7 de outubro de 2009

A PARÁBOLA DA DESCULPA CELESTIAL



Um homem cruza a rua e um ônibus por pouco não o atropela, Então, ele diz: "Deus me ama, pois o ônibus não me atropelou". Em outra ocasião, o ônibus o golpeia e o mutila. Desta vez, ele diz: "Deus me ama, pois o ônibus não me matou". Finalmente, um dia o ônibus o mata. Mas, agora, são seus amigos a dizer: "Deus o ama, pois o tirou deste mundo infeliz e pecador".


John Macquarrie

Na primeira casa, o filho disse para o rabino: "Se ao menos eu tivesse mandado minha mãe para a Flórida, para longe desta neve, ela estaria viva hoje. Ela morreu por minha culpa". Na segunda casa, o outro filho disse: "Se ao menos eu não tivesse insistido para que minha mãe fosse para a Flórida, ela estaria viva hoje. Aquela longa viagem de avião e a mudança brusca de clima foram demais para ela. Morreu por minha culpa". A questão é a seguinte: acreditando-nos culpados, podemos acreditar nos nossos poderes de controle da vida. Estamos dizendo que preferimos o sentimento de culpa à aceitação de não estarmos com o controle. Outros talvez sintam necessidade de acreditar que Alguém lá em cima tem o controle, que coisas terríveis não acontecem sem uma causa, que, se foram atingidos pela tragédia e pela perda devastadora , é porque, de algum modo, as mereceram. São os que não aceitam a ideia de que o sofrimento é aleatório, ou de que os homens maus prosperam enquanto os bons são castigados. Assim, acrescentam ao sofrimento a convicção de que sofrem porque devem sofrer, que seu sofrimento é prova suficiente da sua culpa.


Judith Viorst (Perdas Necessárias; pág: 136)

2 comentários:

Anso disse...

rsrsrs
tomara q Deus naum me ame assim!

Alessandra Moreira ♥ disse...

Muito boom ! rs
Parabéns pelo teu blog !
Ja estou te seguindo~~~~~
Beijinhus