23 de novembro de 2009

POIS OS TEMPOS, ELES ESTÃO MUDANDO



Venha se reunir povo por onde quer que andem
E admitam que as águas que nos cerca se elevaram
Aceitando isto
Logo estaremos ensopados até os ossos
Se o tempo para você vale salvar
Então é melhor começar a nadar
Ou você afundará como uma pedra
Pois os tempos, eles estão mudando.

Venham escritores e críticos
Que profetizam com suas canetas
E mantenham os olhos abertos
Que a chance não se repita
E não fale cedo demais pois a roda continua girando
E não há como saber quem será nomeado
Pois o perdedor de agora
Estará mais tarde a ganhar
Pois os tempos, eles estão mudando.

Venham senadores, congressistas, respondam ao chamado
Não aglomere na porta, não congestione o corredor
Pois aquele que se machuca será aquele que atravanca
Existe uma batalha lá fora urrando
Logo ela estará sacudindo suas janelas
E tremendo suas paredes
Pois os tempos, eles estão mudando.

Venham mães e pais por toda a terra
E não critiquem o que não consegues compreender
Seus filhos e filhas
Estão além de seu comando
Sua velha estrada está rapidamente deteriorando
Por favor saia da nova estrada
Se você não pode contribuir
Pois os tempos, eles estão mudando.

A linha foi traçada, a maldição foi praguejada
O lento agora mais tarde será veloz
E o presente agora mais tarde será passado
A ordem rapidamente se desbota
E o primeiro agora
Mais tarde será o último
Pois os tempos, eles estão mudando. 


Bob Dylan (The Times They Are A-changin)

15 de novembro de 2009

"AMAR E MUDAR AS COISAS ME INTERESSAM MAIS"




Eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais, nem em tinta pro meu rosto ou oba oba ou melodia para acompanhar bocejos, sonhos matinais. Eu não estou interessado em nenhuma teoria, nem nessas coisas do oriente, romances astrais, a minha alucinação é suportar o dia-a-dia e meu delírio é a experiência com coisas reais.

Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha, blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais, garotas dentro da noite, revólver, cheira cachorro, os humilhados do parque com os seus jornais, carneiros, mesa, trabalho, meu corpo que cai do oitavo andar, e a solidão das pessoas dessas capitais, a violência da noite, o movimento do tráfego, um rapaz delicado e alegre que canta e requebra, é demais, cravos, espinhas no rosto, rock, hot dog, "play it cool, baby" doze jovens coloridos, dois Policiais. Cumprindo o seu duro dever e defendendo o seu amor e nossa vida.

Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais, longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia, amar e mudar as coisas me interessa mais, amar e mudar as coisas, amar e mudar as coisas me interessa mais.


Belchior (Alucinação)