18 de abril de 2010

CALVINISMO E PREDESTINAÇÃO


No que interessa para a nossa discussão é preciso dizer que o calvinismo enfatiza tanto a tremenda soberania de Deus (Deus faz o que quer) quanto a tremenda incompetência do homem (o homem é incapaz de fazer por si mesmo qualquer coisa de bom). O calvinista crê encontrar na Bíblia que Deus é soberano, e entende com isso que o livre-arbítrio humano é coisa que não existe. O homem, atolado até o pescoço na fossa do pecado, não tem nenhuma inclinação, capacidade ou independência moral para desejar a Deus, quanto menos o cacife para escolher tomar o lado divino a fim de encontrar a salvação. Os que são salvos são salvos por iniciativa incondicional de Deus, tomada na eternidade antes de o tempo começar a se desenrolar - ou seja, não com base em qualquer mérito, disposição em mudar ou manifestação de fé do indivíduo favorecido. A morte sacrificial de Cristo não beneficia toda a humanidade, mas apenas essa porcentagem de eleitos que Deus escolheu em sua misericórdia e sem precisar dar explicações a ninguém. Essa graça concedida em favor dos eleitos é "irresistível" - isto é, do mesmo modo que não fez nada para merecê-la, o predestinado não tem liberdade para rejeitá-la e vai acabar cedendo a ela na hora certa, e para sempre. Os outros, predestinados à destruição, não têm, por um lado, espaço de manobra para mudar o próprio destino e, por outro, direito a reclamar dele.

O Calvinismo resulta da ideia, levada a suas últimas consequências lógicas, de predestinação. Se Deus predestinou, a graça é irresistível. Se Deus predestinou, não foi para todos que Jesus morreu. Se Deus predestinou, a liberdade humana é uma ilusão e uma farsa. Se Deus predestinou, ele conhece o futuro por inteiro e a história está pronta, apenas não terminou de ser filmada. Se Deus predestinou, a liberdade humana é uma farsa. Se Deus predestinou, Jesus morreu para beneficiar uma elite arbitrária de eleitos, o que é moralmente inaceitável e incompatível com o caráter amoroso e inclusivo de Deus revelado no tom geral da Escritura.


Paulo Brabo (A Bacia das Almas; págs: 185, 186, 187 e 190)

4 comentários:

Ivan Ryuji disse...

Liberdade, livre-arbítrio e por aí se vê como Deus age através dos homens.
Pelo menos é o que eu acho.. hehe

Abraços

Ivan Ryuji
http://blogdoryuji.blogspot.com/

Diego Cosmo disse...

É isso ai! através da liberdade que temos podemos ter um relacionamento de verdade com Deus!

abraço!

C.C. disse...

Em primeiro lugar dizer que sou agnóstico, logo não estou muito informado, mas julgo que na base da teoria católica está o facto de ter sido dado ao Homem o livre arbitrio, pois caso isso não acontece tudo o que de mal acontece no Mundo seria culpa de Jesus. Assim o mal acontece por via das decisões (livres) do Homem que é um ser com defeitos.

Diego Cosmo disse...

É... Aquela frase que diz "aqui se faz, aqui se paga" diz mais respeito ao modo de como vivermos aqui, o pecado, por exemplo, é algo que nos corroe por dentro...

Acho q colocar a culpa de todo mal do mundo em uma só pessoa não tem muito sentido, mesmo se não tivéssemos o livre-arbítrio, simplesmente creio que existem pessoas más como vc mesmo já deve ter visto por ai...

abraço