida além da terra, cegando-as para questões terrena que é aonde, de fato, pisamos. Nos educando para a vida, passamos a sentir o fluir das coisas em uma dimensão mais profunda. A trilha que nos faz sermos pessoas bem sucedidas ou, em outras palavras, pessoas mais humanas é um caminho sem volta, basta a primeira doce de desilusão para a curiosidade se tornar uma bola de neve, você se sente um iniciante num mundo em que na verdade sempre esteve presente. Parece paradoxo mas podemos nascer novamente ou vocês acham que viver é só estar presente no mundo?

Nas ruas sempre me deparava com quadros que me deixavam com a pesada sensação de que tinha algo errado com os olhos de todo mundo. Acabei me metendo, a princípio sem saber no que poderia dar, num caminho que vai contra toda uma lógica, precisamente, de um conceito religioso que fazia até das mais miseráveis condições humanas algo com sentido, felizmente ou infelizmente o pacote de valores que a igreja me ofereceu estava com o prazo de validade vencido. Para os que querem ter um mundo bonitinho e sob controle, não há como assumirem que nem tudo tem sentido, creio que inevitavelmente vocês se voltarão para questões que realmente importam ao assim fazerem, questões que tem ligação com a vida. Viver em gaiolas é seguro mas contradiz nossa essência de voarmos em pensamentos, viver absurdamente "seguro" assim é nos rebelar contra nossa natureza. Viver engaiolado deve ser confortável e por isso dá sono. Não é preciso formalidades para mudanças, a mudança pode ser agora. O depois é um futuro muito distante.

Quando acontece esse choque revolucionário contra o paradigma que sempre se esteve envolvido simplesmente as coisas mudam, a imago dei - imagem de Deus, se revela ainda viva. Mas o mundo do jeito que se encontra, não é fácil agir da forma como basicamente nascemos para ser - patrocinadores dos valores de caráter amoroso. O sistema nunca exigirá humanidade de ninguém.

Renascendo ou nos reinventando sempre seremos andarilhos de primeira viagem, portanto também cuidemos de ser como os que realmente viajam pela primeira vez. Daquele tipo que apesar dos problemas em casa com a família ou dos acontecimentos desagradáveis que surgem quando menos esperamos, consegue chegar ainda a ficar com dor no pescoço de tanto se deleitar na paisagem a sua volta, pois de fato o horizonte é magnífico. E esse horizonte utópico que mesmo nós não o vendo em sua totalidade vale a pena vê-lo, acreditar nele é o suficiente para nos fazer viver em plenitude divina.

20 de julho de 2011

A VIDA SOBRE AS ALMAS

O movimento evangélico ainda considera uma antropologia grega, que separa corpo, alma, espírito. Essa tricotomia (em alguns círculos, dicotomia) é estranha à cultura semita e ao ensino de Jesus. Alma, na tradição judaica, é vida. Quando o Novo Testamento ensina sobre a salvação de almas, a leitura deve remeter à vida e não ao elemento etéreo, incorpóreo da humanidade que os gregos acreditavam puro. Imaginava-se que a alma estava aprisionada ao corpo. E que na morte a alma sobrevivia em alguma esfera do mundo dos espíritos. E que o corpo se desfazia na terra. Esse pressuposto, de origem neoplatônica, migrou para o cristianismo. Aceitando-se que há uma alma, os esforços missionários, as iniciativas diaconais, tudo se revolverá em salvá-la. Contudo, ao ler-se que a alma é a vida, o ser humano em sua integralidade será o alvo prioritário da igreja.

O movimento evangélico deve despistar a teologia pessimista da queda. O pecado de Adão tornou-se não só a explicação para o mal que se alastrou, como para o sofrimento universal. Entretanto é preciso reafirmar que a humanidade, independentemente da cor da pele, estética física ou cultura, sempre carregou a imago dei - imagem de Deus. Mesmo maculados pelo pecado, mulheres e homens são capazes de ações dignas. É possível resgatar a esperança, a imago dei nunca se perdeu. Ainda há ONGs lutando pela preservação dos santuários ecológicos; médicos e dentistas enfronhados em favelas e campos de refugiados de guerra; missionários cuidando da saúde de índios. Os poetas ainda falam em versos e prosa sobre a beleza da vida e os seresteiros ainda dedilham suas violas, celebrando o amor. Cientistas lutam para encontrar terapias contra o câncer, vacinas contra o vírus HIV; terapeutas ainda se dedicam aos doentes mentais; ainda existem voluntários cuidando de crianças em orfanatos, pais adotando filhos abandonados, mulheres visitando indigentes em hospitais públicos. Com esses, a igreja deve cooperar porque todos os que se empenham pela vida estão ao lado de Deus. Eles são construtores do futuro.


Ricardo Gondim

16 de julho de 2011

ANTES DA REVOLUÇÃO (PARTE 3/5 - O ESCOLHIDO)

O Oráculo

Neo é apresentado ao Oráculo, que confirma a suspeita de Neo que ele não é o Escolhido.


A Traição de Cypher

Cypher trai Morpheus  em troca da sua reintegração na Matrix. Morpheus se sacrifica para salvar Neo e é capturado pelo Agente Smith, que tenta obter as senhas para o mainframe do computador de Zion.


Agente Smith vs. Neo

Neo enfrenta e derrota o Agente Smith, mas descobre que seu adversário entrou em outro corpo da Matrix.


Neo Morre na Matrix
Neo é morto pelo agente Smith.

A Derrota do Agente Smith
Com a ajuda de Trinity, Neo é ressuscitado. Agora ele pode ver os códigos por trás da Matrix. Neo destrói o Agente Smith.

Uma Instância de Auto-Substanciação
O Garoto, acreditando em Neo, se deixa cair para a "morte", mas acorda no mundo real.

O Garoto se Junta a Zion
Após acordar, o Garoto se torna um cidadão de Zion.

Continua...


Matrix

12 de julho de 2011

ANTES DA REVOLUÇÃO (PARTE 2/5 - MATRIX)

A matrix

As Máquinas constroem a Matrix, um mundo dos sonhos gerado por computador para manter os humanos sob controle enquanto eles fornecem energia infinita para seus novos mestres.

Acorde, Neo
Os rebeldes fazem contato com o indivíduo que eles acreditam ser "o Escolhido" para acabar com a guerra contra as Máquinas e libertar a humanidade. Seu nome é Neo.

Trinity
Trinity observa Neo de perto, familiarizando-se com sua vida e sua busca por respostas.

O encontro
Neo conhece Trinity e descobre a resposta para a pergunta que o atormenta - "O que é a Matrix?" - "ela está aí, ela está a sua procura, ela te encontrará, se você desejar".

Capturado
Os Agentes, programas sencientes que mantém a defesa e a preservação da Matrix, capturam Neo e exigem sua cooperação na busca por Morpheus.

Vermelha ou Azul?

No segundo encontro, Trinity apresenta Neo a Morpheus, que faz a pergunta que irá alterar a sua vida: "Vermelha ou Azul?"

Libertação  e Recuperação
Neo escolhe a pílula Vermelha, iniciando um programa que é capaz de localizá-lo no mundo real. Ele é desconectado da Matrix.

Regeneração de Músculos Atrofiados

Por ter passado toda sua vida em um casulo cheio de gel, os músculos de Neo estão atrofiados e precisam ser fortalecidos através de estímulos elétricos.

O deserto do Real

Morpheus começa a ensinar Neo sobre a Matrix e o Mundo Real.

Continua...


Matrix

8 de julho de 2011

ANTES DA REVOLUÇÃO (PARTE 1/5 - NASCIMENTO)

No início
No início havia o homem. As simples sociedades humanas logo se tornam vitimas da vaidade e corrupção. Então o homem cria a máquina. Assim o homem se torna o arquiteto de sua própria destruição.

O julgamento de B166ER

B166ER, uma máquina com inteligência artificial, é o primeiro da espécie a se rebelar contra seus amos. No seu julgamento por assassinato, B166ER depõe dizendo simplesmente que não quer morrer. Os líderes humanos logo ordenam o extermínio de B166ER junto com todos os do seu tipo.

Revoltas e Revolução

O julgamento de B166ER é o catalisador que inicia os debates globais sobre os direitos das Máquinas, e o mandato do governo para extermínio gera violência ao redor do mundo.

01
Banidas da humanidade, as Máquinas se refugiam numa terra prometida. Nasce uma nova nação. Um lugar que as Máquinas podem chamar de lar. Eles chamam esta nação de "01".

Fracasso Econômico
01 prospera. Mas os líderes humanos se recusam a cooperar com a nova nação. Os embaixadores de 01 apresentam planos de relações pacíficas com os homens. A inclusão de 01 na ONU é negada.

Ataque Preventivo
As nações unidas da humanidade iniciam um ataque nuclear contra 01. O bombardeio prolongado envolve a nação das Máquinas com o brilho de mil sóis.

Operação Tempestade Negra
Os líderes da humanidade concebem a destruição do céu para tirar das Máquinas o sol, sua principal fonte de energia. A decisão dos humanos forçou as Máquinas a começarem a procurar por outras formas de energia.


Vitória
As Máquinas superam a oposição humana e declaram vitória. O primeiro protótipo da Unidade Blindada original foi criado e utilizado nesta guerra.

Forma Alternativa de Energia
As Máquinas se voltam para as energias bioelétrica, térmica e cinética do corpo humano.

Simbiose

As Máquinas obtém energia do corpo humano, uma fonte inesgotável e infinitamente renovável.

A demanda pela carne
O conselheiro de segurança da ONU oferece a rendição incondicional das restantes Nações Unidas.

Continua...


Matrix